julho « 2011 « Bem-vindo a bordo!

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Podemos dizer que o tremoço, aquela leguminosa amarela com uma casca transparente, está para Portugal assim como o amendoim para o Brasil, acompanhando a cerveja ou chopp gelados. O nosso amigo Rui Silva comprou neste final de semana um saco de tremoços numa barraca de rua em Óbidos. Foi comendo os tremoços enquanto seguia em direçãoVila de Óbidos ao restaurante em que fomos tomar um caldo verde com um imperial (chopp); lá continuou comendo e saiu dali ainda comendo pelas ruas, até que não sobrasse nenhum. Nós o ajudamos a acabar com tudo, porque o tremoço é muito bom.
Fomos a Óbidos para uma festa ao estilo medieval, dentro das muralhas do castelo em que está a vila. Pessoas vestidas a caráter simulavam um mercado medieval com comidas, músicas, roupas e os tipos da época.
A idade média foi a idade das trevas, em que a civilização pouco avançou na ciência, no conhecimento, na medicina e nas relações sociais. Assim, na festa havia leprosos, salteadores, andarilhos de estrada,Mercado Medieval - Óbidos encantadores, fadas e bruxas. Para entrar na muralha precisei me vestir de fantasma (assim me chamaram), com uma túnica com o dobro do meu tamanho; as fantasias de nobres e princesas já tinham sido alugadas. E fantasias não faltam nessa hora: o Rui acha que já foi um deles, algum dia; estava vestido de plebe e não quis ser fotografado. O Dorival preferia estar longe dali nessa época, em alguma caravela pelo mar. Eu espero não ter sido fantasma na vida de ninguém, somente.
As ruas estreitas da Vila de Óbidos estavam lotadas, num ambiente um Tipos medievais - Óbidos pouco diferente de alguns anos atrás, em que não havia tantos turistas, nem tantas lojas, nas palavras de quem esteve lá em 1992, o Dorival. Parte das dependências do castelo hoje viraram uma pousada, acessível apenas aos hóspedes, experiência que fizeram também em Salvador num antigo prédio histórico. Continua um lugar de arquitetura de época, que vale a pena visitar.
No caminho entre o estacionamento para os carros e a Vila de Óbidos há uma plantação de pêras do tipo “rocha”, deliciosas. O Rui Silva apanhou algumas delas para nós. Não havia cachorros soltos e as árvores estavam carregadas, certamente não causamos nenhum prejuízo. Basílica de MafraO fruto comido no pé é sempre mais saboroso! Aí, Rui, valeu o risco! Fique tranquilo que ninguém viu ou sabe de nada.
Aqui vão bem as pêras, as oliveiras, que se espalham pelas praças e ruas, os figos, que secos são deliciosos, além das muitas variedades de ameixas e, claro, as uvas.
No caminho para Óbidos passamos por Mafra, outra cidade com monumentos históricos. Impressiona o mármore rosa, que brota na terra em Portugal, e a arquitetura da Basílica de Mafra. No Museu da Basílica aprendi que as “sanefas”, usadas nas laterais da popa do barco para proteger dos borrifos de ondas, eram originariamente as saias laterais dos carrinhos de mão usados para levar imagens de santos nas procissões.
O verão entrou com tudo, este fim de semana fez 35 graus célsius em Lisboa. O clima é seco e sair para as ruas só com uma garrafa d’água. A nortada Palácio Nacional da Pena - Sintrade fim de tarde alivia a sensação de calor, mas assusta, com ventos de até 30 nós aqui dentro. Alguns lugares têm clima mais fresco, como Sintra, que visitamos esta semana, pela serra e natureza à sua volta, e Mafra, pelo regime de ventos locais.
Lisboa é uma boa cidade: bons serviços públicos, saneamento, atrações, vida noturna. Realmente, se a opção for trabalho e divertimento urbano, esse é o lugar ideal. Consegue-se andar com relativa segurança à noite, assistir a uma apresentação de orquestra ao ar livre ou tomar um chá para começar a aquecer a noite.
Os serviços públicos estão bastante informatizados. Para comprarCastelo Mouro - Sintra bilhetes de trem, metrô, ou pagar pedágios, é tudo por máquina. Acho que as pessoas fazem falta nessas horas, pois nós ficamos meio atrapalhados para comprar bilhetes sozinhos, e fizemos besteira, mas esse é um processo inevitável em todo o mundo, inclusive no Brasil; gera desemprego, mas aumenta a produtividade porque pessoas faltam, ficam doentes, etc…
A legislação náutica de Portugal tem exigências diferentes da brasileira, uma delas é uma escada de acesso. Dizem que a origem dela está no fato de que muitas embarcações já foram encontradas vazias, com marcas de unhas no costado, de um infeliz que tentou, mas não conseguiu subir na Freguesia do Chiado em Lisboa embarcação. Da mesma forma, já foram encontrados náufragos mortos com a braguilha da calça aberta, sinal de que caíram no mar ao urinar (homens, no caso). Outra exigência é o arnês, ou cinto de segurança em forma de cadeirinha.
Esta semana vai ser de preparação do barco, logo partiremos. Turismo náutico é assim, privilegiamos os pontos da costa ao interior.
Um bom planejamento da rota e dos víveres, além do acompanhamento das condições de tempo é um primeiro passo para uma boa viagem. Estudar o fenômeno da “nortada” e os efeitos dos ventos e marés nos Cabos de Portugal também faz parte. Vamos nessa toada.

