qui 26 abr 2012
IR E VIR
Escrito por: Catarina
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A praia no Brasil é pública, certo? Sim, mas muitas vezes, a faixa de areia fica espremida pelos alambrados que cercam as propriedades particulares. Mesmo as passagens de servidão são interrompidas por cercas, por onde só se passa com autorização do proprietário, após a garantia de que os animais de guarda estão trancados. Podemos entender as preocupações de segurança dos proprietários, mas, como fica o direito de ir e vir? Por sorte, essa não é a regra em Ilha Grande, onde ainda há muitas praias em que os donos do terreno dispensam o alambrado e o cachorro bravo.
O Brasil realmente começa depois do carnaval. Temos passado sozinhos nas ancoragens, com um ou outro estrangeiro por perto, regra quebrada apenas nos finais de semana; no último, veio o Veleiro AvisRara, de Teresa e Luís, e com eles demos uns bordos pela ilha, fomos a umas praias especiais, de água transparente entre as pedras, convidando para mergulhar.
Na nossas caminhadas pela mata sempre aparecem cachorros mansos, que nos acompanham pelo trajeto. Em geral, eles correm na direção do Dorival, pressentindo que ele gosta de bichos, como bom aluno que foi
de colégio de padres franciscanos. Assim, dispensamos os “pet” a bordo, os nossos bichos estão soltos pelo caminho.
Para navegar na Ilha Grande, toda atenção deve ser dispensada aos troncos de árvores na água, pois se a embarcação estiver a motor eles podem bater no hélice. Também os sacos plásticos nas proximidades dos portos são um perigo, desviar deles é aconselhável para não tamparem a entrada de água de refrigeração do motor. Incrível, o alto mar não exige tanta atenção.
O rádio VHF tem sido nossa melhor fonte de informação sobre previsão do tempo, atividades na área, contato com outros navegantes, etc… Algumas vezes, há palhaçadas, mas nada muito sério ou que atrapalhe. Depois de insistentes chamados: bote …. aqui TelemarAngra, alguém repicou e rimou: “homem bêbado no fim da noite só PEGA BARANGA”.
Desde que cheguei, todos observam que meu bronzeado deixa a desejar, para quem está há anos a bordo. Normal a observação, esse é o padrão de beleza do brasileiro, e mais ainda do carioca. Acontece que eu não fico jacarezando no sol, porque tenho fobia à luz. Já ouvi dizer que, no mar,
tubarão é menos perigoso que sol; é fato, a radiação cumulativa é a causa de muitos carcinomas. Logo, logo, vamos fazer nosso “check-up”, incluindo a visita a um dermatologista.
Mais um feriado, mais chuva a caminho, com previsão de ventos fortes. Nada de ir para o lado de fora da Ilha. Antes da chuva, vamos aproveitar para mergulhar numas pedras aqui perto, visitar umas tartarugas e umas lígias que vivem por lá. Enfim, aproveitar o paraíso particular. Alguém sabe se a renovação do título de eleitor, com o cadastro eletrônico do dedão, pode esperar?
Catarina
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