sáb 17 dez 2011
DE CABO VERDE A SALVADOR
Escrito por: Dorival
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Desde Cabo Verde até Salvador percorremos 2.150 milhas náuticas em 19 dias. Foi a viagem mais lenta do Luthier; desenvolvemos, em média, 5 nós de velocidade. Dava desânimo relatar as milhas navegadas no relatório do dia. Os responsáveis: o mar alto, com ondas de período
curto, ou desencontrado, e as tempestades tropicais.
Foi uma viagem segura, sem acidentes ou incidentes. O mar mexido sempre deixa uma preocupação com quedas ou queimaduras a bordo, já vimos muitos acidentados graves chegarem em portos e serem transportados em maca. Felizmente, não entramos nesta estatística. É muito importante sempre manter uma mão segurando em apoios firmes no barco, e o uso de cintos de segurança para as fainas no convés; a qualquer momento, uma onda mais alta pode tirar o nosso equilíbrio.
Não tivemos avarias nos equipamentos. Contou para isso rizar o velame com antecedência, mesmo que, desta forma, perdêssemos em velocidade. Também não tivemos nenhum dano no casco ou nos móveis internos, não houve nenhuma porta quebrada ou rachadura no casco pelo esforço da embarcação.
Quase não usamos motor. O fizemos na região dos doldrums, para carregar baterias, e na chegada sem vento a Salvador. No total, foram
100 litros. Voltamos com o tanque cheio.
Com os instrumentos eletrônicos de baixo consumo que temos, e os painéis solares, o gerador eólico, e o gerador à gasolina, pudemos manter o conforto a bordo com o uso da geladeira e do dessalinizador.
Os víveres foram suficientes e sobraram, como é a regra dos terços. Não conseguimos adquirir muitos produtos frescos na nossa última parada, em Cabo Verde, mas tínhamos um bom estoque de alimentos industrializados em conserva, grãos, frutas secas e castanhas.
A pesca foi um item importante para o moral da tripulação e para o suprimento de boa proteína a bordo. Fazer pão dá trabalho, mas o resultado traz satisfação e ocupa a tripulação.
Contribuiu para o ânimo a bordo o contato com o mundo externo e, para isso, o rádio SSB foi essencial.
Constatação: diferente do que ocorreu o hemisfério norte, no hemisfério sul os navios tomavam a iniciativa de manobrar assim que avistavam o Luthier no AIS, a cerca de 8 milhas; depois de nos passar, retornavam à sua rota original.
Para uma viagem tão longa, é muito importante manter o bom humor, a tranquilidade, e os pensamentos positivos. Ouvir música, assistir a um filme ou ler alguma coisa de seu interesse são atividades que distraem, e não deixam que o desânimo tome conta. Vale a pena tirar algumas horas por dia para simplesmente admirar o mar, o céu, e a vida lá fora, pois mesmo bravo o mar é bonito.
Aqui terminamos uma viagem para a qual nos preparamos durante toda a construção do barco, que nos deu a oportunidade de conhecê-lo e sermos capazes de fazer as manutenções que ele exige. A construção foi um período de estudo e de habilitação para as travessias. A paciência, a observação da situação, e o hábito de fazer uma coisa por vez são habilidades que se adquire com ela, e que são cruciais para a navegação.
Esperamos que nossos relatos diários tenham divertido a quem os leu, e que sirvam de parâmetro para quem se interessa em fazer algo semelhante, de forma segura.
Um bom Natal, feliz ano novo para todos.
Catarina e Dorival
Um parêntese para as mancadas:
Não é fácil orçar durante dias em mar alto, e fazer a rota que fizemos de forma segura; sem falsa modéstia, exige preparação, conhecimento e equipamento. Isso não significa que não tenhamos dado furos, bobeiras ou
mancadas, como queiram chamar.
A mais grave, a do gás de cozinha. Quem é responsável por seu controle, aquele que cuida do combustível a bordo ou quem cozinha? Cachorro de dois donos passa fome, foi o que aconteceu. Contribuiu para o lapso a carga de gás do botijão novo, comprado no Caribe: a conceituada empresa que nos vendeu fez o serviço e nos cobrou por 8 KG, mas em Cabo Verde viemos a saber que ali só cabem 6 KG; são os piratas do Caribe, que estão em outros lugares também (aliás, em todos). A mancada continua sendo nossa, de não dimensionar os recursos por outros meios.
Os coletes voadores: sim, voaram do cockpit para o mar, com luzes e tudo, assim que se soltaram da rede em que estavam presos. A causa do vôo foi o vento mais forte ou o nó mais folgado da rede. “Who knows?”.
A faca deslizante: ganhamos o peixe e perdemos a faca (o Dorival, aprendiz de pescador).
A vasilha que baba: uma dessas vasilhas de plástico cuja tampa não é assim tão vedada tombou na geladeira com leite de coco, e fez a maior meleca, difícil de limpar. Por que eu não jogo fora essas tranqueiras?
