dezembro « 2011 « Bem-vindo a bordo!

Archive for dezembro, 2011

O Luthier dispõe das seguintes fontes de geração de energia: eólico de 400W; 400W em painéis solares; alternador de 80 ampéres e um gerador à gasolina de 2000W.
O sol na Bahia de Todos os Santos – Kirimuré-Paraguaçu para os índios Tupinambás, é suficiente para que os painéis solares gerem energia para o consumo do dia e para repor o gasto durante a noite. Mas, não é sempre assim.
Há dias em que o sol passa muito tempo escondido atrás de nuvens, ou temos chuva o dia inteiro. Nesses dias, o painel solar repõe apenas parte da energia. Nossas baterias são suficientes para três dias desses, o que, em geral, é suficiente. Se o tempo ruim durar mais que 3 dias, temos que ligar o motor ou usar o gerador à gasolina. O gerador eólico é pouco útil nas ancoragens porque elas são abrigadas de vento, na maior parte do Bahia de Todos os Santos tempo.
Navegando, o consumo é maior por conta dos equipamentos de navegação, principalmente, o piloto automático. Nessa condição, dependendo da direção do vento, o gerador eólico ajuda bastante.
Já deu para perceber que, para viver a bordo e velejar por aí, é importante dispor de múltiplas fontes de energia. As baterias só armazenam energia, portanto, tem que haver um balanço entre consumo e geração para que a vida seja confortável e não falte energia a bordo.
Na travessia de Saint Marteen até Flores, o Sol estava no mesmo hemisfério. Nessa passagem, não tínhamos sombra das velas sobre os painéis. Por outro lado, na navegação entre a Ilha da Madeira, Canárias e Cabo verde, com rumo 180º, tivemos sombra das velas sobre os painéis a maior parte do tempo e, além disso, nessa época o sol estava no hemisfério sul, portanto, os raios chegavam com um ângulo baixo, tornando os painéis menos eficientes. Somou-se a isso o vento de popa, muito ruim para o gerador eólico, o que nos obrigou a usar o gerador à gasolina todos os dias.
Durante nossa passagem pela ITCZ, usamos o motor. Nosso alternador com regulador externo de 3 estágios manteve as baterias carregadas e supriu toda a nossa necessidade de energia.
Depois que assumimos o rumo direto para Salvador, desde 5ºN até 5ºS, foi uma maravilha para gerar energia. Navegamos com vento aparente de 60º a 70º. O gerador eólico produziu metade das nossas necessidades de energia. Com o sol no mesmo hemisfério, e sem sombra das velas, os painéis solares produziram o que faltava com sobra. Nessa etapa, não usamos o gerador à gasolina, nem o motor. De 5º S até Salvador, o vento rondou para alheta, e o eólico passou a gerar bem menos, nos obrigando a economizar.
A volta do Atlântico coloca o navegante em todas as situações possíveis, obrigando o uso de diferentes formas de geração de energia.
Mas, não é só isso não. Há dias em que sobra energia, então, dá para falar no SSB bastante, assistir a um filme, entre outros pequenos luxos, enquanto que, em outros dias, é preciso se contentar com uma lampadinha LED, e com a leitura de um livro, porque a energia fica destinada à navegação e à geladeira.
Nós, do Luthier, tentamos, por opção, usar ao máximo as formas limpas de geração: eólico e solar, mas nem sempre é possível. Damos preferência ao gerador à gasolina a ligar o motor apenas para gerar energia.
Para não ter problemas com energia, procure identificar e listar o consumo de seu barco, navegando e ancorado, e verifique se as disponibilidades de geração estão equivalentes. Quando for comprar um novo eletrônico para seu barco, considere o consumo na escolha entre as diferentes opções disponíveis no mercado.
Durante a Volta do Atlântico, nas ancoragens os painéis solares supriram 90% das nossas necessidades de energia. O restante foi fornecido pelo gerador à gasolina. Nos dias de sol abundante aproveitávamos para fazer água com o dessalinizador.
Navegando, os painéis solares supriram 50% da energia; o eólico gerou 30%; 15% o gerador a gasolina e 5% o alternador do motor. Embora tenhamos usado o motor mais ou menos 25% do tempo, normalmente, as baterias já estavam carregadas. Com o motor ligado, abusamos do consumo: torradeira elétrica, secador de cabelos, computadores ligados, muito papo no rádio, etc.. Pelo menos, compensa um pouco o calor que esse monstrinho gera.

