novembro « 2015 « Bem-vindo a bordo!

Archive for novembro, 2015

Pescamos um outro dourado, na viagem de Tobago para Grenada,  maior que o da travessia entre Natal e Tobago. Quando vimos a movimentação de peixes voadores, e de pássaros, já sabíamos que tinha dourado caçando no pedaço. Ponto para a lula gay, e para o Dorival, que brigou para embarcar o peixe.

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Aproveitamos uma pequena janela de tempo para fazer a viagem, sabendo que depois o mar ia ficar mais alto. Em Charlotteville, estávamos rolando fazia muitos dias, porque lá o mar de norte/nordeste entra com tudo. Estava difícil até para descansar.
Deixamos os nossos amigos Luis e Marli, que devem seguir para Chaguaramas, em Trinidad. Antes eu fiz a prometida feijoada para eles, só que sem laranja, nem couve, porque ali não encontramos nada.
O que precipitou nossa saída de Tobago foi a novidade da última viagem: o guincho quebrou, na verdade, apodreceu. Ficamos na mão, o  que é um perigo no Caribe, onde todo mundo garra, o tempo todo, e você tem que sair às pressas para evitar uma colisão, o que aconteceu com um barco à nossa volta, um baita estresse.
Aqui estamos tranquilos, conseguimos uma poita, por bom preço (menos da metade do Iate Clube do Natal, com direito a usar os banheiros e a estrutura da marina, incluindo internet wi-fi). Só que tem que fazer a reserva antes, uns italianos que estavam em Tobago não fizeram e tiveram que sair, a nossa foi a última reserva.
Em cinco anos, muitas coisas mudaram por aqui. Em primeiro lugar, os brasileiros não precisam mais de visto. Também não é exigida a comprovação da vacina de febre amarela (em Tobago também não, só assinar um termo de que estava vacinado). A novidade é que estão pedindo o Call Sign e MMSI.
Quando entramos na loja da Budget Marine, aqui em Prickly Bay, levamos um susto. Prateleiras praticamente vazias, perto da bagulheira de coisas que vendiam antes. O vendedor disse que as vendas vêm caindo 10% a cada ano. Crise. Realmente, os barcos da ancoragem são, em geral, mais velhos, de pessoal mais simples. Na cidade não há edifícios novos, há muitos barracões abandonados, e o esgoto corre à céu aberto para o mar (isso já era assim). Também há muitos veleiros e barcos abandonados próximo às margens.
O que eu não me conformo é que uma ilha que não tem indústrias de peso, não produz quase nada, nem laticínios, nem frutas e legumes, importa alimentos como cenoura, batata, maçãs, e todos os industrializados, pode ter uma moeda que vale 30% mais que o real.
Que o dólar americano está irrealmente mais valorizado que todas as moedas, é sabido. Mas o porquê do real estar tão desvalorizado, também parece irreal, aliás, surreal. Temos o agronegócio, extração de petróleo, indústrias de base, serviços, como pode?
Para passar o cartão de crédito, aqui ainda usam a tarja magnética, e dão para você assinar.
A ancoragem em Prickly Bay é para serviços, próximo de marinas e lojas náuticas. Mesmo assim, é legal, dá até para nadar. Mas vamos mesmo trabalhar.

