Uma vez a caminho de algum destino, passamos a ser comandados pelo mar e pelo vento. Se este sopra forte, vamos mais rápido, a menos que sopre muuuito forte. Se não tem vento, paramos. Se ele muda de direção, somos obrigados a estabelecer um novo rumo. Se a mudança de direção é muito grande, podemos mudar o nosso destino. Partimos com destino ao ponto B e podemos chegar no ponto C. Isto tudo é aceitável porque "esperamos" por isso. Faz parte do "jogo", do divertimento. Ajustar as velas a intensidade e direção do vento, mudar de rumo para tornar a velejada mais confortável. Se não podemos ir direto na direção desejada, vamos em ângulos, navegando 3 milhas para ganhar só duas ou, então, decidimos mudar o nosso objetivo. Velejar desse jeito é muito divertido, relaxante, cheio de surpresas e nunca decepcionante.
Segue o relato do dia:
20 de maio de 2011
17:00 UTC
Posição: 32º 27′.03N
42º 27′.60W
Navegação:
Rumo = 82º
Velocidade = 5,0 nós
Distância em 24h = 145 milhas
Distância p/destino = 767 milhas – Mudamos o destino objetivo de Flores para Horta
Meteorologia:
Vento = 8 nós de SE
Ondas = 1,5 mt de ENE 10 s
Temp. do ar = 23,2ºC (10:00 local)
Temp da água = 21,1ºC
Pressão Barométrica = 1025 hPa
Céu parcialmente nublado, chuvas esparsas
Vento e ondas conforme previsto
Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento E > ESE 6 a 9 nós, ondas NE 1,1 metros
Estratégia: Mudamos nossa referência de Flores para Horta, nosso novo destino. Estamos tentando ganhar E o máximo possível para poder orçar para Horta; se não der, vamos para Flores
Comentários: Este é o nosso 13º dia de viagem. Tem sido a viagem da orça, continuamos nela, que ontem nos proporcionou nossa maior milhagem por dia, desde a nossa saída: 145 Mn.
O vento não tem permanecido estável, exige ajuste de velas e rumo, o tempo todo. Agora à tarde ele caiu um pouco, e a nossa velocidade foi para 4,5 nós. Ainda precisamos nos arrastar um pouco mais antes de tomar a decisão de motorar. Então, hoje é o dia da paciência, e da persistência. Parece que amanhã, também será.
Ontem à noite restabelecemos o contato com o Luar, que deve chegar em Flores na segunda-feira à tarde, motorando para ajudar quando preciso. À noite a propagação é sempre melhor, pudemos até escutar notícias da Hora do Brasil, em AM. O nosso contato com o mundo tem sido, basicamente, por e-mails via rádio SSB.
Durante esta noite, o AIS detectou um veleiro no mesmo rumo que o nosso, a 10 milhas, de nome Zen. Tentamos contato, mas ele não respondeu ao nosso chamado por VHF. Ele ora ligava, ora desligava o AIS. Imaginamos que tenha feito isso para poupar energia, o que tem sido um problema recorrente dos viajantes. O piloto automático, por si só, já consome bastante energia; se somado às luzes de navegação, e ao tempo nublado, exige medidas de reposição. O veleiro Echo optava por desligar a luz de tope à noite, nessas situações de pouca geração, e nos avisava. Ficávamos um pouco apreensivos, pois estávamos no mesmo rumo, a poucas milhas um do outro. Assim, você passa a navegar por si, e pelos outros. Pior são aqueles que apagam tudo, luzes e rádio VHF, e ainda vão dormir. Acreditem, sabemos de gente deste tipo, são os famosos perigos à navegação, que nos deixam de cabelo em pé, e alertas à noite.
Não vemos a hora de ter uma noite inteira de sono. Ela deve acontecer em Faial ou Flores, quem sabe?
Catarina