fevereiro « 2012 « Bem-vindo a bordo!

Archive for fevereiro, 2012

As navegações por mais de 15 dias têm características especiais. Os primeiros dias são mais difíceis, o estômago e o cérebro estão se acostumando com o balanço do mar e uma insegurança em relação à viagem está sempre presente. As tarefas de bordo ainda não estão rotineiras e o sono fora de hora causa cansaço. O lugar novo para onde se vai, ou o retorno para casa, ainda inundam os pensamentos com expectativas, saudades e a inevitável contagem do número de dias para chegar.
Com o passar dos dias, a rotina de ajuste de velas, planejamento da navegação em função da meteorologia, fazer comida, pão, etc., ajudam a estabelecer um novo modo de viver. Você deve estar imaginando que o casco do barco parece o muro de uma prisão, apesar de proteger e abrigar o navegante. Porém, os espetáculos da natureza, desobstruídos de poluição química e visual, encantam, e junto com os e-mails diários e os longos papos no rádio com amigos, velejadores e radioamadores, dão uma sensação de liberdade próxima do ideal.
Dependendo do vento e dos recursos a bordo, o navegante vai se arrumando e se acostumando. Alguns momentos se tornam especiais, um deles é o banho, que renova os ânimos, e outro é quando se consegue pescar ou aparecem golfinhos para saldar nossa passagem.
A partir de conversas com outros navegantes percebo que, sendo um casal, o espaço a bordo é um problema menos importante. Muitos deles dizem que sou um homem de sorte por ter uma mulher para compartilhar essas navegadas. Sou mesmo. Claro que às vezes rola uma briguinha, mas dura pouco, mesmo porque, em geral é por bobagem. Exceto pelo número de ovos na receita de pão, e a abertura de gaiutas durante a navegação (nunca permito isso), sempre concordamos. Afinal, estamos juntos 24 horas por dia há mais de três anos.
Já não se contam mais os dias para chegar, as prioridades na navegação passam a ser a segurança, o conforto e só então a velocidade. A busca pelo vento se torna obsessão, precisamos dele porque não temos diesel para toda a travessia. Por isso que comemoramos quando atingimos o ponto onde temos autonomia para chegar.
Além de conversar sobre a meteorologia, rumo, regulagem de velas, o cardápio do almoço e o que postar no blog, sobra tempo para relembrar os lugares por onde passamos e sonhar com que faremos quando chegarmos ao destino. A duração da viagem faz com que o assunto vá mudando, passando para comentários sobre as notícias que ouvimos no rádio, nosso futuro, saudade dos amigos, família e por aí vai.
De repente, estamos chegando, faltam “apenas” 250 milhas, ou dois dias. Não muda nada, continuamos na mesma toada até o destino, tanto faz se demorar um dia a mais, estamos totalmente adaptados.
A chegada a Salvador foi preguiçosa. Perto de amanhecer optamos por passar por fora do banco de areia que fica em frente ao farol da barra. O banco em si não é problema para o calado do Luthier, mas ali há muitas canoas com pescadores, e esperar para entrar na Baía de Todos os Santos de dia vale a pena.
Já que estamos falando em conforto e segurança, alguns ítens bem baratos fizeram a diferença: pratos e tigelas antiderrapantes, saco plástico para fazer gelo, dosador  para torneiras de água pressurizada e mangueira com válvula para transferência de diesel.  As imagens valem mais que palavras.

Dorival

Em Tempo: O saldo do carnaval em Salvador foi de um dente meu quebrado, comendo amendoim, e uma infecção de garganta na Catarina. Isso atrasou nossa viagem para o Sul por alguns dias.

“Tá” cansado? SAI DO CHÃO, AÍ !!! Quem não pula depois de um grito assim, vindo de um carro de som?
O carnaval de Salvador é para todos, de todas as idades, de bebês de colo fantasiados até senhoras e senhores bem comportados. É uma festa
familiar. E de amor, muito amor entre os casais.