Catarina

As diferenças culturais e linguísticas sempre geram dúvidas e confusões. Bem-vindas, afinal, é chato ver sempre tudo igual.
Estávamos esperando os oficiais da imigração de Tobago nas escadarias da Biblioteca em frente, onde um americano também aguardava a abertura da Biblioteca. Conversa vai, conversa vem, quando a biblioteca abriu ele se despediu de nós dizendo para que nós não ficássemos “doentes”. Imediatamente perguntei ao Dorival e aos Green Nomads o que ele quis dizer com isso. Será que haveria uma epidemia na Ilha? Queria ir atrás do cara para saber mais, e meu grupo não deixou. Disseram que deveria ser força de expressão, e que americano é mesmo paranoico com doença. Isso não se faz com Catarina… Fiquei amargando a dúvida, só relaxei quando fui pesquisar sobre epidemias locais na internet. Fiquem sossegados, não há, por ora (ufa!…).
Na imigração, fomos recebidos pela Miss John, uma senhora super simpática que encaminhava os papéis para o oficial local. Ela falava demais, sem parar, mudando de assunto rapidamente, a toda hora. Eu já estava ficando zonza (aliás, já estava tonta por estar em terra). Até que, num determinado momento, ela contou ter perdido o marido há dois meses, provável motivo do seu descontrole emocional, e mostrou as fotos dele no caixão. Não é comum, para nós, as fotos dos entes queridos nesta situação. Eu não sabia o que comentar. Para dizer alguma coisa, falei que a igreja estava cheia para a ocasião. Por fim, soube que ela é da religião hindu, aliás, há muitos imigrantes da Índia por aqui, o que pode explicar as fotos. Eu e o Dorival pedimos permissão, dissemos que no Brasil era comum, e enchemos ela de beijinhos. Afinal, ela estava carente, e gostou.
Eu já tinha ouvido na rádio fm local os anúncios de velório, com detalhes como o hospital em que a pessoa morreu, de quem era filho (a), nome de todos vários parentes, até dos tios. Chamou atenção o número de irmãos, teve caso de falarem até 8 nomes seguidos, controle de natalidade aqui passa longe… Por fim, chama a atenção a forma como lidam com a passagem das pessoas desta para outra vida.
Chegamos em Tobago depois de 13 dias de viagem. Chegada punk, com mar alto e desencontrado, provavelmente por conta das correntes marítimas que atuam na região, e da variação repentina de profundidade perto da costa. O Luis, do Green Nomad, avaliou o tamanho das ondas em 5 metros. Menos mal que não choveu.
O prêmio para nós veio no mesmo dia: uma água azul transparente. Não chega ao nível de transparência das Grenadinas, mas tem seguramente uns dez metros de visibilidade.
Aqui continua sendo terra de piratas. É bonito, é legal, mas é terra de piratas. Olho neles! O dólar vale 6 vezes mais que a moeda local, mas nos mercadinhos não há preço nos produtos, então, cobram pela cara, se de turista ou local, o que sai caro igual. Fora o velho golpe de passar o preço das coisas, supostamente na moeda local, e depois cobrarem em dólar americano. Vai discutir? Afinal, é tudo dólar e vão dizer que você entendeu mal. Vale mais a sua segurança pessoal. Por fim, não vamos comprar mais nada aqui em Charlotville. Vamos pegar um ônibus para a cidade mais próxima, onde os preços estão afixados nos supermercados, e são os mesmos para todos os bodes (everybody).
Última: o país suspendeu o visto para refugiados, depois do atentado na França. Já não concediam para os haitianos e cubanos. Injustiça com quem não tem nada a ver com um bando de mentecaptos, mas, não dá para dizer que estejam errados.

Catarina

Em tempo: pessoal, depois postamos as fotos.

Boa tarde amigos,

Posição às 18:54 UTC : 09°47.4N 057°25.2W
Rumo: 302 graus verdadeiros
Velocidade: 5.0 nós

Vento: 15 nós ENE.
Ondas: 2,2 metros 7 segundos, de alheta – Bom.
137 mn navegadas nas últimas 24 horas

O Veleiro Green Nomad está cada vez mais próximo de nós, a cerca de 27 mihas, e já conseguimos contato via VHF. Durante esse contato, alguém apareceu fazendo murmulhos e terminando com “câmbio”, palavra que eu estava usando. O Luis nada ouviu. Depois, localizei no radar uma embarcação, não identificada por AIS, bem menor que o sinal dos navios, que ficou algum tempo em uma rota paralela à nossa, à 3 milhas de distância pelo nosso boreste. Depois, mudou o rumo, seguindo para a costa. Mais tarde, o Luis me disse que os avistou.

Não que fosse um perigo, apenas brincadeira de mau gosto, mas assusta. Resolvi diminuir a velocidade do Luthier para que o Green Nomad pudesse chegar mais perto. Agora estamos com contato VHF, já rizados para a noite. Seguiremos próximos até o destino. Uma cautela que não faz mal a ninguém.

Conforme o previsto, já estamos com o céu encoberto e devemos ter chuva até nossa chegada em Tobago.

Abraço,

Dorival

No nosso 12º dia de viagem já estamos com o corpo acostumado ao balanço do mar. Costumo dizer que, depois do terceiro dia, passou o período necessário à adaptação, e você acha que a vida normal é aquela. Capaz de enjoarmos quando pisarmos em terra. Porém, as noites de vigília, o sono entrecortado, vão acumulando um cansaço. Não vejo a hora de tomar a minha Pepsi com gelo, paradinha em terra, e ter um dia de pura preguiça (vai ser difícil, com tanta coisa fora do lugar para arrumar aqui dentro).

Catarina

PS: João, Rui, Júlio e demais, recebi seus e-mais, obrigado.