Dorival

“É PROIBIDO BAIANA A BORDO”, são os dizeres da placa que eu vou afixar no Luthier. Ela é necessária porque o Dorival vai ficar sozinho por Serginhouns dias, enquanto eu for viajar para ver mainha e painho.
A maioria das mulheres baiana é bonita, delicada, com rosto de boneca de porcelana, pele de seda e corpo de violão. Bem humoradas e carinhosas, conquistam qualquer um.
Conto com amigos para me ajudar. O Serginho, figura conhecida daqui do TENAB, seria um deles: boa-praça, um cara supergente fina. Mas, ele é um bom baiano; além disso, faria qualquer coisa pelo Dorival, eu bem sei. O pessoal do Veleiro HOT DAY também é super gente-fina, e esse é o problema dos velejadores: ninguém se envolve.
Já me sugeriram usar o spot, mas não ia adiantar muito, neste caso.
As mulheres daqui já me advertiram: “os homens se protegem, minha filha!”, como disse a vendedora da padariaBanca de frutas no Comércio aqui perto, que anda prometendo fazer meu doce predileto, o lelê, para depois do Natal.
A realidade é que eu arrasto as minhas duas asas por esse homem! Para piorar meus sentimentos, ele disse que não vai se alimentar direito nesses dias, só vai beber água gelada e bolacha água e sal no café da manhã, então, já fui ver uma baiana que serve café e mingau de manhã, num carrinho em frente ao Mercado Modelo. Também enchi a geladeira  de porcarias. Tirei o AAS da nossa caixa de farmácia, para ele não se confundir quando tiver dor de cabeça, pois estamos no verão, com risco de dengue.
Um pouco de saudades não vai matar ninguém, vai reforçar a PAIXÃO.
Recebemos mensagens de pessoas dizendo estar com saudades de  nossos relatos de viagem. Mas, nós não estamos, não. Acabamos de chegar, pessoal, queremos descansar das fainas de bordExposição de saídas de praiao e curtir a Bahia. 
Daqui da  Bahia vamos sentir saudades demais. Aqui tudo é festa, tudo é luz. Frutas coloridas, povo sorridente, comida saborosa, música animada.
Em que lugar do mundo se vê sair uma escuna apinhada de gente cantando e dançando para passear?  Onde se vêem tantas frutas frescas vendidas nas calçadas, de tantas variedades? Tantas pessoas se divertindo, mesmo sem dinheiro?
Acompanhamos a saída de um saveiro levando um pessoal para passear. No dia anterior encostaram no TENAB, e o mestre do saveiro, de 75 anos, deu a maior conversa para o Dorival, que no dia seguinte foi ajudar a largar o barco. Chegaram umas 15 pessoas com um monte de comida: Saveiro com turistas baciadas de pão delícia, amendoim em casca, umbu, latas de cerveja, e outras delícias em panos de prato branquíssimos. Fiquei com vontade de participar da festa.
A única coisa que aqui está demais: o calor. Até os franceses do Rally Illes du Soleil vieram “reclamar”. Aquele conhecido ventinho da Bahia está em falta, para por horas, completamente, principalmente de madrugada.
Chega que já estou me derretendo de saudades, antes da hora! Fica proibida essa palavra.

Catarina

Por que eu gosto de Salvador? Porque aqui se deixa para depois de amanhã o que pode ser feito amanhã.
Padaria Cayru - ComércioO Comércio, bairro que fica na cidade baixa, está um pouco mais abandonado que há um ano atrás. Dizem que haverá uma renovação, mas ninguém sabe quando, e o que é. No Comércio há um prostíbulo que fica ao lado de uma loja de Crédito e de uma padaria, sem problemas de convivência.
O som alto nos carros,  por toda a cidade, não tem hora para acabar. Ontem ouvi uma gritaria por conta de um roubo. O ladrão pegou alguns produtos de um camelô descuidado. A bronca no camelô foi grande, mas se a turma pega o ladrão ia precisar da polícia para salvá-lo.
Vejo pais felizes por comprar brinquedos simples e baratos para seus fForró atrás do Mercado Modeloilhos.
O motorista do ônibus dá informação sorrindo para não rir do meu sotaque de paulista.
No supermercado, comentei com um baiano que havia muitos produtos para vencer, ele não gostou não, chamou o gerente e lá foi bronca!
Isso é Salvador da Bahia, um lugar que vive e respira de uma forma  simples e calma.
Parece, mas não é verdade: o baiano não é indolente, trabalha e muito, mas não se aborrece não, atende o cliente sem pressa e sempre tenta encontrar o que lhe agrade. Não faz hora extra, vai para a festa, está errado?Artezanato atrás do Mercado Modelo
Fui até a padaria para ver se tinham feito o LELÊ que  a Catarina está querendo. A baiana me disse que só será feito depois do Natal porque agora estão com muitas encomendas, mas perguntou sério: “a menina está com desejo?”. Demorei um pouco para perceber e disse “não, não está grávida, não”, ao que ela respondeu, “porque, se estiver, nós damos um jeito”.
Não sei porque eu gosto daqui. Aqui estou feliz.