Participamos na “pipoca”, na base do “sem bloco” e sem compromisso. Íamos ao Pelourinho e à Praça Castro Alves, onde passavam os trios que vinham do circuito do Campo Grande. Com vários palcos espalhados, tinha atração para o dia e para a noite. Duro é aguentar tanto agito, teve um dia que pedimos arrego e nem saímos.
Filho de Gandhy Por ser uma festa de rua, você tem que ir limpo; mesmo assim, vimos pessoas passarem com filmadoras e outros equipamentos, e nada acontecer; também não presenciamos nenhuma briga. Havia muito policiamento, e muitos guias turísticos.
Saímos para folia com quem queria. Então, conosco foram gringos e baianos.
O principal para curtir a festa é ir com o espírito de folia porque, o tempo todo, jogam água de umas “armas” de plástico, além de um spray de espuma de sabão, confete, e até cerveja, que escapa do copo de algum bebum.
Quando batia o cansaço, sentávamos em torno de uma mesa de bar no Bonecos no Pelourinho Pelourinho, que tem um carnaval mais calmo, ao estilo antigo, de pequenos blocos e bandas. De lá assistimos à saída do Olodum. Pouco antes, subiu a mesma ladeira um bloco de argentinos que tentava fazer a mesma batida; neste caso, o que importa não é o resultado, é a diversão.
Também assistimos à saída dos Filhos de Gandhy, e à cerimônia em que pedem paz, jogando milho para Oxalá, e soltando pombas brancas. No desfile deles, o branco das roupas deixa um tapete dessa cor pelas ruas. A tranquilidade do bloco, e a alfazema que jogam pelo ar, criam uma clima de paz. E de azaração, porque é carnaval. Beijava quem queria, em troca de um colar. É um bloco só de homens, então, criaram Fantasia uma forma de prender os colares com uma fita bem amarrada, para que a esposa ou namorada tenham certeza de que seus homens voltaram com o mesmo número que saíram. Só que fita não é cadeado, e há muitos colares à venda, então… acredita quem quiser, ou quem confia.
Nem todas as mulheres são anjos. Vi uma lavando os braços no banheiro de um restaurante. A explicação: nem seu pai nem seu marido podiam saber que ela saiu na Timbalada, que faz pintura de branco na pele. Eu perguntei se ela também tinha um colar de Gandhy. O que vocês acham?
Filhos de Gandhy Meu voto neste Carnaval é para a banda Tomate: ótimos som, equipamentos, voz e repertório. Continuam nossos queridinhos a Banda Eva, com o gracinha do Saulo de vocalista, e a insuperável Ivete, na voz e simpatia.
É isso pessoal, a nossa ausência foi por falta de tempo de parar quietos.
Agora já deu o nosso tempo de Salvador, vamos descer nos próximos dias. Como diz a música: “Tchau, I have to go now, I have to go now, Tchau” Salvador, até próximo carnaval.

Catarina

Enfim o baiano vendeu acarajé, abará, cuscuz de tapioca, salgadinhos, cocadas, frutas, água com gás, sem gás, de coco, refrigerante, cerveja, cantou, pulou e … SORRIU.

Dorival

PS: Estou me superando nos videos, cada vez piores.

 

É muito triste ver o baiano triste. Assim eles ficaram a semana toda que passou. No lugar do sorriso no rosto, a preocupação com a segurança. Foi fraco o movimento no comércio e no turismo; poucos se arriscavam a sair para os passeios de escuna, pela cidade baixa ou pela orla. Por fim, todos perderam.
Em meio à onda de insegurança, houve arrombamento da Casa de Yemanjá, mantida por pescadores, com roubo de moedas doadas. Dizem por aqui que quem vai resolver esta questão não é só a polícia, não, é a própria mãe das águas. Não se pode violar os lugares sagrados, nem ofender os orixás; por isso mesmo, o primeiro gole da bebida é sempre para Exu, um respeitado bagunceiro.
A religião é coisa séria na Bahia. Muitas escunas executam o Hino à Nosso Sr. do Bonfim antes de sair para mar, ensinado às crianças desde muito pequeninas.
Por conta da insegurança, passamos boa parte da semana na marina, e nossa interação foi com os estrangeiros que aqui chegam, entre eles, um italiano, pela terceira vez nosso vizinho de bordo. Desta vez, ele já tinha se despedido de todos e seguia para o Caribe, solitário, mas voltou depois de zanzar por dois dias tentando encarar um nordeste e uma corrente de dois nós contra. O motor pediu arrego. Essa nossa costa não é fácil, e ele desconhecia a tal corrente contra, que não consta de suas cartas piloto americanas. A tal corrente está claramente representada nas cartas piloto brasileiras.