Catarina

OBS: Nortada é um vento de até 40 nós que, normalmente, se inicia às 16:00 hs e sopra até às 21 horas, todo dia. Para sair de Lisboa ainda faltam encontrar as filhoses e assistir uma tourada. Dorival

Agora sabemos como é estar na berlinda. Vimos várias no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa. A berlinda é um tipo de carruagem que usa tiras de couro para amortecer os impactos. Era o meio de transporte usado por reis e nobres, elaborado em madeira com muitos entalhes e pinturas decorativas. Berlinda A palavra também se refere a um jogo em que, quem está “na berlinda” vira alvo de comentários e fofocas, e daí a expressão corrente.
Fomos ao Museu dos Coches no domingo, dia em que a entrada é franca e todos os museus ficam lotados. Esse museu deve se mudar para um local mais amplo, compatível para expor as muitas carruagens e obras de arte valorosas que possui. Os quadro da nobreza estão expostos num corredor estreito no andar de cima e, dessa forma, são admirados de muito perto, a menos de um metro, o que não é correto.
Os quadros de época neste e em outros museus sofrem com a técnica de pintura utilizada no passado que usava terebintina como solvente; meio século já é o suficiente para a pintura ficar “craquelada”, com muitas pequenas rachaduras. O fundo escuro dos quadros, originariamente pintado numa mistura de verde, vermelho e azul,Cavaleiros do Palácio se revela com a luz e torna-se quase negro, um motivo a mais para não serem usadas fotos com “flash”. São estes os desafios para uma boa restauração, tanto aqui como em qualquer lugar do mundo.
Lisboa oferece muitas atrações para o final de semana, a custo zero para a população; a banda de metais a cavalo da presidência é uma delas, se apresenta aos domingos no gramado em frente ao palácio oficial, e com maestria conduz os instrumentos e os cavalos no meio da multidão. Muito giro!
Durante a semana fomos a quase dez museus e castelos diferentes. Impressionam, em alguns sítios históricos, as escavações que estão sendo feitas, revelando desde mercados fenícios até vilas romanas. O terremoto de 1755 em Lisboa, a que se seguiu um “tsunami”, fez submergir o centro da cidade; as novas construções para reerguer a cidade aproveitaram as antigas como alicerce, deixando muita história por baixo.Sítio arqueológico
Os preços em Lisboa: para compará-los, usamos a nossa referência preferida, o big-mac do Mc Donald´s; aqui ele sai por 2,90 euros. Mas atenção, na franquia em que fomos o lanche é pequeno, e o hambúrguer parece que passou por uma máquina de cortar frios, de tão fino que é. Por outro lado, se consegue uma boa refeição na cidade, com vinho e sobremesa incluídos, por 8 euros, como a do restaurante ao lado da marina, por sinal, o nosso provedor de internet.
As tarifas públicas de ônibus e bonde (aqui chamados autocarro e elétrico, nessa ordem) não são baratas: saem por 2,5 euros. Em duas pessoas compensa pegar um táxi. Já o metrô é mais em conta: 0,90 cêntimos de euro. Nos disseram que não valeria a pena alugar um carro para andar por Lisboa pois os estacionamentos são raros e caros.Bacalhau do Restaurante do Fuso