Dorival

Em Tempo: em Janeiro, faremos resumos temáticos da Volta do Atlântico, cobrindo comunicação, navegação, meteorologia, etc.. Aguardem.

Desde Cabo Verde até Salvador percorremos 2.150 milhas náuticas em 19 dias. Foi a viagem mais lenta do Luthier; desenvolvemos, em média, 5 nós de velocidade. Dava desânimo relatar as milhas navegadas no relatório do dia. Os responsáveis: o mar alto, com ondas de período Com nordeste de 20 nós curto, ou desencontrado, e as tempestades tropicais.
Foi uma viagem segura, sem acidentes ou incidentes. O mar mexido sempre deixa uma preocupação com quedas ou queimaduras a bordo, já vimos muitos acidentados graves chegarem em portos e serem transportados em maca. Felizmente, não entramos nesta estatística. É muito importante sempre manter uma mão segurando em apoios firmes no barco, e o uso de cintos de segurança para as fainas no convés; a qualquer momento, uma onda mais alta pode tirar o nosso equilíbrio.
Não tivemos avarias nos equipamentos. Contou para isso rizar o velame com antecedência, mesmo que, desta forma, perdêssemos em velocidade. Também não tivemos nenhum dano no casco ou nos móveis internos, não houve nenhuma porta quebrada ou rachadura no casco pelo esforço da embarcação.
Quase não usamos motor. O fizemos na região dos doldrums, para carregar baterias, e na chegada sem vento a Salvador. No total, foram Ventilação Forçada100 litros. Voltamos com o tanque cheio.
Com os instrumentos eletrônicos de baixo consumo que temos, e os painéis solares, o gerador eólico, e o gerador à gasolina, pudemos manter o conforto a bordo com o uso da geladeira e do dessalinizador.
Os víveres foram suficientes e sobraram, como é a regra dos terços. Não conseguimos adquirir muitos produtos frescos na nossa última parada, em Cabo Verde, mas tínhamos um bom estoque de alimentos industrializados em conserva, grãos, frutas secas e castanhas.
A pesca foi um item importante para o moral da tripulação e para o suprimento de boa proteína a bordo. Fazer pão dá trabalho, mas o resultado traz satisfação e ocupa a tripulação.Albacora
Contribuiu para o ânimo a bordo o contato com o mundo externo e, para isso, o rádio SSB foi essencial.
Constatação: diferente do que ocorreu o hemisfério norte, no hemisfério sul os navios tomavam a iniciativa de manobrar assim que avistavam o Luthier no AIS, a cerca de 8 milhas; depois de nos passar, retornavam à sua rota original.
Para uma viagem tão longa, é muito importante manter o bom humor, a tranquilidade, e os pensamentos positivos. Ouvir música, assistir a um filme ou ler alguma coisa de seu interesse são atividades que distraem, e não deixam que o desânimo tome conta. Vale a pena tirar algumas horas por dia para simplesmente admirar o mar, o céu, e a vida lá fora, pois mesmo bravo o mar é bonito.
Aqui terminamos uma viagem para a qual nos preparamos durante toda a construção do barco, que nos deu a oportunidade de conhecê-lo e sermos capazes de fazer as manutenções que ele exige. A construção foi um período de estudo e de habilitação para as travessias. A paciência, a observação da situação, e o hábito de fazer uma coisa por vez são habilidades que se adquire com ela, e que são cruciais para a navegação.
Esperamos que nossos relatos diários tenham divertido a quem os leu, e que sirvam de parâmetro para quem se interessa em fazer algo semelhante, de forma segura.