Vivemos com o sol nesta latitude. É muito calor e céu claro, sem nenhuma nuvem para aliviar. Já um amigo nosso, da Suíça, andou chateado porque sua casa ficou cheia de água após estourar um cano congelado. Menos mal que está voltando para a Nova Zelândia, onde ficou seu veleiro. É um casal na faixa dos 70 anos, bem dispostos, a maior prova de que à vela se pode ir longe.
Está decidido, não cumprimento mais com “boa tarde!”. A resposta é sempre o “boa!”, apenas. Então, agora também economizo nas palavras, e mando um “boa!”, que às vezes respondem com um “boa! boa!”, vai entender…
Vale tudo, desde que o baiano volte a sorrir. Inegavelmente, é uma terra linda, mas o melhor da Bahia é o baiano, feliz, como eles merecem.
Presenciei a secretária de um consultório soletrando uma sigla pelo telefone. Ela dizia “A”, de amor; “F”, de felicidade; falou o que vai no coração dos daqui.
E o carnaval, como fica? Sabe como é, já que estamos em Salvador, aqui ficaremos para o carnaval. Com recomendações, é claro, minhas amigas baianas deram muitas. Uma: disseram não ser o meu caso, mas concluíram que é melhor passar o carnaval sem o namorado. Outra, que vale para mim: não aceitar o colar oferecido pelos Filhos de Gandhy, pois em troca podem pedir um beijo. Ai, não! Seria uma confusão! Não, só vamos ver a abertura dos blocos, na boa, na Paz, e depois contamos mais.

Catarina

Resolvi escrever ao mesmo tempo sobre navegação, comunicação e meteorologia porque essas coisas estão intimamente ligadas. Na minha opinião, não existe uma data boa, específica, para travessia em mar aberto ou navegação costeira, existe uma época do ano adequada e estratégias para lidar com as forças da natureza. Certamente, não se deve ir contra elas; no mínimo, é desconfortável, e poderá causar danos desnecessários à embarcação.
Estamos acostumados com datas para eventos, pagamentos, início das férias, etc… Uma coisa comum que observei nessa viagem foram os cruzeiros organizados com suas datas imutáveis. O Illes du Soleil, por exemplo, saiu de Salvador na data marcada de 15 de janeiro, com destino a Cabedelo, com previsão de vento de 20 nós NE, ou seja, na cara. Se esperassem 3 dias, teriam vento SE.


Costumo dizer que ter uma data de vôo marcada, seja para embarque ou para encontrar alguém que desembarca em algum lugar, dá azar. Pois é, conheci experientes navegantes que tiveram que enfrentar mar ruim e vento contra só porque um passageiro a bordo tinha que embarcar em um determinado lugar, em um determinado dia.
Sei que todo mundo tem esse problema com datas, e que é muito difícil lidar com isso.
O Luthier é livre, digo isso porque saímos e chegamos nos lugares que queremos, quando queremos, e quando a previsão meteorológica é favorável. Então, como decidimos a data de saída?
Há muita informação sobre as épocas boas para travessias em livros e na internet. As informações dos livros são importantes, mas deve-se tomar cuidado porque o clima está sempre mudando e os livros podem estar desatualizados. Na internet, o cuidado deve ser redobrado, porque além de desatualizada, a informação pode estar errada. Não é porque está na internet que está certo. Já vi absurdos escritos na internet, gente garantindo que o fim do mundo será em determinada data ou que haverá um tsunami monstro, e que isso está comprovado por cientistas, e assim vai.
Conversar com os locais, com outros navegantes, com “skippers” profissionais, reunir toda a informação disponível e então olhar com muito cuidado a previsão meteorológica, é fundamental. Se assim for, você provavelmente decidirá sair no mesmo dia que muitos outros sairão.
Navegantes que saíram de Cabo Verde duas semanas antes de nós encontraram ventos mais favoráveis quando chegaram junto à costa do Brasil, o SE girou para NE. Um deles me avisou para que não me preocupasse, que não era necessário orçar forte com SE porque o vento iria rondar para NE.

