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Archive for abril, 2011

Não podemos reclamar da vida: temos nadado todos os dias no meio de cardumes de arenques e pequenas arraias, um verdadeiro luxo. Os peixes gostam de ficar por baixo do barco para se protegerem do trinca-réis, uns pássaros brancos barulhentos que se jogam na água atrás deles.
A água do mar voltou a ficar transparente e, por conta do “zero” vento desses dias, a visibilidade está incrível, coisa boa desta parte do Caribe. A explicação para essa transparência é a falta de rios na Ilha de St. Maarten, pois são eles que trazem a matéria orgânica que prejudica a visibilidade da água, caso de grande parte do litoral brasileiro.
Brasileiros em St. Maarten
Nem só de peixes pequenos vive o mar, há os predadores com dentes caninos poderosos, prontos para uma mordida, caso da barracuda, que também resolveu passear por baixo do nosso barco. Quando ela chega os peixinhos somem, e nós também. Dias desses, eu estava na água e ela começou a me encarar e se aproximar, super ousada. Sai da água porque a mordida desse bicho pode arrancar pedaço. Para comer ele não serve, porque aqui ele pode trazer a ciguatera, intoxicação causada por peixes que se alimentam de outros que vivem nos corais.
O mergulho independente com garrafa foi proibido no Caribe, só pode ser feito com operadoras autorizadas. Dá para se divertir sozinho com snorkel, na falta de tempo ou dinheiro para o mergulho com operadoras.
Seguimos nos preparando para a viagem, aguardando o tempo bom. Faltam bem poucos itens. Outro dia foi a vez de separar as roupas de frio para tomar um ar, guardadas que estavam há tanto tempo. Elas certamente serão usadas na viagem.
Nas arrumações do barco sempre aparecem aquelas coisas que eram dadas por perdidas; em barco, elas têm o incrível poder de sumir, apesar do espaço limitado. O porquê disso é um mistério a ser desvendado. Fato é que, quando você está procurando um objeto perdido, encontra um outro que já tinha sido desenganado.
Cachaça Santa Rosa
Estou dando um basta na bagunça dos lugares possíveis onde as tralhas estão escondidas. Comecei a fazer uma lista séria de onde estão guardados os principais itens, incluindo os de segurança.
Os mistérios nos acompanham. Sempre ouvi dizer que após a tempestade vem a calmaria. E não é que agora tenho escutado o contrário… Dizem que, na travessia, após uma calmaria sempre vem uma tempestade. Qual será o correto?
A estrela polar está sob nossas cabeças, na ponta de uma constelação em forma de concha. Se tudo falhar numa travessia, ela estará no céu para sabermos nossa posição, depois de alguns cálculos, é verdade. Trabalho para o capitão, que hoje em dia pode se valer de uma calculadora, além do sextante.
Os cruzeiristas começam a se agrupar para a travessia, esta é a vez dos barcos pequenos. Foi chamada uma reunião dos cruzeiristas no Lagoon, para tratar desse assunto no dia 28 de abril próximo, anunciada na net do canal 14. Estaremos lá. Sempre se aprende alguma coisa nesses encontros.
Quem já chegou por aqui para a travessia foi o veleiro Salun, de bandeira holandesa, do pessoal que conhecemos em Grenada. Vieram logo cobrar o café brasileiro que eu tinha prometido fazer um dia. Tomaram e quiseram repetir, e eu aposto que passaram a noite em claro, por conta
Aurora (Shipping)disso. Quando perguntaram se eu tinha algum café brasileiro sobrando, respondi um “so sorry”, deste ouro eu tenho a conta certa para a viagem, não dá para fazer caridade.
Os brasileiros também estão em peso em St. Marteen. Nesse final de semana, nos reunimos pela feijoada preparada com capricho pelo Lúcio, do Temujim, com colaboração do Zanella, do Guga Buy. A caipirinha foi preparada pela Aurora, uma argentina que já tem no Brasil a sua segunda pátria, inclusive, prometeu colocar nossa bandeira no brandal para a chegada em Portugal.
Teve até bolo para o aniversariante do dia, o John, do Bulimundo, que comemorou ao lado do Lúcio e o Rafael, outros taurinos do pedaço.
No meio da tarde da feijoada, nos despedimos a tempo de dar um mergulho com peixinhos, porque o calor estava demais, e não abrimos mão desse luxo.
Lúcio e Natália (Temujim)
Há uma novidade tecnológica: agora contaremos com a possibilidade de, além do e-mail por SSB, enviar nossa posição via SSB para ser visualizada no google maps. Coisa de radioamadores viabilizada pelo site
www.winlink.org. Veja aí no quadro ao lado, clicando na palavra WINLINK, onde estamos agora. Aparecemos como “PY2LIN” prefixo de chamada do Dorival. Muitos radioamadores velejadores transmitem suas posições, dê uma olhada em http://www.winlink.org/userPositions.
Clicando no balão que aparece no mapa, você poderá ver detalhes e um outro link que mostra a navegação feita. É muito interessante, vale a pena conferir.

