qua 23 mar 2011
St. Maarten
Escrito por: Catarina
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Se você for visitar um barco de bandeira alemã, aceite qualquer bebida que lhe seja oferecida a menos da cerveja, porque ela é servida quente. Exagerei, ela vem morna, num quase sacrilégio para o gosto do brasileiro.
A regra se confirmou na visita a um veleiro germânico de 125 pés ancorado na Simpson Bay. O barco opera charter para europeus. Apesar do luxo da embarcação, o charter não é dos mais caros, sai por US$2,500,00 por semana, com todas as refeições incluídas.
Nem tudo é luxo, nem glamour. O veleiro em questão, de apenas 4 anos, tem um problema de respiro dos holding tanks (o de dejetos humanos) que fica na proa, e a consequência é o cheiro exalado para a popa, trazido pelo vento. Soubemos que seu mastro tem diâmetro inferior ao recomendado, por medida de economia no final da obra, e que, por conta disso, já rachou uma vez. Por ter pego uma pedra certa feita, a água que entrou pela bolina danificou os sistemas de um dos lados da embarcação, inclusive, um segundo dessalinizador, essencial num barco em que os passageiros tomam banhos de 15 minutos, ou mais. Por conta dessas e de outras, a tripulação atual não quer cruzar o oceano com ele, incluindo o seu capitão.
Em St. Maarten se vêem superbarcos o tempo todo, chegando e saindo, veleiros ou não. Por conta disso, o ambiente é mais frio, com os donos
das embarcações de um lado e seus seguranças e skippers de outro. Um destes atracou bem do nosso lado, amarrado a uma carcaça de chata afundada. Difícil contar quantas portas e janelas ele tem, são muitas. Nos disseram que por dentro, no último andar, há uma jacuzzi transparente de onde se enxerga o andar de baixo. No meio náutico há vários mundos, aqui está a prova.
O nosso barco é “nada” perto destes outros, mas nos sentimos seguros nele. Tudo está dimensionado para o seu tamanho, sabemos o que ele tem e o que não tem. Por certo, ele não é uma noiva vestida.
Ainda estamos de castigo. Queremos que os equipamentos instalados conversem uns com os outros, apesar de serem de fabricantes diferentes, e que as informações de fora se repitam dentro do barco, daí o trampo todo. Falta fazer também a revisão do convés.
De vez em quando tiramos o dia para relaxar, nadar um pouco e jogar conversa fora.
A água daqui é transparente, e em dias tranquilos é possível ver o fundo. Quando abrem a “porteira” (ponte) para passagem dos barcos que entram no lagoon, a água fica muito mexida e turva.
A natureza da ilha em terra deixa um pouco a desejar para os nossos olhos, acostumados à Mata Atlântica brasileira, ou mesmo, ao que resta dela. As árvores, se plantadas fossem, não teriam como passar incólumes aos fortes ventos dos furacões, assim como os barcos, muitos largados no laggon por seus donos após estes eventos, afundados na lama com os estais e mastros quebrados.
Os supermercados de St. Maarten são um sonho de consumo de produtos industrializados vindos da Europa e Estados Unidos, de molhos a bolachas e chocolates. Não são baratos, mas não tem preço exagerado. Tem muita comida pronta para microondas, o que está me fazendo ter idéias a respeito. Exagerado é o ar-condicionado dentro do ambiente, em algumas seções é impossível permanecer sem paletó.
Para uma viagem estimada de até 20 dias no mar, o que se leva? O que não é fresco, não tem problema levar a mais: arroz, macarrão, farinha de trigo para pão, fermento, frutas secas. O problema são os perecíveis. O nosso espaço de congelador não dá para mais de 5 porções de carne congelada. Existe um freezer que se vende por aqui, de 40 litros, que poderia ser uma alternativa, mas o que fazer com um trambolho desses a mais depois da viagem? São essas as questões a ponderar… ![]()
Neste final de semana chegou mais um barco brasileiro, o Fat Boy, seguindo viagem para a Flórida com o mascote da turma, o fofo do Gabriel, de apenas 4 anos de idade. Da flotilha que saiu de Fortaleza estão certos cruzarem o Atlântico nós, do Luthier, o Travessura, e talvez o Temujin, que deve chegar logo. O Guga-Buy vai para Cuba e volta para Trinidad. O Bogomil, dos alemães, já está voltando para Trinidad, passando por algumas ilhas no caminho. O Bulimundo segue para os EUA.
Aqui no Luthier vamos em 5: eu, o Dorival, o piloto automático, o radar e o AIS. Acho que dá para dormir sossegados assim.
E se nós não vamos até o peixe, ele vem até nós. Um deles amanheceu no nosso bote, provavelmente atraído pela luz que deixamos acesa à noite. Quem sabe não seja essa a melhor forma de “pescar” na nossa travessia?
Catarina