maio « 2010 « Bem-vindo a bordo!

Archive for maio, 2010

Pois é, gostamos muito de Fernando de Noronha. Na REFENO, fizemos muitos amigos, e nos divertimos muito durante a regata. Claro que ganhar tem seu charme, mas aconteceu por conta de uma condição muito especial, de pouco vento, que favoreceu o Luthier em relação aos barcos maiores, e a sorte de ter tido mais vento na rota que escolhemos.
Digo isso, porque este ano vamos novamente participar da REFENO, que está prometendo bastante, porque terá muito mais barcos que no ano passado, mais gente para conhecer, mais diversão, barcos modernos, rápidos, ou seja, teremos poucas chances de ganhar, mas o que vale é participar.
Para participar, tenho que preparar o barco, levá-lo até Recife, passar em Salvador para pintar o fundo e comer acarajé, portanto, muita coisa para fazer, coisa boa, ocupando a mente e o corpo. Desta vez, também teremos um tripulante a mais, e muito assunto para escrever.
Além de relatar viagens e outras coisas, estou iniciando uma seção (veja no alto da página) com o nome “FAÇA VOCÊ MESMO”, com relato, fotos e dicas de como fazer (ou não) pequenas manutenções e modificações no barco.
A idéia surgiu recentemente, quando resolvi instalar os “lindos reloginhos”. Um deles, o medidor de temperatura, precisa de um sensor, T de cobreno motor, na linha de água doce da refrigeração. Resolvi instalar logo na saída de água quente para o boiler. Para isso, coloquei um T de cobre onde montei o sensor. Tudo pronto, enchi de água e liguei o motor. Claro que vazou. Um amigo, vizinho de cais, logo disse: “isso é o  que eu chamo de manutenção predativa”. Estava tudo funcionando bem, ai mexe para criar problema.
Aproveitei a troca o óleo lubrificante e do filtro do motor do Luthier e usei esse evento para fazer o primeiro texto do “faça você mesmo”.
Antes que eu me esqueça, o outro reloginho é um medidor de nível de diesel no tanque. Controlar apenas pelas horas de funcionamento, não deu muito certo. Nunca a quantidade de diesel colocada no tanque para enchê-lo coincidiu com o calculado pelas horas e o consumo estimado. A média histórica de consumo do motor, em 400 horas de uso, foi de 2 litros por hora, mas houve consumos médios, entre abastecimentos, variando entre 1,7 e 2,5 litros por hora, dependendo se ele foi usado em mar ou em águas abrigadas, da rotação e do estado do mar, vento, etc..
Com o medidor, e o acompanhamento das horas, terei um melhor controle.

Comprometi-me a falar apenas sobre coisas úteis, em continuidade ao apanhado sobre nossa experiência a bordo, no cruzeiro ao nordeste do país.
Assim, elegi um campeão de utilidade em uma embarcação: o plástico. Na forma de sacos ou vasilhames, o plástico se presta a embalar alimentos, roupas, cds, documentos, qualquer coisa, mantendo tudo a salvo de umidade, das pragas, e da salinidade. Também serve a mesa na forma de louças, com as limitações próprias do material. É a invenção moderna que se adaptou à tradição milenar da navegação, sem enferrujar, reter umidade, nem quebrar. Nada ecológico, mas hoje, ninguém vive sem ele, é fato. Para resolver o lixo gerado, bastaria reciclar.
Também são muito úteis todos os produtos feitos em “Lilliput”, como um mini-saleiro e mini-potes, um mini-aspirador de pó, um pente que se dobra em 2, e uma mini-cafeteira, porque se encaixam em qualquer precioso cantinho.
Muito se diz, nos livros de iniciação ao cruzeiro à vela, sobre a importância de se listar  tudo o que é mantido a bordo, de ferramentas a mantimentos, fazendo-se referência ao paiol em que foram guardados. Isso para que, na hora da pressa, você não tenha que desmontar todo um paiol na busca de um item que, por fim, não se encontra lá. De se lembrar que, em um veleiro, os produtos nem sempre estão à mão, ou à vista, e, muitas vezes, estão guardados atrás, ou embaixo, de tantos outros, por conta da limitação e do aproveitamento de espaço. Um aperto!
Esse ganho de tempo na hora da busca é inteligente, e todos deveriam praticar e manter tais listas, certo? Em teoria sim, na prática, no meu caso, não deu certo: tentei fazer lista dos mantimentos, sua localização e validade, mas acabo não me lembrando aonde pus tal lista, e quando a encontro, já está carente de atualização, para mais de um mês, a pobre. Ao menos, procuro guardar tudo no mesmo lugar, e fazer uma panorâmica nos paióis de alimentos, de tempos em tempos.
Prometo a mim mesma melhorar nesse quesito, alguma hora.
Continuando a sequência de posturas desejáveis para navegação, listei mais duas:
_ “ACHO” não serve. Quem repete isso é o Dorival, e ele tem razão. Não serve “achar” que deixou firme o cabo de amarração, tem que haver certeza de que o fez, e bem feito. A navegação é precisa, tudo tem que ser verificado, e o diagnóstico deve ser exato. De que raios serve “achar” que um navio vai passar pela proa do seu barco? Se não há certeza, o melhor é adotar uma atitude conservadora, e mudar o rumo. Ou, ainda, “achar”, durante um pé-dágua, que fechou todas as gaiutas? E por aí vai… Já sei, vão dizer que para regime militar só está faltando o uniforme, mas “acho” que não tem como ser de outro jeito;
_“SE ACHAR” o máximo também não serve: quando você se acha o máximo, tornar-se cego, ofuscado pelo brilho da própria vaidade, e deixa de enxergar pequenos movimentos da natureza, que por si é dinâmica, das coisas e das pessoas, que muito podem lhe dizer sobre a realidade. A vaidade é perigosa, tanto quanto as pedras de uma baía: a pessoa acha que não precisa se informar, estudar, aprimorar-se; considera que sua experiência lhe deixa imune a mancadas, em relação a fatos, ou às outras pessoas, à sua volta, cometendo assim o maior dos erros. Estamos nos beliscando!Exaustor
Pronto, acabou o “besteirol”!
Para sua informação, continuamos nossa empreitada de fazer as melhorias no barco, principalmente as de ventilação, sendo que a mais fofa delas é a instalação de um exaustor perto do fogão, e outro no sanitário que, realmente, jogam para fora o ar, geLindos reloginhosrando circulação no ambiente. Outra é a ventilação dos paióis. Medidas simples que fazem a diferença, principalmente quando estivermos em viagem, com todas as gaiutas fechadas.
Também foram instalados lindos relógios, para medir a quantidade de combustível, e a temperatura da água do motor.
Pessoal, continuo a escrever porque resolvi não entregar o jogo. Sigo jogando, um pouco paranóica, um pouco perna de pau, e outro pouco que resta, meio dispersa, mas jogando, por todos aqueles que resolveram continuar me aguentando.

Olá, pessoal!

Estamos de casa nova. Durante nossa primeira viagem ao nordeste, nossos textos foram publicados no blog da veleiro.net.

Em junho, vamos iniciar uma nova viagem ao nordeste do Brasil. Continuaremos escrevendo, esperando contar com a visita e os comentários de vocês.

Abraços,

Dorival e Catarina

IMG_8623