dom 24 abr 2011
PEIXINHOS E NOVIDADES
Escrito por: Catarina
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Não podemos reclamar da vida: temos nadado todos os dias no meio de cardumes de arenques e pequenas arraias, um verdadeiro luxo. Os peixes gostam de ficar por baixo do barco para se protegerem do trinca-réis, uns pássaros brancos barulhentos que se jogam na água atrás deles.
A água do mar voltou a ficar transparente e, por conta do “zero” vento desses dias, a visibilidade está incrível, coisa boa desta parte do Caribe. A explicação para essa transparência é a falta de rios na Ilha de St. Maarten, pois são eles que trazem a matéria orgânica que prejudica a visibilidade da água, caso de grande parte do litoral brasileiro.
Nem só de peixes pequenos vive o mar, há os predadores com dentes caninos poderosos, prontos para uma mordida, caso da barracuda, que também resolveu passear por baixo do nosso barco. Quando ela chega os peixinhos somem, e nós também. Dias desses, eu estava na água e ela começou a me encarar e se aproximar, super ousada. Sai da água porque a mordida desse bicho pode arrancar pedaço. Para comer ele não serve, porque aqui ele pode trazer a ciguatera, intoxicação causada por peixes que se alimentam de outros que vivem nos corais.
O mergulho independente com garrafa foi proibido no Caribe, só pode ser feito com operadoras autorizadas. Dá para se divertir sozinho com snorkel, na falta de tempo ou dinheiro para o mergulho com operadoras.
Seguimos nos preparando para a viagem, aguardando o tempo bom. Faltam bem poucos itens. Outro dia foi a vez de separar as roupas de frio para tomar um ar, guardadas que estavam há tanto tempo. Elas certamente serão usadas na viagem.
Nas arrumações do barco sempre aparecem aquelas coisas que eram dadas por perdidas; em barco, elas têm o incrível poder de sumir, apesar do espaço limitado. O porquê disso é um mistério a ser desvendado. Fato é que, quando você está procurando um objeto perdido, encontra um outro que já tinha sido desenganado.
Estou dando um basta na bagunça dos lugares possíveis onde as tralhas estão escondidas. Comecei a fazer uma lista séria de onde estão guardados os principais itens, incluindo os de segurança.
Os mistérios nos acompanham. Sempre ouvi dizer que após a tempestade vem a calmaria. E não é que agora tenho escutado o contrário… Dizem que, na travessia, após uma calmaria sempre vem uma tempestade. Qual será o correto?
A estrela polar está sob nossas cabeças, na ponta de uma constelação em forma de concha. Se tudo falhar numa travessia, ela estará no céu para sabermos nossa posição, depois de alguns cálculos, é verdade. Trabalho para o capitão, que hoje em dia pode se valer de uma calculadora, além do sextante.
Os cruzeiristas começam a se agrupar para a travessia, esta é a vez dos barcos pequenos. Foi chamada uma reunião dos cruzeiristas no Lagoon, para tratar desse assunto no dia 28 de abril próximo, anunciada na net do canal 14. Estaremos lá. Sempre se aprende alguma coisa nesses encontros.
Quem já chegou por aqui para a travessia foi o veleiro Salun, de bandeira holandesa, do pessoal que conhecemos em Grenada. Vieram logo cobrar o café brasileiro que eu tinha prometido fazer um dia. Tomaram e quiseram repetir, e eu aposto que passaram a noite em claro, por conta
disso. Quando perguntaram se eu tinha algum café brasileiro sobrando, respondi um “so sorry”, deste ouro eu tenho a conta certa para a viagem, não dá para fazer caridade.
Os brasileiros também estão em peso em St. Marteen. Nesse final de semana, nos reunimos pela feijoada preparada com capricho pelo Lúcio, do Temujim, com colaboração do Zanella, do Guga Buy. A caipirinha foi preparada pela Aurora, uma argentina que já tem no Brasil a sua segunda pátria, inclusive, prometeu colocar nossa bandeira no brandal para a chegada em Portugal.
Teve até bolo para o aniversariante do dia, o John, do Bulimundo, que comemorou ao lado do Lúcio e o Rafael, outros taurinos do pedaço.
No meio da tarde da feijoada, nos despedimos a tempo de dar um mergulho com peixinhos, porque o calor estava demais, e não abrimos mão desse luxo.
Há uma novidade tecnológica: agora contaremos com a possibilidade de, além do e-mail por SSB, enviar nossa posição via SSB para ser visualizada no google maps. Coisa de radioamadores viabilizada pelo site www.winlink.org. Veja aí no quadro ao lado, clicando na palavra WINLINK, onde estamos agora. Aparecemos como “PY2LIN” prefixo de chamada do Dorival. Muitos radioamadores velejadores transmitem suas posições, dê uma olhada em http://www.winlink.org/userPositions.
Clicando no balão que aparece no mapa, você poderá ver detalhes e um outro link que mostra a navegação feita. É muito interessante, vale a pena conferir.
Catarina