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Archive for junho, 2010

Amanhã, 27 de junho de 2010, iniciaremos nossa viagem para o Norte. Nossa primeira meta é Salvador-BA, mas, certamente, haverá escalas. Sairemos do Bracuhy para Ilha Grande, com primeira parada no Sítio Forte. Lá preciso mergulhar para limpar a quilha porque a água aqui está muito escura para o serviço. O hélice e o casco já estão limpos.
Ontem fomos ao Happy Hour no Bowteco, com bolo de despedida para  nós e para o Rapunzel, que seguiu hoje para Santos.
Muitos barcos estão subindo a costa este ano, mal saímos e já combinamos encontros no Saco do Céu (fica na Ilha Grande) com outros velejadores, que também estarão esperando ventos SE para iniciar a subida, o que, no mínimo, vai demorar uma semana.
Desta vez, levaremos um SPOT, que é um rastreador pessoal. Mandaremos nossa posição a cada 6 horas para alguns e-mails e também para uma página. No “link”:
SPOT – Veleiro Luthier, nossa posição aparecerá em um mapa ou na foto satélite do google. A página também pode ser acessada pelo link que está no item “Sites” na barra ao lado.
Estou feliz por voltar a navegar, ancorar por aí, seguir com nossa vidinha tranquila, mas cheia de fainas.
Mandaremos notícias sempre.

Dorival

Despedida no Bowteco

Não bastassem a minha mãe, e a vizinhança do cais, as torcidas do Corínthians e a do Flamengo, juntas, recomendaram: não deixem que o Dorival saia de viagem gripado!
Então, o gripado e eu permanecemos atracados no Porto, esperando a  doença passar.
Assim como essa gripe veio, há de ir embora. Ela não pôde se instalar no veleiro vizinho, de frente para o nosso, porque o comandante é vacinado, e toma 1 grama de vitamina C todos os dias. Os outros moradores vizinhos, e eu própria, já somos velhos conhecidos dela.
É justo que o vírus da gripe sobreviva, é da natureza, então, peço a todos que venham dar um forte abraço no Dorival!
O convalescente permanece em semi-repouso, assistindo aos jogos da copa. Ontem, ele já estava um pouco melhor, e fez serviços leves, mas importantes: arrumou a mesa de navegação, trocou as birutas (fitas indicativas da direção do vento), que estavam rotas, Instalando a Birutae o revestimento plástico dos brandais, esses para não judiar dos cabos. Nada de mergulhar para limpar o hélice: a torcida não deixa!
Como ele não aguenta ficar muito tempo parado, foi ajudar o novo proprietário do barco ao lado a tirar o motor de lá de dentro. Ele não é uma “graxinha” de pessoa? Sempre volta para a casa sujinho, com a roupa manchada. Tudo bem, nós sabemos como é passar sufoco com motor de barco. Por fim, é só mais uma roupa manchada, parte do guarda-roupa oficial do velejador, marcada pela lama, pela ferrugem e… pela graxa.
A ligação de uma pessoa com o seu barco é especial. Em determinado momento, o barco passa a ser a extensão de seus braços e pernas, uma parte de seu corpo; o sujeito se sente nu, faltando um pedaço, quando muito tempo longe dele. É no barco que a pessoa passa seus momentos de descontração, de escape do cotidiano. Também é nBiruta  Instaladao barco, em travessia, que se pratica a liberdade.
Não é à toa que o antigo proprietário do barco ao lado pediu uns momentos a sós com o seu “pedaço”, visivelmente emocionado.
A nossa viagem ficou para esta semana. Vamos esperar o próximo cavalo selado (a frente fria), aquele que se monta uma vez só. Impossível não reparar os outros que já passaram, mas, é a vida…
Vamos com o rastreador pessoal, e vai ser possível deixar um “link” no blog, com nossas pegadas. Durante a semana providenciaremos isso, e daremos notícias nossas.

Catarina

Chegou a data. Vamos para a Bahia.
Pretendemos sair da Marina no final dessa semana, e ir para Ilha Grande, esperar uma frente fria que nos leve a Salvador.
Como vamos no vento, se dermos sorte, seguiremos direto para nosso destino; do contrário, se o vento miar, ou virar, paramos em algum porto pelo caminho, para esperar.Em Salvador -2009
O que deu tempo para ser feito no barco, foi feito; o que não deu, ficou para a lista de coisas a fazer.
Ainda esta semana, temos (o Dorival) que mergulhar para limpar o hélice; a limpeza do fundo fica para a parada em Ilha Grande. Haja coragem! Está frio, e o hélice deve estar em formato de lua gorda, de tanta craca ao redor.
Eu fiquei de cuidar dos medicamentos, do estoque de alimentos, da bolsa de abandono, das burocracias, e de avisar vosmecês.
Dessa vez, vamos levar um “spot”, um tipo de rastreador pessoal. Ainda não vimos as possibilidades de serviços, porque o Mais Salvador aparelho ainda não chegou, mas, se der, colocaremos aqui nossos passos.
Como disse um navegante que conhecemos, o barco é uma porta aberta, quando todas as outras se fecham pela tirania. Qualquer tirania. Então, melhor sair enjoando por aí!
Com a sua licença, eu vou voltar às fainas de bordo, para não me atrasar.