As marinas são públicas, em sua maioria, mas nem por isso são baratas, e não há opção de ficar no ferro a não ser em Cascais. Por mês, a marina não sai por menos que 350 euros. Os cinco meses em que passamos no ferro no Caribe devem compensar esse custo. Por fim, é a nossa despesa de “condomínio”, que inclui a água, a energia, a boa localização e a segurança.
Diferente do Caribe, aqui não há grandes lojas náuticas, e o preço é mais alto, muito embora a qualidade dos produtos vendidos seja melhor, em muitos casos.
Essa conversa mais está parecendo uma caixa registradora! “Bora” mudar de assunto.
Aqui há uma raça de cachorros muito especial, chamada cão de água. São cães de bom temperamento, boa saúde e resistência, que não têm medo da água, tanto que eram utilizados por pescadores para recuperar a pesca ou os objetos caídos no mar. Vimos um desses na casa do Rui Silva, uma graça de cachorro. Deu vontade de ter um, para ir buscar as ferramentas e coisas que volta e meia deixamos cair na água, mas ele é meio grandinho para nós, mesmo com o pelo tosado.Cachorro de água
Por esses dias vamos até Sintra, onde há um castelo mouro. O domínio dos mouros por tanto tempo influenciou a linguagem. Todas as palavras com “al” são de origem árabe. Então, alazão, alambique, alfândega e álgebra são algumas delas. Vamos de comboio até Cascais, onde tomaremos um autocarro para pegar uma boa vista da serra. Já nos disseram para levar agasalhos que lá faz frio.
Enquanto isso, as minhas aulas de crochê com a Professora Lena, do veleiro Harmony, vão ficando para a próxima vez em que nos encontrarmos. Olhe lá eu perdendo a oportunidade… “Teacher”, tenha um pouco de paciência, que a sua aluna não pode ir embora para o Brasil sem conhecer Portugal.

Catarina

A língua falada em Portugal e no Brasil é a mesma, mas às vezes exige um dicionário, ou um tradutor. Um dia desses, eu estava conversando com a Lena, do Veleiro Harmony, daqui de Portugal, que a certa altura me perguntou se ela poderia me tratar por “tu”, afinal, éramos da mesma idade e não havia a necessidade de nos tratarmos por “você”. Respondi logo: “como queira”, para deixá-la à vontade, Rui e Lenamas sem entender nada, afinal, o “você” é a forma de tratamento mais próxima e informal possível no Brasil. Ela me explicou que, em Portugal, o “você” é usado para tratar com pessoas mais velhas, ou para demonstrar respeito ou, mesmo, manter uma certa distância.
As diferenças não param por aí. Um oceano a separar-nos talvez seja motivo suficiente para isso.
Em Portugal é muito comum usarem o verbo no infinitivo, ao invés de no gerúndio, tal como “ele está a fazer, a comer, a beber”, e assim por diante, ao invés de “ele está fazendo, comendo e bebendo’, como usado corriqueiramente no Brasil”.
No dia a dia, os termos também são outros. Se “tu” fores pedir uma “média”, o nosso café com leite no copo, em Portugal tens que pedir um “galão”, que nada tem que ver com a medida de volume usada pelos americanos.