Boa tarde amigos,

Posição às 18:50 UTC : 08°47.9N 055°20.8W
Rumo: 302 graus verdadeiros
Velocidade: 6.0 nós

Vento: 12 nós ENE.
Ondas: 2 metros 7 segundos, de alheta – confortável.
140 mn navegadas nas últimas 24 horas

O mar está calmo, vez por outra vem aquelas duas a três ondas maiores que, vindas de través, sacodem o barco. Todo navegante experiente sabe que sempre deve usar uma mão para se segurar no barco. Estava eu tranquilo, na dinete, sem segurar em nada e, claro, uma dessas ondas danadas me jogou de lado. Bati a perna na escada da gaiuta de entrada, e lá está um machucado na minha canela, para me lembrar de sempre estar segurando no barco, por mais calmo que esteja o mar.

A novidade são os sargassos, não tivemos isso na nossa travessia em 2010. A quantidade está aumentando. Um velejador da Martinica, que encontrei em Salvador, me havia alertado sobre esse fenômeno, que está acontecendo à barlavento das ilhas do Caribe.

Não vi a meteorologia ainda, mas se as condições de vento e mar continuarem assim, chegaremos terça, no começo da noite.

Ontem ficamos sabendo do atentado na França, pena. Assim fica difícil as coisas melhorarem nesse planeta.

Está tudo bem a bordo.

Abraço,
Dorival

Abraço, Dorival

De noite o bicho pegou. Vieram umas ondas de norte, que não tinham nada que ver com as do vento, e batiam com tudo no costado do barco. De manhã, bateu um cansaço, não deu nem vontade de jogar a isca na água. Se tivéssemos que brigar com um dourado, ele ia vencer; aliás, já venceu.

Já mudamos nossa hora local para a do fuso local. Menos 4 UTC.

Esperamos uma chegada em Tobago menos punk que da última vez, quando o Dorival teve que pegar o barco na mão e chovia sem parar. De qualquer forma, vai ser bom chegar.

Catarina

Boa tarde amigos,

Posição às 16:00 UTC : 07°29.6N 053°24.1W
Rumo: 304 graus verdadeiros
Velocidade: 5.0 nós

Vento: 12 nós ENE.
Ondas: 2 metros 8 segundos, de alheta – confortável.
141 mn navegadas nas últimas 24 horas

Um dia muito diferente e especial. Imaginem algo pouco provável, ganhar na mega-sena é uma das possibilidades. Na REFENO de 2010 nos envolvemos no resgate do veleiro SAMSARA. O Capitão era o Ricardo que se tornou nosso amigo.

A vida dá voltas e o Ricardo acabou aceitando ser o Skiper do Veleiro PILLARROSSI, um trimarã com 2 mastros, 60 por 14 metros, 200 pés.

Hoje pela manhã a Catarina me acordou com um grito de felicidade – “olha quem está alcançando a gente” – era o PILLAR ROSSI, que aparecia no AIS à 10 milhas de nós. Um encontro por acaso muito pouco provável de acontecer. Ficamos muito felizes. Eles fazendo 9 nós em algumas horas no alcançaram, tiramos fotos uns dos outros e combinamos encontros no Caribe.

Esse encontro trouxe sorte, logo depois pescamos um Dourado. A Catarina acha que ele tinha mais de 8 quilos, eu acho muito, mas não vou discutir. Certamente foi o maior peixe que pescamos. Dois pontos para a isca Lula gay, até agora.

A velejada segue tranquila, tudo bem a bordo.

Abraço, Dorival

Presentes do mar para nós: rever nossos amigos, e ganhar um bom peixe. Tudo em boa hora. Já tinha consumido minhas porções de comida preparada congelada, e ia começar a entrar nas conservas (linguiças, enlatados, embalados à vácuo, etc…). Logo mais voltaremos a navegar em profundidades em que é mais rara a pesca.
Agora só falta a coragem de fazer e assar o pão. Vai ter que ser de madrugada, quando a temperatura cai para menos de 29 graus C. Vale a pena, um paozinho saído do forno, com gergilim. Principalmente, porque não sou eu quem vai amassar.

Catarina

Boa Noite amigos,

Posição às  16:04 UTC : 06°15N 051°25.05W
Rumo:   300 verdadeiros
Velocidade:   6.5 nós

Vento: 15 nós E.
Ondas: 2 metros 8 segundos, de alheta – confortável.

Nas últimas 24 horas navegamos 170 milhas, um recorde desde que iniciamos essa nova viagem em Ilha Grande.

