sex 28 out 2011
DESPEJADOS
Escrito por: Catarina
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Amanhã de manhã vence a nossa estadia na marina de Las Palmas – Gran Canária. Não adiantou alegarmos o estado do mar lá fora, nem o fato de a ancoragem ao lado do porto estar lotada, e que o pessoal da ARC estaria longe de chegar. Vamos ter que encarar o mar como está e partir para outro abrigo.
A marina de Las Palmas é pública e conta com cerca de 1.000 vagas. Está bem localizada, na região central da cidade, perto de lojas náuticas e supermercados, e o local é bastante abrigado. É barata (e tem barata): para o Luthier sai por 7 euros o dia. Por tudo isso, é muito procurada.
Nos poucos dias em que aqui pudemos permanecer, tratamos de abastecer o barco para a travessia de volta para o Brasil daqueles itens que faltavam. Logo, logo, estaremos com o pé na estrada, digo, com o barco em mar aberto, no rumo de casa.
O imposto nas Canárias é mais em conta que no continente e isso se r
eflete nos preços; além disso, muitas lojas dão descontos para estrangeiros, ou donos de barcos no caso de produtos náuticos, de até 10%.
Por fim, se faz boas compras aqui e no continente europeu, principalmente de supermercado, a bons preços, pois mesmo com o euro mais valorizado que o real, se consegue comprar mais produtos com o equivalente em moeda, principalmente de alimentos industrializados, que no Brasil são mais caros. Pães e farináceos são um outro exemplo de bom preço na Europa, enquanto que no Brasil são mais caros por não plantarmos o trigo na mesma escala, entre outros fatores; de qualquer forma, na Europa o pão tem que ser barato, senão, o povo faz revolução.
Os produtos náuticos vendidos nas Canárias são, em sua maioria, europeus, de boa qualidade, e estão mais baratos que no Caribe, caso dos cabos alemães. Apesar dos bons preços, as lojas estão com pouco movimento; muitas pessoas vão pesquisar preços, mas poucas compram. Um vendedor de uma loja de pesca confessou ao Dorival que a compra dele tinha sido a única do dia, no caso, apenas alguns anzóis, sendo gastos menos de 5 euros. Na “Él Corte Inglês”, uma loja de departamentos espetacular, com produtos bons e de bom gosto, para todos os bolsos, há muitos vendedores andando de um lado para o outro, tanto que, quando você aparece grudam em você, ou melhor, lhe dão uma atenção especial. É a crise.
Muito embora estejam em crise, vários comércios mantêm o costume espanhol da “siesta”, e fecham as portas das 13:00 às 16:00; no total, trabalham 6,5 horas por dia, enquanto que no Brasil nós trabalhamos por 8 hora por dia, e não “cerramos” as portas. Quem está certo? Fato é que, nesse ritmo, eles perdem vendas e receita, principalmente aquelas feitas por impulso ou pela oportunidade.
Muitos barcos chegam até aqui vindos da Europa, e daqui não passam. Alguns estão no mesmo lugar há muitos anos, em péssimo estado, e pudemos ver que aqui o ambiente é propício para as cracas. A verdade é que o mar é duro, e alguns não passam das primeiras bordoadas. Na Madeira, conhecemos um casal de alemães assim, que resolveu deixar o barco nas Canárias para decidirem o que fazer no próximo verão, se irão voltar para a Europa com o barco, definitivamente, ou ir adiante.
Vocês podem ficar tranquilos que não vamos para a Ilha de El Hierro. Durante toda a semana, o aviso-rádio das Canárias alertou para a restrição da navegação num raio de 4 milhas da Ponta da Restinga, onde se situa a maior atividade vulcânica submarina perto da ilha. No início da semana, logo pela manhã, sentimos balanços no barco como se fossem pequenos socos, mas não havia vento, nem movimento de ondas na marina; logo depois, ficamos sabendo que foi detectado um tremor de terra na região de 3,5 graus na escala Richter, com epicentro em “El Hierro”. Enquanto houver pequenos tremores, está tudo bem.
Escolhemos como nosso próximo destino a Ilha de Tenerife, a 50 milhas daqui, que conta com uma marina abrigada. Dizem que é a ilha mais verde de todas, mas não temos muitas expectativas a esse respeito, pois o conceito do que é “verde” para quem vem do Brasil, já notamos, é bastante diferente. Mas o que vale é conhecer o que é diferente, então, “hasta luego, amigos!”.
Catarina