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Archive for maio, 2012

“PI-RU”: não é o som de golfinhos caçando, nem de bichos na mata, nem do VHF náutico, é do apito da máquina de senhas das clínicas médicas e laboratórios. Por que eu fui inventar de fazer check-up médico?
Estamos em São Paulo, a terra conhecida pelo jargão do pedido ao garçom: “me dá um chopS e dois pasteL”, ou “dois pãozinhO” (“dois pãezinhos, faça o favor”, responde o português da padaria). Por que será que as melhores padarias são comandadas por portugueses, ou seus descendentes? Aqui é a terra das boas!
É também a terra dos salgadinhos de bar, em que não pode faltar o preferido, a “coxinha”, existe até o “Palácio das Coxinhas”, para todos os gostos.
Está fora de controle o vício na internet: durante o exame ergométrico, o profissional ficava conversando no chat do MSN, medindo a pressão nos intervalos (da conversa). A pressa também é regra: há quem faça o exame de ecografia passando por cima de um mioma conhecido e nada vê ou registra, ou aquele que faz o ritual do exame de vista sem examinar o fundo do olho. São os piratas de terra, mas há os bons profissionais, a maioria, com certeza.
Não vai dar tempo de ver todas as pessoas queridas. Sorte que deu para encontrar muitas delas.
Deu para visitar as boas livrarias, lojas de informática, som e imagem, levar um banho de tecnologia.
Para quem pediu notícias: amanhã é dia de encarar o mar verde das plantações de cana da estrada que dão para o interior do estado, por um bom motivo: levar bananas-passa para mainha, dadas por um guia turístico com remorso, querendo limpar a sua barra. Vamos ver o que teremos de lanchinho na trilha até Dois Rios. Ilha Grande, nos espere.

Catarina

Enseada do Abraão 

“Minha filha, não é perigoso esse passeio pela mata?”.
“Não, mãe, aqui não tem onça ou jaguatirica” (têm cobras, mandruvás de fogo, enxame de vespas, troncos caídos e caindo, pedras lisas com limbo liso: tudo isso, eu não contei).
“Mas, então, vocês precisam de um guia”. “Nós temos, mãe, é o João, do Yahgan e Luthier no Saco do CéuVeleiro Yahgan”. Um guia? Não é bem assim…
Estávamos passando o feriado de primeiro de maio na Enseada de Sítio Forte, mofando em meio ao mundo de água que caiu naqueles dias. O João tinha chegado ali uns dias antes, atraído pela nossa segunda  proposta (a primeira não tinha sido suficiente), de churrasco de picanha com vinho português e pudim de sobremesa. Foi ele que nos falou sobre uma trilha na Ilha Grande, que partia do Saco do Céu e ia até a Cachoeira da Feiticeira.
Passado o feriado, abriu um lindo dia de sol, e lá fomos nós até o Saco do Céu. Pusemos todas as velas para secar, numa Trilha para Abraãoboa velejada. Quando chegamos, fomos conferir os locais das trilhas, que passam por duas praias; eis que, o nosso guia é tomado pelo primeiro acesso de esquecimento, pois não se lembrava delas. Veja bem, não são quaisquer  praias, são lindas praias de areias douradas, água transparente, mata por todo o lado que se vê, com um lago de água doce nas margens, cheias de pássaros e pequenos animais. Depois de pegarmos informações com os locais, vimos que a mesma trilha que ia à Cachoeira da Feiticeira, também levava à Vila do Abraão, mas tomaria mais de uma hora, e ficaria escuro para voltar no mesmo dia. Decidimos ir no dia seguinte, logo de manhã, até o Abraão. Areia douradaAh, se eu soubesse… Duas horas e tanto de caminhada! Sem lanchinho, porque o nosso guia não levou as prometidas  bananas-passas , e ainda ficou contando que existem delas com recheio de chocolate, etc… Foram três subidas íngremes, a primeira logo após a praia, com uma escadaria de pedras da qual o guia não se lembrava, e a última, antes de chegar no Abraão (será que eu me esqueci de alguma?).
Na altura da trilha para a Cachoeira da Feiticeira, vimos mochilas numa árvore e algumas marmitas de comida. Pensei: para esse povo Praia em Ilha Grandetrazer comida assim, deve faltar muito chão. A partir deste ponto, passamos a encontrar muitos estrangeiros pelo caminho, alguns transparentes de  tão brancos, a tudo fotografando e observando. Não demorou muito, e  chegamos.
Tudo andou bem, nós também. O único incidente foi uma queda minha, quando escorreguei no limbo de uma pedra; sorte que a minha mãozinha segurou o meu peso, e foram só alguns arranhões.
A Vila do Abraão está com uma fachada bem melhor que há dois anos, quando estivemos ali. Realmente, um primor, com tudo arrumadinho.
Aqueduto no meio da mataEu estava tendendo fortemente a pegar um táxi-boat para voltar para a casa, mas os meninos estavam tenazmente decididos a andar de volta. E assim voltamos, caminhando.
Incrível, a volta foi mais fácil. Pensando bem, a ida não foi tão difícil assim. A conversa de quem fala pelos cotovelos (todos nós), e a boa companhia, acabam distraindo a tropa, e não se vê a hora passar.
E assim se passou mais um dia nosso na Ilha Grande. Desse dia, eu não vou me esquecer.

Catarina