A velejada segue tranquila, tudo bem a bordo. Hoje serei mais curto e a Catarina não vai poder escrever porque estamos envolvidos na faina de limpar e preparar uma pescada amarela para o jantar.  Isso mesmo, finalmente pegamos um peixe a cerca de 10 minutos.

Recorde de Calor também, 33 graus, o radar já mostra muita chuva à nossa frente, temos que preparar o barco também.

Abraço, Dorival.

Boa Noite amigos,

Posição às 18:48 UTC : 04°38,58N 049°03.7W
Rumo: 300 verdadeiros
Velocidade: 6.5 nós

Vento: 10 nós ENE
Ondas: 2 metros 8 segundos, de alheta – confortável.

Eu estava me lembrando da nossa travessia de Natal a Tobago em 2010. Fizemos várias escalas, Galinhos, Fortaleza e Ilha dos Lençois. Tínhamos menos experiência do que hoje, e não tinhamos o costume de registrar os dados de navegação e amenidades. Do que me lembro, de Ilha dos Lençois até onde estamos hoje, saindo de águas Brasileiras, esta nossa viagem está muito parecida com aquela de 2010.

Ontem, ficamos sem vento por um bom tempo e depois entrou um NE forte e mais frio que o ESE que vínhamos tendo.

O vento acabou ontem às 15:30 hs locais, e só voltou hoje às 10:30 com 20 nós NE, e foi diminuindo lentamente até os 10 nós que temos agora.

Motoramos a noite toda e tivemos muita chuva. O dia hoje foi bastante nublado com algumas pancadas de chuva. Quem manteve as baterias carregadas foi o gerador eólico.

Tinha essa chuva toda na previsão do tempo…. SEI NÃO, SÓ SEI QUE FOI ASSIM. (da obra Auto da Compadecida de Ariano Suassuna). Será que a obra e o autor são outros?

Abraço, Dorival.

Tudo cansa. Tomar banho cansa, fainas com as velas cansam, cozinhar cansa. Até escovar os dentes. É que para fazer qualquer coisa tem que se segurar, fazer força com as pernas e os braços, para evitar cair com o balanço do mar. Claro que, nos intervalos, dá para descansar.

O Luís, do Green Nomad, vai ganhar um doce, provavelmente em Tobago. Ainda não sei se alguém mais.

Catarina

Boa Noite amigos,

Posição: 03°41,78N 047°01.9W
Rumo: 304 verdadeiros
Velocidade: 5 nós (a motor desde as 15:00 hs)

Vento: sem vento.
Ondas: 1,5 metros (há uma ondulação de fundo vinda do norte com 2 metros 16 segundos)

Mais um dia de boa navegação. O céu está mais nublado e o vento mais fraco. Velejamos bem até 15:00 hs, depois o vento caiu abaixo dos 3 nós e tivemos que ligar o motor. Desde Natal, é a primeira vez que estamos usando o motor.

Hoje o dia também foi um pouco mais fresco. Tivemos 30 ao invés de 32 graus Celsius na cabine.

Ontem à noite, pelo rádio SSB, o Luis, do Green Nomad, me avisou que haveria o lançamento de um foguete Arine em Korou às 18:34. Na hora certinha, apesar de estarmos cerca de 400 mn de distância, deu para ver o forte risco no céu, até desaparecer atrás de uma nuvem.

Ainda não vi a meteorologia hoje, mas acho que já estamos na Zona de Convergência Intertropical, pouco vento e muitas nuvens.

Até amanhã.

Abraço, Dorival.

O Amazonas é um rio que merece respeito. Mesmo a praticamente 200 milhas náuticas de sua foz, deu para sentir a correnteza provocada por ele. Juntaram-se ondas altas, mas longas, vindas de norte, e a passagem por este trecho ficou um pouco tumultuada. Eu senti mais que o Dorival, fiquei mesmo atrapalhada.

Desde que estamos no Hemisfério norte, à noite tem aparecido no encalço do barco, pela popa, uma forte luz branca e baixa, que já pensei ser a luz de um mastro, mas não era. Fica ali a noite toda até o amanhecer. Deve ser um planeta, vamos ver na carta celeste hoje. Um doce para quem adivinhar qual é o astro.

