junho « 2015 « Bem-vindo a bordo!

Archive for junho, 2015

Estamos presos em Vitória. Primeiro, foi o vento nordeste que entrou; depois, uma frente fria de passagem rápida, e agora,  uma frente que levantou o mar para de 3 a 4 metros .

Não é preciso ir lá fora para confirmar o que os Avisos dizem, basta ver o mar e o vento, que entram com tudo no “piscinão” para visitantes do Iate Clube.

Nossos amigos de Salvador vão ter que esperar um pouquinho mais. Eles mesmos contam que por lá o mar está “punk”, com casos de resgate no mar, e chove a cântaros.

Esperando as ordens do Tempo, nosso patrão, assim como nós, está a tripulação de um barco de UK, ancorado lá fora, com a diferença que eles estão descendo, e nós, subindo. Por incrível que possa parecer, acho que eles vão embora antes de nós, em pleno inverno.

Outro dia, fomos convidados por eles para um jantar. No cardápio, Pizza! Disso,  gente de São Paulo entende, e gosta. Com um detalhe, a pizza deles é servida com salada de batatas e maionese. Como explicaram, isso é comum no Reino Unido, e eles mantém a prática. Contaram que aqui, quando saem para comer fora, dispensam o arroz e a farofa, e pedem as batatas.

Ao servirem a pizza, nos advertiram para tomar cuidado com “pedras” na comida. Meu Deus! Vamos ter que separar pedras agora, pensei eu…. Santa Ignorância, as pedras (“stones”) se referem aos “caroços” das azeitonas, os coitadinhos não têm na língua deles esta palavra.

Fato é que a pizza estava uma delícia, a sobremesa ainda mais, e as batatas foram a maior prova de que o que eles queriam fazer era agradar, com o que sabem.

A cidade de Vitória nos surpreendeu. Está bem cuidada, mais policiada, e não parece ter sofrido como o Rio com a crise da Petrobrás. Daqui do Clube se tem acesso a tudo a pé, o que é uma facilidade. Mas, é uma capital, com os problemas de poluição decorrentes da exportação de ferro, o chamado “pó preto”, atualmente objeto de uma CPI na Câmara dos Deputados Estaduais, que devem propor ações compensatórias pelas empresas poluentes.

E dá-lhe pó preto no barco!

Catarina

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Foi o pior mar que nós já pegamos. Não foi o mais alto, mas o mais curto, e desconfortável.

Estava prevista a entrada de uma frente fria, com mar de 2 metros, em média, vento de 20 nós, e chuva, nada demais. Não havia nenhum aviso de ressaca ou mar grosso para a área.

Saímos de Búzios ao amanhecer, esperando por ventos mais fortes perto do meio dia, com mar de sul. Aos primeiros sinais de aumento de vento, rizamos as velas.

Tudo ia como o previsto, exceto pela novidade de uma entrada de água no compartimento do motor, mesmo desligado. O Dorival estava procurando a causa.

O vento foi aumentando, as ondas também, de uma forma que, a 10 milhas do Cabo de São Tomé, as ondas eram de 2 a 3 metros (medidas pela altura do bimini), vindas de sul, com tempo estimado de 6 segundos entre elas. Vinham também ondas de nordeste.

O barco chegou a ficar com a proa enfiada em uma onda, e a popa no cavado de outra. Com as pancadas laterais, inclinava até 35 graus. Coisas que nunca aconteceram antes: as portas da cabine de popa e do armário do banheiro abriam a cada pancada, e elas tem trancas parrudas; caiam objetos dos buracos para guardar coisas; era impossível esquentar alguma coisa no fogão.

A noite se aproximava e o Dorival já tinha drenado água para fora, mais de uma vez. Não parecia que o barco ia ser inundado, nem sequer a bomba de porão tinha sido acionada, mas esse é o tipo de coisa que deixa a gente estressado.

A noite prometia. Fizemos a tradicional vigília em turnos, por conta dos barcos de pesca. Ocorre que não tinha nenhum barco de pesca, ninguém se arriscando na área. Pelo rádio, ouvimos que estavam suspensos os serviços de transporte para as plataformas.

Ao amanhecer, o vento sul foi miando; o mar, não. Estávamos em dúvida se o nordeste ia ganhar força. Também estávamos intrigados com a água entrando no barco; e se começasse a entrar mais? Resolvemos desviar a rota original para Vitória.

O barco chegou inteirão, nós acabados. No dia seguinte, entrou um aviso de mar grosso para a área, e o vento nordeste. A água que entrava era decorrente de um problema de efeito sifão na mangueira de saída da bomba do porão do motor, o que nunca ocorreu antes.

Por ora, estamos atracados no Iate Clube do Espírito Santo, cuidando da amarração do barco para a entrada de outra frente fria, prometendo mar de 3,5 metros lá fora. Mas amanhã é dia de competição internacional de canoagem, já vimos alguns ensaios, e feirinha de quitutes na Praça dos Namorados; por enquanto, vamos ficando por aqui.

Catarina

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Chegou a temporada de molhar a bunda no mar. Nos traslados de bote sempre se molha, nem que seja um pouco, sob o vento e o mar que entram com tudo na Enseada de Armação de Búzios.

Aqui não é Ilha Grande, definitivamente. A paisagem é quase a do nordeste do país, de morros baixos e águas verdes claras, a não ser pela temperatura desta, que está em 22,5 º C.

Hoje na ancoragem tivemos pico de 27 nós. Um barco francês garrou. Estamos sossegados quanto ao belga da nossa proa, porque apesar de ser um tanque de guerra de aço, conhecemos o seu capitão em Ilha Grande, que contou ter 100 m de corrente, e uma superdimensionada âncora.

Também tivemos vento de 25 nós contra a 20 milhas da nossa chegada; para aumentar a emoção, a bomba de refrigeração do motor não funcionou porque estava sem água, quando paramos de velejar, bem perto da ponta de pedras da entrada. Isso pode acontecer; na navegação também é necessário um Plano “B”.

Nem sempre é assim. Nos últimos dias o vento estava zero;  às vezes, soprava uma brisa. Isso também não é bom, porque concentra o cheiro de diesel das embarcações de pesca que ficam à nossa volta, rodando o motor tó-tó-tó-tó a noite toda, para acostumar as sardinhas que serão usadas nos espinhéis lançados na plataforma.

Falando em peixe, não apareceu nenhum na isca do Dorival, que precisa fazer um estágio nos barcos ao lado. Estou esperando, mesmo porque, em Búzios só ficam os peixes pequenos, trazidos pelas canoinhas; os atuns e dourados vão para entrepostos de pesca do Rio e Macaé.

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Em tempo, estamos testando uma nova técnica contra enjoo, indicada pelo nosso “brother” Ricardo Freitas, “expert” do Sailing e outras paradas mais. Deu muito certo com mar e vento contra. Vamos testar nos próximos dias, com mar alto e vento de alheta, para ver no que vai dar.

Catarina