Um bom Natal, feliz ano novo para todos.

Catarina e Dorival

 

Um parêntese para as mancadas:

Não é fácil orçar durante dias em mar alto, e fazer a rota que fizemos de forma segura; sem falsa modéstia, exige preparação, conhecimento e equipamento. Isso não significa que não tenhamos dado furos, bobeiras ouPão da travessia mancadas, como queiram chamar.
A mais grave, a do gás de cozinha. Quem é responsável por seu controle, aquele que cuida do combustível a bordo ou quem cozinha? Cachorro de dois donos passa fome, foi o que aconteceu. Contribuiu para o lapso a  carga de gás do botijão novo, comprado no Caribe: a conceituada empresa que nos vendeu fez o serviço e nos cobrou por 8 KG, mas em Cabo Verde viemos a saber que ali só cabem 6 KG; são os piratas do Caribe, que estão em outros lugares também (aliás, em todos). A mancada continua sendo nossa, de não dimensionar os recursos por outros meios.
Os coletes voadores: sim, voaram do cockpit para o mar, com luzes e tudo, assim que se soltaram da rede em que estavam presos. A causa do vôo foi o vento mais forte ou o nó mais folgado da rede. “Who knows?”.
A faca deslizante: ganhamos o peixe e perdemos a faca (o Dorival,  aprendiz de pescador).
A vasilha que baba: uma dessas vasilhas de plástico cuja tampa não é assim tão vedada tombou na geladeira com leite de coco, e fez a maior meleca, difícil de limpar. Por que eu não jogo fora essas tranqueiras?
Por fim, o tira-umidade que eu achei que estava devidamente preso e que tombou sobre os estofados na proa, deixando uma mancha com química que era quente, sobre o seu forro. Eu não aprendo…

Acho que já deu…

Catarina

CHEGAMOS EM SALVADOR – BA. CHOVE NA CAPITAL BAIANA.

VALEU PESSOAL! PELAS MENSAGENS DEIXADAS, POR QUEM NOS ACOMPANHOU (TODOS VOCÊS), QUEM POSTOU NOSSOS TEXTOS (JC), PASSOU OS BOLETINS DA PREVISÃO (JC), E POR QUEM REZOU POR NÓS (MAINHA).

TEMOS MUITAS FAINAS DE BORDO PARA SEREM FEITAS, DEPOIS CONTAMOS MAIS SOBRE A VIAGEM.

ESTAMOS MUITO FELIZES POR ESTAR AQUI, E MUITO CANSADOS.

CATARINA

O Luthier já está próximo de seu destino e, conforme previsto, não enviou hoje os dados das últimas 24 horas. A chegada em Salvador deverá ser na manhã desta quinta feira e poderá ser acompanhada pelo site do Marine Traffic que mostra os dados recebidos do AIS em tempo real.
Na última posição do SPOT às 16:40 de hoje eles estavam a 70 milhas do Farol da Barra.
Vamos aguardar as novidades.
João

Há 12 dias e 1300 milhas o Luthier está no mesmo rumo e bordo. Uma reta desde que cruzou a ITCZ e encontrou os ventos alíseos de SE.
João

13 de dezembro de 2011
16:00 UTC

Posição: 10º 47′.20 S      
                   35º 57′.34 W

Navegação:

Rumo  =  222º
Velocidade =  5,5 nós 
Milhas Navegadas = 128 milhas nas últimas 24 horas 
Distância p/destino = 211 milhas para Salvador

Meteorologia:

Vento = 13 nós de NE (45°)
Ondas = 1,5 m NE 8 seg 
Temp. do ar = 30ºC (10:00 local)
Temp da água  = 27,1ºC
Pressão Barométrica = 1012 hPa (estável) 
Céu aberto

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento ENE 13 a 18 nós, ondas E a ESE 1,8 m 7 s

Estratégia: Rumo direto para Salvador

Comentários: Que peixe é esse? É o que nós nos perguntávamos. Pescamos logo no começo da tarde, parecia um atum, bem redondo e com corpo prateado e dorso azulado, mas não brigou muito, nem sangrou demais. Além disso, tem umas listras marrons na barriga. Fui ver num livro de peixes e é um BONITO-DE-BARRIGA-LISTRADA. Que diferente! Vamos comer assado hoje à noite, rendeu 2,5 Kg, já limpinho; o que sobrar fica para salada. Realmente, pescar traz satisfação. Ganhamos o dia!
Estamos passando por Sergipe. Que pena que este estado não tenha um abrigo para embarcações como a nossa, por conta dos rios assoreados.
De manhã, conseguimos ouvir o serviço-rádio da Embratel em VHF, canal 16, e a previsão do tempo é de pancadas de chuva junto à costa. Tomara que antes de chegarmos à Bahia a chuvarada já tenha ido embora.