Um galão nada mais é que uma boa média

Também não usam o “meia”, de meia dúzia, para se referirem à quantidade “6”, e se você quiser se fazer entender, tem que abandonar o termo. Nem “15 minutos”, mas “quarto de hora”.
Os filhos do Rui Silva (Conde), as crianças mais comportadas que eu já vi na face da terra, todos moradores de Lisboa, perguntaram em coro outro dia o que era o “suco” que eu ofereci a eles; aqui o chamam por “SUMO”. Chocolate eles sabem o que é, até em mandarim.Rui Silva (Conde)
Com a família do Conde fomos até “Sesimbra”, uma antiga vila de pescadores perto de Lisboa, apreciar um dos pratos típicos daqui, a sardinha na brasa, assada com sal grosso apenas, e feita com a barrigada e a cabeça. O prato é saboroso, mas eu e o Dorival tomamos o maior olé para comer deixando a barrigada de lado. De duas travessas grandes que nos serviram, só sobraram umas 3 sardinhas, não é preciso dizer se gostamos.
Lá em Sesimbra pudemos ver que alguns barcos de madeira, de pescadores, não possuem refletor-radar, um motivo para nos afastarmos da costa ainda durante o dia.
Comer aqui não é problema, tudo é saboroso e não é caro. Além da boa comida, Lisboa atrai pelos museus e lugares históricos.
Durante esta semana fomos conhecer o Mosteiro dos Jerônimos, uMosteiro dos Jerônimos 1ma construção deslumbrante do séc. XVI. Impressionam o pé-direito, os entalhes na pedra, e as abóbadas espaçadas. Ao contrário do alto pé direito da construção, as portas de serviços da cozinha e de outros ambientes são baixas, para passarem pessoas com pouca estatura, como  de fato eram os habitantes daquela época. Ainda hoje, é raro ver portugueses muito altos, exceção feita ao Rui do veleiro Harmony, mais alto que o Dorival, que já tem 1,75 m. Um espanador de lustre, como chamariam no Brasil.
Com o casal Rui e Lena fomos passear em uma das casas do Marquês de Pombal, em Oeiras. No jardim, chamou a atenção um gato esbelto, ágil, de pelos brilhantes. O que o faz ficar daquele jeito não é uma ração Gato espertoespecial, mas os…RATOS. Sim, no parque há placas para não alimentarmos os gatos, para que eles sobrevivam dos roedores. A moda poderia pegar em São Paulo, onde há mais ratos que humanos. 
Das construções históricas que visitamos até agora, a mais antiga é a Catedral da Sé, que data do século XII. As peças em ouro e pedras usadas pelos sacerdotes dão a dimensão do poder da Igreja na época. De dentro daqueles salões, muitos destinos foram traçados, e ao lado de homens puros, certamente havia ambiciosos e sem escrúpulos, que escreveram a nossa história.
Aos que se preocuparam com a situação do nosso amigo Jonh, de Wales, trago boas notícias: ele está comendo bem, Catedral da Sé - Lisboaengordando, e tentando reconquistar uma antiga namorada. Estamos ajudando com dicas do que funciona neste caso. A moça está meio magoada por ter sido trocada, e apesar de dizer “no way” para ele, disse que gostou do cavanhaque que ele está usando agora, e tem saído para tomar sorvete com ele, ou seja, ele tem chance. Só não temos consolo para o banzo (saudades) que ele está de navegar.
A amplitude da maré do Tejo não é pouca coisa; nessa última lua cheia chegou a 3,5 metros. Para sair daqui tem que ser em horário planejado; além disso, a correnteza é muito forte e à tarde bate um vento norte sustentado com média de 20 nós. Ainda demora um pouco para nos preocuparmos com o mar lá fora, faltam alguns “sítios” históricos para visitarmos, não sem antes pegarmos algumas “bichas”.