Por fim, o tira-umidade que eu achei que estava devidamente preso e que tombou sobre os estofados na proa, deixando uma mancha com química que era quente, sobre o seu forro. Eu não aprendo…
Acho que já deu…
Catarina
oi Feliz Natal, pra vcs E 2012 bem divertido com muita saúde. bjs pros dois
miriam
Olá Catarina e Dorival, acompanhei cada dia da viagem de vocês. Mesmo com um longo currículo- mais de 40 anos – velejando, aprendi
Muito com vcs. Ótimos relatos, fotos excelentes, e experiências bem retratadas. Ao voltarem ao nosso paraíso de Angra, gostaria de recebe-los para uma tarde de conversas de convés, em nossa casa no Portogalo, onde tenho recebido vários velejadores brasileiros e argentinos, do último CCL 2010, para um descanso ou mesmo reunir amigos. Parabéns pela realização do projeto, feliz Natal , ótimo 2010.
Catarina
Como sempre adorei o texto bem detalhado e as informações preciosas do amigo João, o verdadeiro “Anjo Guardião”
Tendo um amigo dessa dedicação e competência, acredito, é bem mais fácil navegar.
Sei que passaram por pedaços complicados,mas o importante é que estão aí sãos e salvos.
As fotos ficaram ótimas. Não aprecio peixe ,mas fiquei com água na boca.
Quero agradecer ao João Carlos que foi tão especial com vocês. Quem sabe um dia teremos oportunidade de agradecer pessoalmente.
Agora é só curtir o acarajé,as belezas das praias e as frutas tão saborosas da região.
Beijos com carinho,
Ady
Dna Ady, devo confessar: a minha dedicação foi um pouco egoísta. Explico: o acompanhamento diário da previsão do tempo, depois o relato que eu lia em primeira mão e até a possibilidade de fazer umas piadinhas no início de cada post, permitiu-me aprender muito sobre esta travessia, “viajar” junto com Dorival e Catarina e renovar a nossa amizade e companheirismo.
Um grande beijo para a senhora.
João
Miriam,
Obrigada, querida. Que seja divertido e com saúde para todos nós. Beijos, Catarina
Caro Eduardo,
Navegar é um eterno aprendizado.
Agradecemos as palavras e o convite, ficamos muito honrados.
Abraço,
Catarina
A TRIPULAÇÃO DO LUTHIER ENDOSSA AS PALAVRAS DA DONA ADY.
E agora, o que se segue? a vida não pára.
Boas festas e bom ano de 2012
Rui,
Vamos explorar a costa brasileira e voltar a trabalhar no final de 2012.
Agradecemos e retribuimos os votos de boas festas e bom 2012, a você e sua família.
Abraço,
Dorival
Dorival,, seja bem vindo a nossa terra tupiniquim, estou em St Maarten,passaremos as festas de fim de ano aqui e em 11/01 estarei em salvador, um Feliz Natal e um bom 2012, esperamos fazer a travessia em maio, um abraço
hugo e Catarina
QUERIDOS!!!!!
Que bom ter vcs por perto.Meu coração fica mais tranquilo!!Não canso de dizer PARABÉNS pela Competência Tatá seu relato foi emocionante….a vida aqui fora espera por vcs com muuuuita saudade!!!!
Um abraço com Carinho
Emileine
Caros Dorival e Catarina:
Parabéns pelo sucesso de seu projeto e obrigado pelos relatos que serão úteis para muitos velejadores.
Aproveito para desejar a vocês um ótimo Natal e um Ano Novo com novas realizações.
Amigos , parabéns pela travessia segura! Curtam um pouco a “boa terra”.
Forte abraço
ola dorival e catarina;
Quero parabeniza los pelo feito e agradescer de ante mão por tantas dicas dado em um relato de bordo, descontraido e de facil entendimento.
Assim como voces estou construindo meu catamaran para seguir no mesmo rumo da volta do atlantico, onde minha fonte de inspiração foi o Edson de Deus com seu livro.
Espero que em pouco tempo possa soltar as amarras, e poder vivenciar e experimentar as alegrias, aflições, emoções e todos os sentimentos aos extremos que uma aventura desta pode proporcionar.
Neste momento a minha palavra se chama planejamento e estudo, e cumprir etapas, e a primeira é a do barco.
Espero poder tirar muitas duvidas com voces, e quem sabe ganhar de voces um pequeno guia do atlantico rsrsrs com todas as dicas.
Uma sugestão e pedido se voces puderem detalhar todo os sistema embarcado de comunicação de voces seria muito bacana, como os acessos ao winklink, ais, spot, e etc….
Feliz natal
Amigos,
Agradecemos e retribuímos os votos aqui deixados.
Dorival
Caro Edson,
Desejamos muito sucesso na sua empreitada.
Atendendo ao seu pedido, e de outros, vamos relatar os sistemas utilizados a bordo, e outros temas de navegação.
Quanto ao “guia” ou “livro” sobre o Atlântico, isso dá muito trabalho. Já tivemos trabalho pesado nos 4 anos e meio da construção do barco, está de bom tamanho, não está?
Abraço,
Dorival