sáb 31 dez 2011
VOLTA DO ATLÂNTICO – ENERGIA
Escrito por: Dorival
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O Luthier dispõe das seguintes fontes de geração de energia: eólico de 400W; 400W em painéis solares; alternador de 80 ampéres e um gerador à gasolina de 2000W.
O sol na Bahia de Todos os Santos – Kirimuré-Paraguaçu para os índios Tupinambás, é suficiente para que os painéis solares gerem energia para o consumo do dia e para repor o gasto durante a noite. Mas, não é sempre assim.
Há dias em que o sol passa muito tempo escondido atrás de nuvens, ou temos chuva o dia inteiro. Nesses dias, o painel solar repõe apenas parte da energia. Nossas baterias são suficientes para três dias desses, o que, em geral, é suficiente. Se o tempo ruim durar mais que 3 dias, temos que ligar o motor ou usar o gerador à gasolina. O gerador eólico é pouco útil nas ancoragens porque elas são abrigadas de vento, na maior parte do
tempo.
Navegando, o consumo é maior por conta dos equipamentos de navegação, principalmente, o piloto automático. Nessa condição, dependendo da direção do vento, o gerador eólico ajuda bastante.
Já deu para perceber que, para viver a bordo e velejar por aí, é importante dispor de múltiplas fontes de energia. As baterias só armazenam energia, portanto, tem que haver um balanço entre consumo e geração para que a vida seja confortável e não falte energia a bordo.
Na travessia de Saint Marteen até Flores, o Sol estava no mesmo hemisfério. Nessa passagem, não tínhamos sombra das velas sobre os painéis. Por outro lado, na navegação entre a Ilha da Madeira, Canárias e Cabo verde, com rumo 180º, tivemos sombra das velas sobre os painéis a maior parte do tempo e, além disso, nessa época o sol estava no hemisfério sul, portanto, os raios chegavam com um ângulo baixo, tornando os painéis menos eficientes. Somou-se a isso o vento de popa, muito ruim para o gerador eólico, o que nos obrigou a usar o gerador à gasolina todos os dias.
Durante nossa passagem pela ITCZ, usamos o motor. Nosso alternador com regulador externo de 3 estágios manteve as baterias carregadas e supriu toda a nossa necessidade de energia.
Depois que assumimos o rumo direto para Salvador, desde 5ºN até 5ºS, foi uma maravilha para gerar energia. Navegamos com vento aparente de 60º a 70º. O gerador eólico produziu metade das nossas necessidades de energia. Com o sol no mesmo hemisfério, e sem sombra das velas, os painéis solares produziram o que faltava com sobra. Nessa etapa, não usamos o gerador à gasolina, nem o motor. De 5º S até Salvador, o vento rondou para alheta, e o eólico passou a gerar bem menos, nos obrigando a economizar.
A volta do Atlântico coloca o navegante em todas as situações possíveis, obrigando o uso de diferentes formas de geração de energia.
Mas, não é só isso não. Há dias em que sobra energia, então, dá para falar no SSB bastante, assistir a um filme, entre outros pequenos luxos, enquanto que, em outros dias, é preciso se contentar com uma lampadinha LED, e com a leitura de um livro, porque a energia fica destinada à navegação e à geladeira.
Nós, do Luthier, tentamos, por opção, usar ao máximo as formas limpas de geração: eólico e solar, mas nem sempre é possível. Damos preferência ao gerador à gasolina a ligar o motor apenas para gerar energia.
Para não ter problemas com energia, procure identificar e listar o consumo de seu barco, navegando e ancorado, e verifique se as disponibilidades de geração estão equivalentes. Quando for comprar um novo eletrônico para seu barco, considere o consumo na escolha entre as diferentes opções disponíveis no mercado.
Durante a Volta do Atlântico, nas ancoragens os painéis solares supriram 90% das nossas necessidades de energia. O restante foi fornecido pelo gerador à gasolina. Nos dias de sol abundante aproveitávamos para fazer água com o dessalinizador.
Navegando, os painéis solares supriram 50% da energia; o eólico gerou 30%; 15% o gerador a gasolina e 5% o alternador do motor. Embora tenhamos usado o motor mais ou menos 25% do tempo, normalmente, as baterias já estavam carregadas. Com o motor ligado, abusamos do consumo: torradeira elétrica, secador de cabelos, computadores ligados, muito papo no rádio, etc.. Pelo menos, compensa um pouco o calor que esse monstrinho gera.
Dorival