Catarina

PS: em Portugal, o Bonito é conhecido como Apluro ou Barrilete

Há mais de um ano, em setembro de 2010, O Luthier cruzava essas mesmas coordenadas no caminho de Recife e depois Fortaleza e Caribe. Agora o Círculo do Atlântico se fecha: um caminho trilhado por navegadores que souberam usar os ventos e correntes favoráveis para descobrir ilhas desconhecidas.
João

12 de dezembro de 2011
16:00 UTC

Posição: 09º 23′.00 S      
                   34º 42′.62 W

Navegação:

Rumo  =  218º
Velocidade =  5 nós 
Milhas Navegadas = 120 milhas nas últimas 24 horas 
Distância p/destino = 339 milhas para Salvador

Meteorologia:

Vento = 13 nós de NE (45°)
Ondas = 2 m NE 8 seg 
Temp. do ar = 30ºC (10:00 local)
Temp da água  = 27,8ºC
Pressão Barométrica = 1013 hPa (subindo lentamente) 
Céu aberto

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento NE a ENE 12 a 18 nós, ondas E 1,5 m 7 s

Estratégia: Rumo direto para Salvador. Vamos nos aproximar da costa lentamente

Comentários: Vamos de vento em popa, que no jargão popular é a melhor e mais rápida forma de ir. Sei que é, seguramente, a mais quente, porque o vento aparente é reduzido da velocidade do barco, e no nordeste brasileiro isso significa CALOR, 35º às 15 horas. Também não tem sido a forma mais rápida, pois o vento é pouco, está na casa dos 13 nós, e há marulho de fundo SE que segura o barco. Mas, estamos chegando ao destino.
A primeira coisa que eu sonho em fazer? Já não me conhecem? Lavar o barco do sal por fora, abri-lo todo para arejar, e colocá-lo em ordem (reduzir a bagunça). Tem roupa acumulada de 27 dias de viagem para lavar, só para começar. O acarajé vai ter que esperar.
Que venha o vento de través!

Catarina

OS: O acarajé não vai esperar tudo isso, não. Fico feliz com vento de alheta. Dorival

11 de dezembro de 2011
16:00 UTC

Posição: 07º 37′.33 S      
                   33º 21′.48 W

Navegação:

Rumo  =  217º
Velocidade =  5,4 nós 
Milhas Navegadas = 126 milhas nas últimas 24 horas 
Distância p/destino = 459 milhas para Salvador

Meteorologia:

Vento = 20 nós de NE (45°)
Ondas = 2,5 m NE 8 seg 
Temp. do ar = 30ºC (10:00 local)
Temp da água  = 27,7ºC
Pressão Barométrica = 1010 hPa (estável) 
Céu aberto

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento vai rondar para NE (45 a 55 graus) e ficar entre 15 e 20 nós, e ondas 2 m 8 s passam a ESE em 48 horas

Estratégia: Rumo direto para Salvador. Vamos nos aproximar da costa lentamente

Comentários: Hoje foi dia de…PEIXE! Pegamos uma albacora com 3 quilos depois de limpa. Já cozinhei todo ela, e guardei em porções; dão refeições para chegar até Salvador. Incrível como os peixes da família do atum não deixam cheiro forte no ar, como o bacalhau ou a sardinha; bom mesmo, porque com as ondas que estão lá fora temos que manter fechadas as gaiutas.
O calor que sentimos aqui é uma brisa perto do que faz em Petrolina, em Pernambuco, e Manaus, na Amazônia, de 45ºC e 47ºC, assim informou uma rádio de Pernambuco. Estamos às portas do verão brasileiro.
Foi na rádio de Pernambuco que escutamos um sucesso dos “Gaviões do Forró”. Há pouco mais de um ano, quando estávamos em Salvador, fomos assistir a um show deles. Ficamos contentes com o sucesso dos rapazes, eles fazem um forró universitário de primeira. Parabéns, moçada!