Catarina

FELIZ PÁSCOA, pessoal!

Hoje é um dia para cultivar o significado dela para nós, que é a VIDA.

Um MAR de VIDA, para todos nós. Um ovo de páscoa também vai bem.

Abraços,

Dorival e Catarina

Vento em 24 horasOs primeiros sinais de que o tempo está mudando vieram esta semana.  Os ventos médios de 20 nós que observamos no Caribe desde que aqui chegamos, deram lugar a nada de vento, ou ventos de, no máximo, 10 nós. Começou a fazer calor, cerca de 30 – 31 graus, e a chover pesado. A água do mar, normalmente transparente, anda um caldo verde clorofila, algum fenômeno relacionado ao calor e às algas marinhas.
Na semana anterior a essa, pela primeira vez no Caribe pegamos vento sueste, que durou alguns dias.
No hemisfério norte tudo fica ao contrário do que estamos acostumados. Se na costa brasileira o vento forte é o sul/sueste, relacionado às frentes frias, aqui o vento forte e gelado é o nordeste. E é esse nordeste que está começando a dar sinais de cansaço.
Mar verde Mesmo assim, o Caribe é único para ventão, então, no meio da semana tivemos, num final de tarde, chuva e ventos com rajadas de até 35 nós. Como sempre, foi um festival de garrar para todo lado, inclusive do nosso lado. Nós não garramos.
No dia seguinte, na net do canal 14, foi uma reclamação geral de que alguns barcos garraram dentro do lagoon e a guarda costeira não fez nada, ficou só olhando. Que foi preciso a colaboração dos cruzeiristas para que alguns barcos não fossem bater em pedras. Que aqui, as autoridades cobram uma pesada taxa para que fiquemos fundeados sem dar nada em troca; que o único ding-doc que disponibilizam está em frangalhos, e que o restante é mantido pelas marinas, as mesmas que mantém, inclusive, as sinalizações dos canais.
Fato é que as reclamações não devem mudar a postura das autoridades, então, o melhor é, quando ancorado, ficar de vigília, observar os horários de ventos mais fortes e ficar por perto para retornar ao barco a qualquer tempo. Além disso, como outros alertaram, dar bastante corrente e, se garrar, suspender a âncora e limpar a lama antes de fundear novamente.
Começamos a fazer as provisões para a viagem. Nunca achei que fosse gostar tanto de ler embalagens de produtos em francês nos supermercados. É que o holandês é impossível de se ler, qualquer língua latina fica mais fácil. Quem me acompanha nas longas horas de compras é o Dorival, que às vezes fica olhando para o nada, parecendo meio tristonho, e se eu peço a opinião dele, ele logo responde: pegue esse mesmo, que está bom. Não sei porque, acho que supermercado não é a praia dele.Carta Atlântico Norte
