setembro « 2015 « Bem-vindo a bordo!

Archive for setembro, 2015

Liguei para a minha amiga Sandra, baiana “da gema”, para combinar uma visita. Ela tinha sido operada, e eu queria saber se ela precisava de alguma coisa, e o que eu poderia levar. Ela me advertiu para não levar nada  XXXMOSO (???) – Cremoso, Sandra?,  perguntei, e ela respondeu: “XXXMOSO”. Xinguei a operadora de celular, que faz tudo parecer som de lata, e avisei ao Dorival: – A Sandra não quer nada cremoso.

Levei biscoitinhos secos, bolo sem recheio, pãezinhos. Quando cheguei, logo falei que não tinha nada cremoso. Ela me corrigiu: REMOSO! Acontece que eu nunca tinha ouvido esta palavra, que existe, está no dicionário, e se refere a todo alimento que pode prejudicar a cicatrização ou  a recuperação de um doente, como camarão, frutos do mar, coisas gordas, e até o chocolate. Depois de muita risada, ela continuou o baianês, falou que um sujeito era moderninho (quer dizer “jovem”), e que o médico tinha sido “ligeiro” na consulta.

Para tristeza da minha amiga, a tia dela, a gracinha da Stella, nos convidou para uma feijoada (remosa) na casa dela. De primeira, e com feijão preto, ao gosto dos paulistas e cariocas.

Outro dia, o Serginho da Marina perguntou ao Dorival se ele tinha resolvido aquela “ZOADA” no motor. Ele se referia a um “barulho” no motor, cuja origem o Dorival estava procurando.

Não falo mais nada. Outro dia, um gringo perguntou como ele poderia sair na rua sem parecer como tal, vestir-se como os locais, como indicado nos seus manuais. Simples, eu disse, com mais colorido na roupa. E não é que ele sai com uma bermuda horrorosa, com retângulos vermelhos e cinzas, um tênis verde-limão  e uma pochete azul?  Ok, é colorido, mas precisa ornar! Ele deveria trajar uma bermuda rosa e camiseta verde, por exemplo, como faço eu. Questão de bom gosto.

Estamos com um pé na estrada. Estamos fazendo tudo  bem devagarzinho, mas bem feito, o que pode retardar um pouco mais a nossa saída.

Os nossos amigos do Andante, Carapitanga e Safo já foram embora por conta da REFENO. Vamos torcer por eles, e reencontrá-los em Natal.

Sem pressa…

Catarina

Em tempo: texto sem fotos porque a Internet daqui está sem pressa também.

Justiça seja feita! Não é só o ônibus para Siribinha que abastece  com combustível depois de embarcar os passageiros, o avião de Campinas para Salvador também! A única diferença é o aviso do Comandante do avião pelo sistema de som.

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Se na viagem para Siribinha a expectativa era o contato com natureza, para Campinas era o estresse de voar (compensado pelo fato de rever a família e amigos), e as inevitáveis visitas  aos shoppings centers.

Numa dessas incursões consumistas, topamos com um livro eletrônico (um e-book). O hábito de ler é uma regra entre os cruzeiristas, é lazer e informação garantidos onde a internet e o cinema não chegam.

O e-book é uma facilidade, pois guarda muita informação, que não vai pesar no barco, nem vai amarelar como o papel. A dúvida era se seria cômodo para ler, e se poderíamos ler os arquivos em PDF. Não temos mais dúvidas. O que compramos, em promoção, é bom demais! Já baixamos todos os livros da Marinha do Brasil, temos um monte de memória restante, pudemos baixar vários livros de domínio público (“epub”), a bateria dura um tempão, e agora estamos disputando quem vai usar.

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A viagem foi também nossa oportunidade de fazer um “check-up” médico antes de seguir a viagem. Por sorte, temos médicos gracinhas, de confiança, o Dr. Eson da Fonseca e o Dr. Lísias Nogueira Castilho, especialistas que vêem o todo.

Têm também aqueles que brincam com o perigo, como o dermatologista que prometeu tirar umas pintas minhas, no consultório mesmo, sem anestesia e, supostamente, sem dor. Coisa nenhuma! O Dr. disse não entender como eu ficava tão nervosa com o procedimento, mas enfrentava o mar. Deixe ele, inocente, não sabe que agora os nossos amigos são o Quebra Osso, o Pezão, o Orelha, o Cabaça (apelidos de capoeiristas), e tantos mais.

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Eu sou corajosa. Só desmaiei com a vacina de tétano. Voltamos a Salvador e fomos tomar vacina na Faculdade de Medicina, a mais antiga do Brasil, localizada num prédio maravilhoso no Pelourinho.  Encarei bravamente a segunda dose da vacina contra Hepatite B, sem chorar.

Na volta a Salvador, a realidade da nossa vida náutica: o Dorival segue sem pescar. Na última tentativa, perdeu a lula artificial para um dourado. Tem um amigo baiano prometendo sair com ele no próximo final de semana para ensinar a arte. Vamos ver o resultado…

Catarina