Mar de popa entre Cabo Verde e a ZCIT

Nós preferimos não contar com isso e, desde Cabo Verde até sairmos da ZCIT, adotamos um rumo mais para leste, para poder orçar mais tranquilo com o SE. No meio do caminho, fomos percebendo que o SE não ia rondar, e não rondou. O vento só começou a ficar mais favorável abaixo de 6ºS. É isso mesmo, as condições meteorológicas mudam em alguns dias. Qual a mágica? Como sabíamos disso? O Luthier recebe e envia e-mail sem limite de caracteres via SSB. Como radioamador, faço isso sem custos. Para quem não é, existem duas empresas que prestam esse serviço a preços razoáveis. Recebemos “Weather Fax” e mapas de vento e ondas para áreas grandes. O João Carlos, do Veleiro Yahgan, nos ajudou muito, porque em terra ele tem muito mais fontes de informação e prepara a previsão que recebemos por e-mail, via SSB.
A previsão meteorológica, quando feita usando os resultados de diferentes modelos matemáticos, considerando os relatórios e cartas do NOAA, Meteofrance e Meteomarinha do Brasil, fica muito boa. Toda vez que não tive as condições previstas, elas aconteceram algumas horas mais cedo ou mais tarde, ou um ou dois graus mais adiante.
Saímos da ZCIT em 5ºN 23ºW, onde encontramos um bom vento SE. Um dia depois, tivemos ventos de mais de 30 nós, mar todo branco. Ficamos à capa por algumas horas, e tudo voltou ao normal, vento SE de 20 nós. Esse é um bom exemplo de efeito local. Essas ocorrências, que não aparecem na previsão, duram pouco tempo.
O Transponder AIS (sistema com transmissão) é muito útil. Os navios identificavam o Luthier à 8 milhas de distância, o que é suficiente para que possam manobrar de forma que o PMA (CPA em inglês), ponto de maior aproximação, seja de mais de 1 milha.
O principal uso do radar foi para identificar pirajás durante a noite, porém, infelizmente, ele identificou também enormes pesqueiros que navegam com tudo desligado, luzes, AIS, etc.. Não respondem a chamadas no VHF, e não manobram. O VHF do Luthier ficou ligado o tempo todo no canal 16. Monitorar o 72 também é uma boa idéia, os pesqueiros se comunicam em espanhol e japonês nessa frequência. O VHF foi muito usado para comunicação com navios.
Veleiros também são perigos à navegação. Totalmente apagados por problemas de geração de energia e armazenamento (bateria), normalmente navegam sem tripulante na vigia, ou este está dormindo.
Se não tivéssemos o radar, não saberíamos dos barcos de pesca e veleiros apagados. Talvez tivéssemos que correr para lidar com velas por conta de um pirajá noturno.
Se não tivéssemos o AIS, teríamos que manobrar porque os navios não teriam tempo de fazê-lo porque só nos veriam à 2 ou 3 milhas.
Sem a comunicação e o acompanhamento da previsão do tempo para decidir o melhor rumo, não teríamos feito uma viagem confortável e sem danos à embarcação.
Junto com o Luthier saiu de Mindelo um motorsailing de 52 pés. Durante os primeiros dias, eu passava para eles a meteorologia pelo VHF, e depois pelo SSB, porque como eles usavam o motor o tempo todo, adotaram um rumo direto para Fernando de Noronha e, por isso, fomos nos afastando. Quando estávamos em 8ºN, perdemos o contato pelo SSB, a transmissão deles ficou fraca demais.
Soube depois que logo que eles saíram da ZCIT, o eixo do hélice se partiu próximo ao motor, menos mal porque assim não embarcou água. Sem motor ficou muito difícil vencer o SE e, por isso, ficaram 90 milhas ao norte de Fernando de Noronha. O próximo equipamento que quebrou foi o leme de vento; logo depois, o estai de proa não aguentou e arrebentou. Por sorte, o “baby-stay” conseguiu segurar o mastro. Foram rebocados pela Marinha do Brasil para Fernando de Noronha. Essa tripulação tem história para contar.
Não temos heroísmos para contar, tudo correu bem nessa viagem. Claro que, durante toda essa volta pelo Atlântico tivemos algumas pequenas avarias e tivemos que fazer pequenos reparos, mas isso eu conto num próximo post da série.