Nem microondas, nem freezer: enlatados e outros industrializados. Descartamos o freezer porque ele é um perdulário, gasta energia de montão. Contento-me com minha geladeira com um pequeno congelador.
As comidas não refrigeradas para microondas vêm em pequena quantidade, e as de freezer para microondas eu não tenho como conservar, então, xô microondas!
É melhor o alimento com conservante que aquele com botulismo ou ameba, ou alimento nenhum, então, minha opção é pelos enlatados, caixas tetra-pack e assemelhados. Os campeões para uso fácil: cassoulet, tem umas marcas francesas muito boas; purê de batatas em pó; macarrão tipo noodles; sucos concentrados e frutas e legumes em lata. Aos que me sugeriram, vou levar proteínas e vitaminas à parte.
Ficamos pensando no que fazer no mar em tantos dias de viagem. Sabemos que, em pelo menos 3 dias de tempo ruim que devemos pegar, não vamos conseguir fazer nada, só tomar conta do barco. Também vai ser difícil fazer alguma coisa nos primeiros 3 dias de viagem, estaremos de vigília, fazendo turnos por conta do intenso tráfico de navios e barcos de pesca da região.
Nos dias de tempo bom poderemos dormir mais sossegados, pegar as cartas sinóticas pelo SSB, jogar alguma coisa (paciência ou xadrez), ouvir música e rádio, tomar banho e falar no rádio. Como tudo é mais demorado e complicado para fazer por conta do balanço, o dia termina rápido.
Fica sempre uma pergunta: o que faz o homem atravessar o oceano nos dias de hoje, sem ser pela necessidade de transporte de mercadorias, pesquisa, ou por guerra? Resposta: quem sabe?
Lambada Mais uma festa de brasileiros na Marina Lagoon, desta vez para comemorar o aniversário de uma década do Rafael, do Flyer. Teve churrasquinho feito no capricho pelo Caio e vinagrete autêntico (o sem vinagre) feito pela Miriam, o primeiro a acabar, de tão bom. Bom também o papo dos outros presentes, incluindo o pessoal do Veleiro Mema, o Enoque, do Catamarã Luar, o Manoel, que logo vai ter o seu barco, os do Irun, com sua nova tripulação, a Aurora do Shipping, e a Natália e as crianças, do Veleiro Temujin, mais um barco a cruzar o Atlântico este ano. Todo mundo precisa relaxar das neuras de esquecer algum detalhe para a viagem, e trocar paranóias é a melhor coisa para isso.
Ainda estamos no mesmo lugarzinho da ilha, ao lado de catamarãs de turismo, como o “Lambada”, que aqui eles pronunciam “lambaRA”. Só no nome tem lambada, falta muita ginga e descontração para os gringos.
Aqui seguimos esperando uma previsão de sueste para sair. Dias desses, vamos publicar um “DE SAÍDA”.