Catarina

Recebemos duas respostas para o desafio de explicar como se determina a velocidade de um objeto no radar a partir de duas tomadas de posição, com 6 minutos de intervalo.
O Fininho, do Veleiro Zuretta, respondeu no dia 06/07 às 23:11 horas, e o casal Mauriane e Luiz no mesmo dia, às 17:06. As duas respostas estão boas, portanto, escolhemos como ganhadora a mensagem que chegou primeiro. A resposta foi a seguinte:
“Acho que a velocidade em nós é igual à distancia percorrida em 6 minutos, em milhas, multiplicada por 10.”Bússola
O Luthier tem um radar estabilizado pela posição enviada por um GPS. Assim, basta colocar o cursor em cima do objeto e temos a posição dele em Latitude e Longitude, que plotamos na carta. Seis minutos depois tomamos a nova posição, plotamos e, usando a escala de Latitudes, determinamos a distância percorrida em milhas. Dá para usar cartas eletrônicas também. Se o radar não for estabilizado, pode-se marcar com caneta na tela, como sugeriu o Fininho, dentre outros procedimentos.
Chega de discurso técnico, vamos entrar em contato com o simpático casal Mauriane e Luiz, e mandar o prêmio para eles. Temos mais mimos guardados, aguardem novos certames.
Fininho, obrigado por participar.

Dorival

Não somos peixes, mas tentamos. Insistimos em viver no meio deles. Nos primeiros dias de viagem em mar o corpo humano tenta se acomodar ao meio aquoso; na chegada ocorre o inverso, a necessidade de readaptação à terra. Onde está o Luthier
Nos últimos dois dias de nossa viagem para Lisboa tivemos ventos de até 30 nós, mar de dois metros e meio com ondas de 5 segundos, quebrando no convés. Velejamos apenas com um pedacinho de genoa. Pusemos a tampa na gaiuta de entrada e nos fechamos dentro do barco. Nada a fazer além de navegar chacoalhando. Eu fui terminar um livro que estava lendo e o Dorival ficou controlando o jogo real dos navios passando pelo AIS, com a vista fixa nos instrumentos de bordo. Assim poderíamos passar mais alguns dias, já estávamos adaptados.
Há uma teoria de que o homem teria sido uma evolução de um mamífero marinho, é de se considerar.
Quando chegamos em terra, nas primeiras caminhaMonumentodas os músculos das pernas doíam, subir escadas era um custo. Ficamos meio zonzos, com os horários atrapalhados. 
Em solo português fomos literalmente recebidos com flores, além de vinhos e muitos pastéis de Belém, por nossos amigos de Lisboa. Vamos ficar mal acostumados com tanto paparico.
O ambiente de Lisboa é de vela esportiva. Muitos veleiros subindo e descendo o Rio Tejo, regatas de várias classes, diversas associações náuticas. O vento norte constante e a larga distância entre as margens do rio devem ter contribuído para essa paixão nacional.
O Rio Tejo é limpo, piscoso, e guarda a história das primeiras expedições marítimas, presentes nas mentes dos portugueses. Exatamente de onde estamos, em Belém, saíram as caravelas do descobrimento. Aqui erigiram um monumento em sua homenagem.Torre de Belém
O Museu da Marinha, em Belém, expõe uma coleção de itens relacionados à navegação, desde bússolas, à louça e vestuário, réplicas e quadros das embarcações de época, guardando algumas galeotas  autênticas, expostas em um salão. O prédio do museu é uma atração à parte, pelo bom estado de conservação em que se encontra, e por ser parte de um mosteiro, o dos Jerônimos. Tudo muito interessante, bonito e organizado.
Cuidado é o que se vê nas ruas de Lisboa, limpas arrumadas, ajardinadas. Mesmo em lugares públicos como o metrô está tudo limpo e Instrumentos de Navegaçãoorganizado. Há muitos turistas japoneses, europeus, de várias nacionalidades, que lotam os ônibus, os restaurantes e os museus. Olhando dessa forma, não vemos nenhuma crise econômica.
O país está numa campanha nacional para incrementar a economia, e nós aderimos a ela, no supermercado só compramos produtos genuinamente portugueses, o que não é nenhum esforço para nós a começar pelos vinhos, todos bons. Se a campanha deu certo para os EUA com o “buy an american”, deve dar certo aqui.Galeota
Como estrangeiros temos direito à devolução do IVA – imposto sobre valor acumulado nas compras acima de 60 euros. A medida faz diferença, pois o imposto embutido nos preço é de 23%, e dizem que vai subir. Vamos até o aeroporto ver como funciona, na prática, o “refund”.
Está na hora de cuidar um pouco do nosso baby: polir o aço inox, lavar o costado. Ele nos trouxe direitinho até aqui, numa viagem confortável, com tudo sequinho por dentro, merece um carinho. Vamos gastar algumas horas com ele, e outras tantas com nossos amigos portugueses.
Pelo visto, vamos demorar algum tempo por aqui visitando tantos museus e lugares interessantes.