Dorival

Passamos a semana em Gamboa do Morro, um povoado próximo do famoso “Morro de São Paulo”, ambos pertencentes ao Município de Cairu, na Bahia. É um lugarejo bastante simples, formado por poucas Gamboa do Morro - 1ruas. Parte da orla está tomada por algumas casas singelas, ao lado de um cais de desembarque de concreto com intenso movimento de embarcações e pessoas.
Quando chegamos, havia um único veleiro além do nosso, numa ancoragem distante, e muitas pequenas embarcações ao largo. A primeira dúvida que surgiu para lá permanecermos foi quanto à segurança, pois tínhamos a informação de que estava sendo iniciada uma greve de policiais na Bahia. Apesar da simplicidade, o distrito de Gamboa do Morro nos pareceu tranquilo, pacato, com origem numa pequena vila de pescadores que hoje vive, também, do turismo. Todas as vezes que íamos prender o bote inflável com cadeado no cais, nos diziam, quase ofendidos, que ali não precisava daquilo, que ninguém iria “bulir” com ele.Gamboa do Morro
É um lugar arborizado, que mantém grande parte da vegetação natural de mangues e matas baixas, a perder de vista, com praias limpas, de água transparente. A jóia do lugar é a Coroa do Meio, com piscinas de água morna na maré baixa, ou melhor, de água quente, porque a temperatura média tem sido de 29º C.
Há muitas poitas em frente à praia, logo após o cais de desembarque, para as embarcações de passageiros, de pesca, lanchas e canoas. Ficamos em uma delas, cedida por um amigo. Ali o mar rola um pouco, principalmente por conta do grande tráfego das embarcações, fazendo marolas, e pelo movimento das marés.
Os catamarãs com destino a Morro de São Paulo, partindo de Salvador,  também param nessas poitas. Soubemos que estas embarcações gastam, a cada viagem, cerca de 100 sacos para vômitos, fornecidos aos Coroa do Meiopassageiros. Elas andam muito rápido, e batem bastante no mar quando este está pouco mais alto, daí os passageiros chamarem o “Raul”. São lavadas a cada viagem de ida e volta. Ave-Maria! Imagine só quanta inspiração num só lugar, em dia de mar alto, tanto auditiva quanto olfativa!
Em Gamboa não há caixa eletrônico de banco, para sacar dinheiro tivemos que ir até Morro de São Paulo com o nosso bote inflável. Ali chegando, nos deparamos com um portal de pedra, que compõe a estrutura de uma fortaleza centenária, o que deu a idéia aos governantes locais de cobrarem R$12,00 por turista que por lá passe, a título de “taxa de turismo”. Falamos que queríamos apenas sacar dinheiro, a Morro de São Paulo poucos metros dali, e nos deixaram passar sem pagar. É uma medida ao menos antipática, sendo que deve haver formas mais criativas de se angariar dinheiro junto aos turistas.
A internet em Gamboa esteve fora do ar, e só no último dia conseguimos um acesso wi-fi, que dá mais conforto para rodar os aplicativos que estão em nosso próprio computador. Consultamos as previsões de tempo e vimos que entraria um vento contra para descer a costa; resolvemos adiar a nossa ida.
 
Voltamos para Salvador. Na viagem para cá, ouvimos os avisos-rádios para assistir ou informar quanto a 3 tripulantes desaparecidos de uma lancha que bateu nos recifes nas proximidades de Itaparica, no último Ponta do Curral dia 24 de janeiro. Na nossa viagem até Morro estivemos olhando atentamente, procurando por eles, sem sucesso. Foi um acidente ocorrido numa área abrigada de uma baía, num dia de tempo bom; independentemente das causas, revela a seriedade da navegação, pois um simples passeio pode se transformar num transtorno, e   numa tragédia.
Em Salvador, vamos aguardar uma condição de tempo favorável para partir, além de buscar umas peças de reposição e dar um jeito no nosso eólico, que está falhando, ele que é essencial para a nossa geração de energia à noite, em travessia. E quem disse que é preciso um motivo para voltar a Salvador? A onda de insegurança vai passar.

Catarina