Catarina

Os brasileiros em St. Maarten se reuniram no último final de semana para uma moqueca de peixe preparada pelo “chef” Enoque, do Veleiro Luar, acompanhada de farinha de mandioca e ao som de Zeca Pagodinho. Estavam presentes nós, do Luthier, o Travessura, e asFesta de Brasileiros tripulações dos veleiros Mema e Brazilian Nuts, que trabalham por aqui, além dos recém chegados Irun e Flyer. Nem parecia que estávamos em outro país; falando a mesma língua, a distância de casa ficou bem menor.
A conversa girou em torno do destino dos barcos e de suas tripulações, porque a temporada dos furacões está logo aí, e sobre a vida em St. Marteen, contadas por aqueles que aqui trabalham, aproveitando as oportunidades geradas pelo turismo náutico. Nada de falar sobre os trabalhos nos respectivos barcos, todos somos filhos de Deus e o dia era para relaxar.
Os veleiros que confirmaram a ida para os Açores, até agora, são: o Luthier, o Travessura e o Irun. Os demais devem procurar abrigo em Trinidad ou Venezuela.
A Ilha de St. Maarten está sob intervenção da Holanda, e a causa seria o mau uso do dinheiro para cá enviado, sinônimo de corrupção. Não seria a primeira vez que isso acontece. Terra de muitos povos, ela não tem uma identidade cultural, nem tradição que una as pessoas. Do lado holandês se fala predominantemente o inglês, mas também o próprio holandês, e Luthiers uma variação do creole. 
Terra de piratas e seu produto principal: a pirataria, hoje vinda da China. Por esses dias, a polícia apreendeu 600 relógios falsificados. Para comprar eletrônicos com a vantagem daqui, de não se pagar impostos, a atenção deve ser redobrada, pois muitos produtos são “refurbished”, ou seja, apresentaram algum problema de fabricação, e foram reembalados em caixas brancas, não nas originais de fábrica, ou, simplesmente, são falsos. Há lojas sérias, com preços não muito diferentes das trambiqueiras, e o melhor indicativo disso são os produtos em suas caixas originais nas prateleiras.
Os produtos náuticos vendidos pelas duas maiores lojas do ramo não têm o problema de pirataria. Por outro lado, não é difícil perceber que as lojas náuticas praticam os mesmíssimos preços, ou seja, não há concorrência, ou, mais apropriadamente, elas praticam o “cartel”.
O comércio não tem aceitado as notas de 100 dólares, por conta de problemas de falsificação. No troco para notas de dólares não é incomum darem moedas de florim, que valem bem menos; são parecidas e na hora você não percebe o trambique.
Aqui em St. Maarten também funciona uma rede de informações e venda de coisas usadas no VHF, no canal 14, às 7:30 hs da manhã. Os primeiros informes são relativos à segurança, e há muitos casos relatados de roubos de dingues.
A Ilha não é insegura para os cruzeiristas, mas não se pode deixar de lado medidas de segurança, e ficar de olho nos golpes dos caolhos.
Dias desses, entrou na net do VHF uma senhora que chegou dos EUA, pedindo informação sobre lugares para depositar o lixo reciclado na ilha. Resposta: em St. Maarten não há. Não é só aqui, em nenhum país do Caribe eu vi reciclagem de lixo. Também no Brasil ela é precária, a bem da verdade.
O problema do lixo é mundial, porque o ser humano é um poluidor, já nasce gerando lixo: as seringas, agulhas e luvas plásticas utilizadas no parto. Segue poluindo durante a sua vida toda. Talvez o mundo tenha que controlar o número destes poluidores para um tanto que o planeta suporte.
O povo é dividido entre nobreza e plebe. Não me refiro ao antigo império Barco de nobresromano, mas ao meio náutico atual. Os que detêm título de nobreza usam a bandeira picotada em “v” na ponta, e não aquela em formato retangular, foi o que nos explicaram. Coisas de países nórdicos, um pouco fora de moda, afinal, o vento é o mesmo para todos, mais ou menos nobres, e o mar, maior que tudo isso. Como dizia meu antigo mestre de Karatê, ao fim, todos nós terminaremos da mesma forma: um chuchu.
Seguimos nos preparando para a travessia. Priorizamos a segurança, e vamos levar um EPIRB, porque não estamos certos quanto à cobertura do SPOT no Atlântico Norte.
Uns amigos nossos de um veleiro suíço nos mandaram notícia: chegaram em Galápagos após uma péssima viagem de 30 dias, desde o Panamá. O grande problema da viagem foi a falta de vento. É o que também tememos para a nossa travessia, muito mais que excesso de vento e mar.
Vamos atrás dos ventos nas altas latitudes. Até lá, vamos ficando “experts” em caolhos (piratas).