Catarina

Boa Noite amigos,

Posição: 02°04,21N 045°11.2W
Rumo: 304 verdadeiros
Velocidade: 6,5 nós

Vento: 10 nós ESE verdadeiro.
Ondas: 1,5 metros

A noite passada e o dia hoje foram fantásticos. O mar calmo e o vento aparente de través deixaram o barco muito confortável.
Para quem perguntou da pesca, já perdi uma rapala para algum peixe que cortou o cabo de aço, como se de manteiga fosse, e curriquei o dia todo hoje com uma rapala verde brilhante que nunca pegou nada. Amanhã vou tentar uma Lula Gay (rosinha). Vamos ver se pega alguma coisa.

Dois banhos por dia e comida gelada no almoço estão ajudando a amenizar o calor.

Estamos próximos da metade da navegação para Tobago.

Estou sem coisas emocionantes para contar, vou deixar a Catarina escrever um pouco e continuar a procurar algum filminho para assistir mais tarde.

Julio, O Winmor em 21 mhz está ótimo.

Abraço,
Dorival

Hoje foi dia de limpeza. Arrumação tem todo dia, para tudo não virar um caos. Hoje foi mais sentida. Com troca da roupa de cama e banho. Tudo cheirosinho e limpinho. Esqueça lá fora, dá para pegar sal com colher.

Também foi dia de dar vitamina C, de longa duração, para toda a tripulação. Além de aumentar a imunidade, há um mito de que previne enjoos. As laranjas, estou deixando para depois, estão meio ácidas.

Calor recorde! Quer o que? Estamos passando na altura de Belém do Pará. Contudo, ficamos mais dentro do barco que lá fora, por conta do sol escaldante e das lavadas de água salgada no convés.

Está tudo muito bom, afinal, estamos velejando…

Em dia de faxina a comida é macarrão. (Oba! – Dorival)

Catarina

Boa Noite amigos,

Posição: 0°35,49N 043°10.4W
Rumo: 304 verdadeiros
Velocidade: 5.5 nós

Vento: 12 nós ESE verdadeiro, variando ao longo do dia até E
Ondas: 1,8 metros

A noite passada, depois das 22:00 horas, foi difícil. O vento subiu para 25 a 30 nós e, é claro, o mar também ficou alto. Não estava perigoso, mas foi bastante desconfortável. O mar só melhorou depois que passamos o Equador. O Céu estava limpo e estrelado o tempo todo. Assim, devagarzinho como subiu, o vento foi diminuindo até 15 nós e, assim, passou o dia. Pudemos repor o sono perdido da noite. Sem rajadas, sem pirajás.

Estas informações que envio para vocês por e-mail e que, o João Carlos do Veleiro Yahgan publica no nosso blog, são transmitidos via rádio SSB usando o protocolo WINMOR.

WINMOR é um protocolo que foi desenvolvido como alternativa ao Pactor. Para gerar os sinais de transmissão ele usa a CPU do meu note. Enquanto o Pactor, que faz a modulação por hardwere proprietário, custa mais de US$ 1000, o Winmor está disponível de graça (pode doar alguma coisa se quiser) para uso de radioamadores.

Mas, não basta o protocolo. O meu rádio tem que se conectar com uma estação em terra que esteja conectada à Internet para poder fazer o encaminhamento do e-mail para os diferentes destinatários. Para isso conto com a boa vontade e colaboração de radioamadores que transformam seu hobby em um serviço (não pode ser usado para fins comerciais) que ajuda muitos navegadores a se manterem conectados ao mundo e informados da meteorologia.

Durante a nossa primeira volta pelo Alântico usei estações nos EUA, Canadá e EU. Agora tenho uma opção que está muito melhor, trata-se da estação do PY4LF, que está em Minas Gerais. Júlio, muito obrigado por isso.

Todo dia também estou no rádio, em 13983 khz, USB, às 21:00 hs UTC, falando com outros navegantes. Quem puder, apareça. Radioamadores, digam um olá e combinamos uma frequência acima dos 14 Mhz.

Abraço,

Dorival

É a terceira vez que passo por essa linha (a do Equador), e não a vejo. A comemoração da passagem foi dormir, pois estávamos quebrados.
Aliás, só tenho visto mar, e os navios que passam ao largo. Um veleiro com tripulação argentina, que saiu de Natal no mesmo dia, rumo à Martinica, entrou em contato pelo VHF para dizer que estavam se preparando para comer uma picanha. Que maldade com os outros! Isso não se faz…
Até ontem escutávamos notícias pela rádio CBN Fortaleza. Hoje, não mais. E eu estou sem notícias sobre a novela Fatmagull, da Band. Preciso saber se ela continua a chorar, e chorar.

Catarina