Catarina

Chegamos ontem em Cascais, por volta das 23:00 hs UTC, ancoramos para descansar. Hoje pela manhã seguimos pelo Rio Tejo e estamos na Marina Docas de Belém. É incrível ter como vizinhos um mosteiro, um museu, dois monumentos históricos e duas praças com jardinagem impecável.
Vamos descansar e logo contamos mais.
Dorival

O Luthier está chegando ao continente. Acompanhe a trajetória em tempo real através dos dados do AIS plotados pela Marine Traffic

Parece que o Atlântico norte, no que diz respeito a sua porção leste, está guardando todas as emoções para as últimas milhas antes do continente. Caldos, chouriços, gennaker, “sem ondas”, quiz para os leitores,  isso tá me parecendo história de velejador.

Segue o relato do dia:

05 de julho de 2011
13:20 UTC

Posição: 39º 40′N

                  13º 05′W

Navegação:

Rumo  =  108º
Velocidade =  5,5 nós
Distância  em 24 h = 120 milhas
Distância p/destino = 185 milhas para Lisboa

Meteorologia:

Vento = 4nós de W
Ondas = sem ondas 
Temp. do ar = 22ºC (10:00 local)
Temp da água  = 19,2ºC
Pressão Barométrica = 1022 hPa
Céu nublado, sem ondas.

Previsão do Tempo:
(próx. 24 horas): vento N > NNW 11 a 20 nós ondas NW 1,4 > 1,8 m 9  seg

Estratégia: Rumo direto para Cascais

Comentários: Ontem “torcemos” o vento, extraímos o máximo do pouco que tínhamos com a gennaker. Deu, assim, meio copo: andamos a 4,5 nós. No fim da tarde, com a previsão de que não irá ocorrer a forte “nortada” na costa, começamos a descer ladeira com rumo direto para Cascais. Meio nó de corrente ajudando. À noite, o vento apagou e a solução foi motorar. De manhã, o vento passou alto pelas nossas cabeças; agora, o mar dá indícios de que ele vai começar a soprar aqui em baixo. Já estamos mais tranquilos quanto ao combustível, temos para chegar.
Com o frio que fazia à noite, a opção de jantar foi caldo quente com legumes picados, macarrão em conchinhas e chouriço, usando o preparado “rabo de boi” (um caldo de carne), delícias que conhecemos nos Açores, com gosto de quero mais. Tudo para passar a noite a ver navios.
E é para ver muitos navios na costa que estamos nos preparando. Vamos descansar o que pudermos até lá. “Hey,hey, hey!” Estamos chegando!

Catarina

Esta noite a visibilidade estava bastante reduzida. Pelo AIS, soube de um navio que passou a 1,5 milhas pela minha popa. Não consegui vê-lo, mesmo sabendo onde estava. Também soube, pelo radar, de uma embarcação que passou pela minha proa, à 1 milha de distância, mas não pude vê-la, e ela não transmitia sinal de AIS, pode ser até que estivesse com as luzes de navegação apagadas. Medi a velocidade dessa embarcação como sendo 6,5 nós. Fiz essa medida usando a técnica de verificar duas posições seguidas no radar com intervalo de 6 minutos. O primeiro que me descrever esse procedimento direitinho, da medida de velocidade usando o radar, vai ganhar uma camiseta com motivo de Pirata comprada lá no Caribe. O envio é por nossa conta. Participe.

Dorival

OBS: Maracatus, Marçal, João Carlos, Cristina (e filho) e outros amigos navegadores velhacos estão fora do concurso, OK?

