Passamos a semana em Gamboa do Morro, um povoado próximo do famoso “Morro de São Paulo”, ambos pertencentes ao Município de Cairu, na Bahia. É um lugarejo bastante simples, formado por poucas
ruas. Parte da orla está tomada por algumas casas singelas, ao lado de um cais de desembarque de concreto com intenso movimento de embarcações e pessoas.
Quando chegamos, havia um único veleiro além do nosso, numa ancoragem distante, e muitas pequenas embarcações ao largo. A primeira dúvida que surgiu para lá permanecermos foi quanto à segurança, pois tínhamos a informação de que estava sendo iniciada uma greve de policiais na Bahia. Apesar da simplicidade, o distrito de Gamboa do Morro nos pareceu tranquilo, pacato, com origem numa pequena vila de pescadores que hoje vive, também, do turismo. Todas as vezes que íamos prender o bote inflável com cadeado no cais, nos diziam, quase ofendidos, que ali não precisava daquilo, que ninguém iria “bulir” com ele.
É um lugar arborizado, que mantém grande parte da vegetação natural de mangues e matas baixas, a perder de vista, com praias limpas, de água transparente. A jóia do lugar é a Coroa do Meio, com piscinas de água morna na maré baixa, ou melhor, de água quente, porque a temperatura média tem sido de 29º C.
Há muitas poitas em frente à praia, logo após o cais de desembarque, para as embarcações de passageiros, de pesca, lanchas e canoas. Ficamos em uma delas, cedida por um amigo. Ali o mar rola um pouco, principalmente por conta do grande tráfego das embarcações, fazendo marolas, e pelo movimento das marés.
Os catamarãs com destino a Morro de São Paulo, partindo de Salvador, também param nessas poitas. Soubemos que estas embarcações gastam, a cada viagem, cerca de 100 sacos para vômitos, fornecidos aos
passageiros. Elas andam muito rápido, e batem bastante no mar quando este está pouco mais alto, daí os passageiros chamarem o “Raul”. São lavadas a cada viagem de ida e volta. Ave-Maria! Imagine só quanta inspiração num só lugar, em dia de mar alto, tanto auditiva quanto olfativa!
Em Gamboa não há caixa eletrônico de banco, para sacar dinheiro tivemos que ir até Morro de São Paulo com o nosso bote inflável. Ali chegando, nos deparamos com um portal de pedra, que compõe a estrutura de uma fortaleza centenária, o que deu a idéia aos governantes locais de cobrarem R$12,00 por turista que por lá passe, a título de “taxa de turismo”. Falamos que queríamos apenas sacar dinheiro, a
poucos metros dali, e nos deixaram passar sem pagar. É uma medida ao menos antipática, sendo que deve haver formas mais criativas de se angariar dinheiro junto aos turistas.
A internet em Gamboa esteve fora do ar, e só no último dia conseguimos um acesso wi-fi, que dá mais conforto para rodar os aplicativos que estão em nosso próprio computador. Consultamos as previsões de tempo e vimos que entraria um vento contra para descer a costa; resolvemos adiar a nossa ida.
Voltamos para Salvador. Na viagem para cá, ouvimos os avisos-rádios para assistir ou informar quanto a 3 tripulantes desaparecidos de uma lancha que bateu nos recifes nas proximidades de Itaparica, no último
dia 24 de janeiro. Na nossa viagem até Morro estivemos olhando atentamente, procurando por eles, sem sucesso. Foi um acidente ocorrido numa área abrigada de uma baía, num dia de tempo bom; independentemente das causas, revela a seriedade da navegação, pois um simples passeio pode se transformar num transtorno, e numa tragédia.
Em Salvador, vamos aguardar uma condição de tempo favorável para partir, além de buscar umas peças de reposição e dar um jeito no nosso eólico, que está falhando, ele que é essencial para a nossa geração de energia à noite, em travessia. E quem disse que é preciso um motivo para voltar a Salvador? A onda de insegurança vai passar.
Catarina