Catarina

10 de dezembro de 2011
16:00 UTC

Posição: 05º 54′.74 S      
                   32º 06′.19 W

Navegação:

Rumo  =  217º
Velocidade =  4,5 nós 
Milhas Navegadas = 105 milhas nas últimas 24 horas (Ô regularidade nojenta! O mar não deixa acelerar) 
Distância p/destino = 585 milhas para Salvador. Gastamos 100 litros de diesel até agora. Com o que temos já dá para chegar em Salvador, só com o motor

Meteorologia:

Vento = 15 nós de ENE
Ondas = 2,5 m E 10 seg 
Temp. do ar = 30ºC (10:00 local)
Temp da água  = 27,4ºC
Pressão Barométrica = 1011 hPa (estável) 
Céu parcialmente nublado, 20%, chuvas ocasionais

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): Vento ESE a E 12 a 17 nós ondas ESE 2 m 8s
OBS: A previsão do tempo se confirmou, estamos navegando com vento de alheta (110 graus aparente).O mar está mais calmo. Ontem conversei no SSB com o Green Nomad e dois veleiros da Bahia. Também fiz contado em 28.405 KHz com o PY2MSA – Marcos e o PU2UEO – Sales, ambos de São Paulo, PY2HGB – Hélio de Bauru e o PU4SMM, o Márcio de Minas Gerais

Estratégia: Rumo direto para Salvador

Comentários: Correria no meio da madrugada para baixar a mestra: o vento aumentou bastante, trazido por uma nuvem de chuva. Vi uma onda que vinha pelo nosso través com uns 6 metros, calculando pela altura do mastro; a média das ondas era de 3m. Ela chegou e passou numa boa por baixo do barco.
Faz calor. Ontem tivemos 35º C às 15 horas locais. Para dias quentes como estes o nosso almoço tem sido uma salada, de atum com queijo, cenoura ralada ou legumes em conserva, com tudo previamente gelado. E coca-cola gelada.
Hoje é um dia muito importante, o Dia do Palhaço, escutei na Rádio Brasil Central de Goiânia. Há, há, há!!! Quanto mais bobo e pastelão, mais engraçado. Colorido, com uma bola vermelha no nariz, nós (as crianças) adoramos.
Vamos brincar de velejar, criançada!
Catarina

Dorival e Catarina cruzaram a ITCZ numa longitude que os deixou numa boa posição quando entrou o vento SE. Depois economizaram barlavento e agora estão muito bem localizados para arribar em direção ao destino na costa brasileira. E a boa notícia é que, confirmando as previsões, o vento está rondando para leste e depois ENE.
João

09 de dezembro de 2011
16:00 UTC

Posição: 04º 31′.41 S      
                   31º 02′.56 W

Navegação:

Rumo  =  217º
Velocidade =  5 nós 
Milhas Navegadas = 100 milhas nas últimas 24 horas  
Distância p/destino = 690 milhas para Salvador

Meteorologia:

Vento = 25 nós de ESE
Ondas = 3 m ESE 8 seg  – não temos mais o marulho de fundo de NE
Temp. do ar = 29ºC (10:00 local)
Temp da água  = 27ºC
Pressão Barométrica = 1011 hPa (estável) subindo lentamente
Céu parcialmente nublado, 50%, chuvas ocasionais

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): Vento deverá rondar para E até ENE de sábado para domingo, de 13 a 18 nós e ondas diminuindo para 2 m e 7 s

Estratégia: Rumo direto para Salvador
OBS: Ontem falamos com o Yahgan. Hoje vamos chamar em 13983 às 20:30 hs UTC

Comentários: Sem choro nem vela: tive que fazer turnos de vigia. Nem tentei argumentar. Fiquei acordada vigiando os barcos de pesca e as ondas sinistras, sob a luz da lua cheia. Pelo menos nessa hora do dia é fresco.
Estamos no 13º dia de viagem, passando pelo través de Fernando de Noronha, e o mar ainda não deu trégua. Como disse um pescador no VHF, aqui é sempre assim, às vezes é “piorzinho”. Passar por aqui é certeza de ver golfinhos, e vimos muitos, alguns enormes; esse lugar é deles, que assim permaneça.
Cardápio do dia: arroz com lentilha e chouriço frito com cebola (a última). As frutas frescas acabaram, então, como sobremesa, pêssego em calda.
Está tudo muito bom. Mais um dia. Alguns mais e chegaremos lá.

Catarina