Catarina

Nesse último feriado, trabalhamos como voluntários da Marina Porto Bracuhy, para ajudar na organização do encontro da ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro. Fizemos de tudo um pouco: ajudar na atracação, limpar mesas, cuidar dos expositores, e arrumar o salão para o jantar.
Foi uma oportunidade de conversar com pessoas que não víamos há muito tempo, e com outras que não conhecíamos.
O encontro consiste de palestras, oficinas para crianças, exposição de fornecedores náuticos, de venda de livros e artesanatos, etc…
Não participamos das edições anteriores desse encontro, mas essa nos pareceu muito dez: bem organizada, com vagas para todos os barcos, “fingers” para os que tinham crianças ou pessoas com dificuldades de locomoção a bordo, ambiente cordato, sem brigas, com muita troca de idéias entre as pessoas. Se havia menos gente que as edições anteriores, por conta da crise, do frio, do mar grosso, ou sei lá do que mais, fato é que, as pessoas que ali estavam, é porque o queriam, e pareciam satisfeitas.
Achei muito legal a presença da Marinha, que ministrou palestras, deu oficina de nós e propiciou a prova para arraes e mestre amadores, aberta a todos. A organização providenciou médico para emitir os atestados, e os documentos de identificação eram autenticados na hora, por um oficial da Marinha, sem a necessidade de passar por tabelião (ufa!). Eu aproveitei e fiz a prova para mestre amador, e fui aprovada. Só não recebi a carteirinha no dia porque existe uma duplicidade do meu nome no sistema da Marinha.
A coisa que fez o maior sucesso no encontro: a mesa de doces após os jantares. Era uma correria de pessoas com pratinho na mão, assim que ela começava a ser posta. Não dava tempo de colocarem os talhares de fatiar, e começavam a pegar os doces como dava, com olhos arregalados e um sorriso no rosto. Não, não eram crianças, nem estavam com fome, pois o jantar acabara de ser servido, com fartura. Eram sim, formigas!!! Sinal de que tudo estava com cara de apetitoso, e que velejador não cresce nunca.
Então, crianças, estão de parabéns a Aglaia e o Hugo, da Marina Porto Bracuhy, e a Christina, do Veleiro Aquarela, pelo cuidado na organização, além de todos os demais voluntários.

Voluntários

Catarina

No meu modo de ver, a pessoa fica paranóica com uma idéia ou acontecimento quando o pensamento sobre o assunto fica passeando em círculo, ou, como dizem os programadores de software, entra em “loop”. Assim, as mesmas idéias, e imagens, passam diversas vezes em sua cabeça, sem nada se concluir sobre o assunto, que nunca fica resolvido. Resta uma perturbação, uma paranóia.
Tenho admirado as tainhas que passam pelos cais da marina, gordinhas, em bom número, ótimas para ir para a panela, e comentei isso numa roda de conhecidos, foi quando um deles alertou que elas são comedoras de dejetos humanos, e que teria muitas delas na Baia de Guanabara, fazendo o serviço. Outro ainda lembrou que é comum que peixes comam “isso”.
Como eu não sou paranóica, fiquei refletindo longamente sobre o assunto, isso porque, passei da vontade de comer ao asco, ao mesmo tempo em que me arrependia e voltava a redimir as tainhas, tão disponíveis, comidas há tanto tempo pelos locais, sei lá…
Mas, se a alimentação das tainhas inclui tais abusos, o que dizer da dos camarões, ostras e outros moluscos, e até a dos tubarões, que aprenderam a gostar de esgoto. Eca!!! Então, vou deixar de comer qualquer coisa dessas?
Será que os coliformes fecais não são, eles próprios, excretados pelos comedores de dejetos?
Sei que, se o mundo não estivesse tão abarrotado de gente e de seus dejetos, seria muito mais controlado comer qualquer coisa, até as saudáveis verduras e os legumes, sem medo dos agrotóxicos embutidos.
Essa dos animais eliminarem dejetos, e suas perturbações intestinais, pode ter sido a causa da extinção dos dinossauros, pois, como dizem, eles próprios não aguentaram seus gases poluentes. Coisas de “merda” (desculpe a palavra).
Então, como é que fica? Ainda não sei… Mas não dá para viver como faquir, nem deixar de comer peixe.
Mudando de paranóia, a melhor cor para o meu texto é: não sei. Todas são bonitas, em cada momento do dia, ou do mês, então, enquanto não decido, fica o azul, que entrará em “loop”.
Notícias nossas: baita “rebojo” aqui na Marina Bracuhy, nunca vimos assim antes, que normalmente é tão calmo. Calma viajantes, não chega nem perto do rebojo no TENAB em Salvador. O Cabo Frio, então, está “punk”, com mar de 5 metros.
Boa notícia: vou visitar mainha e painho, uma vez mais, antes de subir a Costa. Eles têm nome, claro: D. Ady, e Dr. Paulo. “Ady” é nome indígena, de um tipo de palmeira. Muito embora a família fosse de italianos, minha avó resolveu ser do contra, não aplicar nenhum nome típico italiano, e colocou Moacir, Guaraciaba, Jurandir, etc…, todos indígenas. Não foi paranóia: ela pensou, decidiu, e pronto! Querida avó Thereza, eu chego lá….
Até lá, vou pegar um pouco de colo.

Catarina