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Fomos convidados para uma excursão a Siribinha, um povoado de pescadores situado a 180 km ao norte de Salvador, onde aconteceria um encontro internacional de capoeira.

Não somos capoeiristas, mas era uma oportunidade de conhecer a Bahia não turística, já que o lugar não tem internet, nem lojas, comércio ou caixa eletrônico, não passa cartão de débito ou crédito, e a ligação por celular só é concluída se feita  de um “pier” de madeira sobre o Rio que corta a Península.

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Chegar de veleiro ali é possível apenas no verão, com mar calmo, maré alta e sem vento, rezando para que o motor não pare de funcionar de repente.

A saída da excursão estava marcada para às 13:00 horas de uma quarta-feira, do Pelourinho, IMPRETERIVELMENTE, como dizia um aviso afixado na Academia. Saímos às 14:30, rumo à Baixa do Sapateiro, para pegar os ônibus. (Só na Bahia! O ônibus embarca todos os passageiros e só depois vai abastecer. Dorival)

Na excursão foram grupos de russos e poloneses, canadenses, americanos e japoneses, cujos mestres capoeiristas são baianos.

Próximo à Siribinha, o ônibus parou por conta de uma manifestação de moradores contra a Prefeitura, reivindicando obras para barrar a invasão da água do Rio sobre as ruas. Os baianos do ônibus questionaram a motivação de tanta “lentitude”, mas logo viram uma oportunidade de fazer uma roda de capoeira em frente a uma igreja, enquanto outros iam negociar a passagem.

Tudo passa, e chegamos à noite em Siribinha. Alguns estrangeiros vieram se queixar para nós, por conta dos atrasos e contratempos. Para nós, estava tudo bom, mas eles são mais estressados com horários e “performances”, não costumam ver o resto.

O que se viu no encontro foi que os grupos de nacionalidade diferentes se mantinham separados dos demais, na hora de comer, conversar e se divertir. Se houve choque de culturas? Claro que sim! Um caldeirão. Na nossa modesta opinião, a globalização é puramente comercial, não integra culturas. Mesmo os baianos, ficavam juntos entre si, e comiam em local diferente.

Nós já estamos acostumados a não sermos de lugar nenhum, não sermos reconhecidos pelo grupo local. Vamos atrás de natureza, de coisa diferente, e vimos! Vimos tartarugas nascerem em ninhos na praia, vimos o encontro do Rio com o Mar – a barra, e ouvimos um pouco da opinião de cada tribo.

Interessante que alguns estrangeiros se queixaram de ter que treinar com outros menos experientes. De onde viemos, isso faz parte. Até na capoeira, para se tornar mestre, a exigência é ter alunos. A noção do corpo e do próprio desempenho é coisa complicada… Tem gente que não tem noção!

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Deu para se divertir e aprender alguma coisa da capoeira. Até participamos da “emboscada”, brincadeira séria em que o capoeirista é surpreendido em quebradas na rua. Não levei nenhuma bordoada de chicote de palmeira, porque protegi o abdome; quem resolveu proteger só o rosto, se deu mau.

Comemos a melhor cocada do mundo, acreditem! Saídas do forno, com o puro coco da região. E conhecemos um pouquinho mais da Bahia. Não vai ser fácil, o dia de sair daqui.

Catarina