A rotina atlântica segue sem muitas novidades. Entre a alta dos Açores e as instabilidades ao norte da Espanha, o vento inconstante e fraco diminuiu um pouco a singradura do Luthier. Dorival se esmera em fazer o barco navegar o mais rápido possível nessas condições e estava velejando de gennaker hoje a tarde.

Segue o relato do dia:

04 de julho de 2011
10:00 UTC

Posição: 40º 16′N

                  16º 05′W

Navegação:

Rumo  =  90º
Velocidade =  5,0 nós
Distância  em 24 h = 125 milhas
Distância p/destino = 327 milhas para Lisboa

Meteorologia:

Vento = 6 nós de W
Ondas = 2 mt  de W 8 s
Temp. do ar = 21ºC (10:00 local)
Temp da água  = 20ºC
Pressão Barométrica = 1020 hPa
Céu nublado, com chuviscos e mar curto.

Previsão do Tempo:
(próx. 24 horas): vento WNW > NW 7 a 11 nós ondas WNW 1,4 m 9  seg

Estratégia: Seguiremos para E até encontrar vento N

Comentários: O mar não subiu o que estávamos esperando, nem tampouco o vento, que tem nos deixado na mão; depois de velejarmos a noite passada inteira, ele apagou às primeiras horas da manhã.
Com o tempo frio e chuvoso de hoje, a opção é esperar. A paciência é o jogo preferido do Dorival. Eu leio e escuto música; queria fazer crochê ou tricô, ocupar as mãos e me distrair sem precisar fixar a vista, mas não tenho material e nem aprendi com a minha avó, um desperdício. 
A boa notícia é o retorno das comunicações via SSB, com a opção de utilização dos canais da Europa. Assim como muitos não respeitam os barcos à vela, também não respeitam os usos internacionais das frequências de rádio, a lei é sempre a do mais forte. Não vamos mudar essa situação, mas nada impede de, na falta do que fazer, azucrinar também gerando ruído, enquanto vamos “tricotando” as opções do que fazer no continente. Estamos perto de chegar.

Catarina

Hoje caiu a ficha: 4 de julho, dia da Independência dos EUA, por isso, além da interferência do sinal militar, havia uma enorme quantidade de estações americanas de RTTY participando de um concurso comemorativo no fim de semana. Elas transmitiam muito próximo, ou até em cima, das freqüências usadas pelo WINMOR. Não que seja proibido, mas não é nada simpático fazer isso. Como em toda parte ou comunidade, existe muito radioamador mal educado também.

Dorival

A previsão é de ventos favoráveis até a aproximação da costa de Portugal, onde o Luthier deverá encontrar ventos de N de 20 nós e ondas proporcionais. Essa área coincide com o cruzamento do “corredor” de navios que seguem na rota mar do norte >> mediterrâneo. Mantendo-se numa latitude acima de 40N, eles estarão numa posição muito favorável para arribar no rumo de Lisboa.

Segue o relato do dia:

03 de julho de 2011
20:45 UTC

Posição: 40º 22′.22N

                  17º 36′.01W

Navegação:

Rumo  =  90º
Velocidade =  5,0 nós
Distância  em 24 h = 120 milhas
Distância p/destino = 396 milhas para Lisboa

Meteorologia:

Vento = 10 nós de WNW
Ondas = 1,8 mt  de NE 8 s
Temp. do ar = 21ºC (10:00 local)
Temp da água  = 19,8ºC
Pressão Barométrica = 1022 hPa
Céu nublado e mar curto.
Velejamos a noite toda. Motoramos de manhã e voltamos a velejar à tarde. As ondas não nos deixam ganhar N

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento WSW a WNW 10 a 14 nós ondas NW 1,8 > 1,3 m 10 seg

Estratégia: Decidimos manter a latitude e rumar E até 12W

Comentários: Hoje o comentário é curto porque estamos tendo dificuldades com o envio e recepção de e-mail devido à interferência provocada por um forte sinal de RF. O sinal para por curtos períodos de tempo, quando então mandamos e recebemos os e-mails. Está tudo bem a bordo. Assim que a interferência diminuir, mandaremos mais notícias.

Dorival