Catarina

A ancoragem no Caribe é um estágio para balançar no mar. Em geral, as baías daqui são pouco abrigadas de vento e mar. Em Simpson Bay não é diferente: nesses últimos dias, a direção do vento e das ondas têm feito o barco rolar bastante, estamos vivendo num liquidificador em uso. A única vantagem desse balanço todo é que o cérebro acaba achando normal o movimento, preparando os viajantes para o mar. Mesmo com tanta vantagem, mudamos para um lugar menos mexido da baía, de frente para os resorts.Sympson Bay
Estamos saindo do castigo, terminando as maiores instalações do barco, mas em barco todo dia é dia de quebrar alguma coisa. A última foi o registro de um tanque de água, que trincou. O barco trabalha, as coisas trepidam e…quebram, principalmente as peças plásticas. Além disso, existe um velho ditado popular que reza: “as peças náuticas são caras, difíceis de obter e de qualidade duvidosa”.
O vazamento causado pela trinca era pequeno, mas suficiente para nos manter no castigo. Relaxamos depois de tudo consertado, fazendo snorkeling num naufrágio da baía na companhia do pessoal do catamarã Fat Boy, do Nuno, da Patrícia e do Gabriel.
O Nuno, que trouxe o barco da África do Sul para cá, fez uma observação importante sobre a comida a bordo nas travessias (minha neura!!): a de que temos que levar também aquelas que não dependam de fogão, pois podemos ficar sem ele, por um motivo qualquer. A Patrícia deu dicas de marcas locais de enlatados e outros industrializados, além de receitas maravilhosas que ela preparou para nós em um jantar, como a das batatas assadas com casca, ao gosto caribenho, e da salada com azeitonas pretas e queijo grego. O casal recebe bem, com requinte e simpatia.Fat Boy
Aos poucos, vou me entendendo com as marcas e produtos daqui. Não posso reclamar, tenho encontrado frutas e até verduras, como a chicória, que eu adoro. A carne é um fiasco, não tem gosto de nada ou, eu não fui apresentada à boa carne daqui, ainda.
O que irrita em St. Maarten são os seguranças de lojas e supermercados. “Posso lhe ajudar?”, é o que lhe perguntam, o tempo todo. Quando você responde que sim, que quer ajuda, eles não sabem o que dizer, e vão chamar outra pessoa, ou seja, estão só vigiando. É comum ver um homem seguindo seus passos no supermercado, da prateleira de bolachas até o setor de frios. Tudo bem, nós andamos de mochilas e isso pode impressionar mal, podem achar que vamos colocar alguma coisa dentro; deveriam, então, fazer um guarda-bolsas na entrada, como em Grenada, ficaria tudo melhor. Nossa cara , essa não tem como de mudar, mas eles já estão se acostumando.
Estamos em fim de temporada. Alguns barcos de charter encerraram as atividades e as lojas náuticas pararam de renovar os estoques. Há barcos grandes que já saíram para a Europa, e o vento oeste começa a soprar nas latitudes mais altas. Para nós, ainda não dá.Frutas e Verduras
St. Maarten continua sendo o destino preferido dos grandes iates. Além de contar com docas para barcos grandes, possui um aeroporto com vôos diretos de vários países, incluindo o Brasil. É aqui que se encontram os skippers do mundo todo.
Como o mundo é pequeno, num desses “happy-hour” conhecemos um cara que foi engenheiro de bordo do navio veleiro Concórdia, que afundou na costa brasileira o ano passado. As causas do naufrágio estão sendo investigadas, mas é certo e sabido que as vigias abertas no momento em que o barco atravessou tornaram irreversível o processo que levou a embarcação a pique.
Tenho uma fábula náutica para contar. Ouvi esses dias por aqui.
Num país do extremo norte da África, vivia tranquilamente um próspero comerciante em seu belo palacete erigido sob as pedras, de frente para o mar. Suas lanchas rápidas encontravam abrigo no subsolo da construção, trazendo o fruto do seu meio de vida, o comércio do haxixe, com porta de entrada na Europa pela Espanha. Certo dia, o traficante resolveu testar o seu novo jet-sky na baía em que vivia. Envolveu-se numa disputa informal com um outro senhor, e ganhou deste. Coisas do destino: o perdedor da disputa era o rei daquela nação, que quis saber quem era seu oponente. Quando soube, não teve dó, mandou-o para a cadeia e confiscou-lhe os bens. Hoje, o palacete está sendo cotado para servir de museu e centro de estudos da vida marinha. Moral da estória:

a) os jet-skys deveriam vir com dispositivo AIS para identificação de seus usuários por terceiros;

b) ser o “vice” na disputa não é tão ruim assim;

c) às vezes, “ganhar é perder”, ou, “perder é ganhar”;

d) seja como for, é melhor um traficante a menos;

e) nenhuma das anteriores.

São múltiplas as escolhas. É com você…

Catarina