As diferenças culturais e linguísticas sempre geram dúvidas e confusões. Bem-vindas, afinal, é chato ver sempre tudo igual.
Estávamos esperando os oficiais da imigração de Tobago nas escadarias da Biblioteca em frente, onde um americano também aguardava a abertura da Biblioteca. Conversa vai, conversa vem, quando a biblioteca abriu ele se despediu de nós dizendo para que nós não ficássemos “doentes”. Imediatamente perguntei ao Dorival e aos Green Nomads o que ele quis dizer com isso. Será que haveria uma epidemia na Ilha? Queria ir atrás do cara para saber mais, e meu grupo não deixou. Disseram que deveria ser força de expressão, e que americano é mesmo paranoico com doença. Isso não se faz com Catarina… Fiquei amargando a dúvida, só relaxei quando fui pesquisar sobre epidemias locais na internet. Fiquem sossegados, não há, por ora (ufa!…).
Na imigração, fomos recebidos pela Miss John, uma senhora super simpática que encaminhava os papéis para o oficial local. Ela falava demais, sem parar, mudando de assunto rapidamente, a toda hora. Eu já estava ficando zonza (aliás, já estava tonta por estar em terra). Até que, num determinado momento, ela contou ter perdido o marido há dois meses, provável motivo do seu descontrole emocional, e mostrou as fotos dele no caixão. Não é comum, para nós, as fotos dos entes queridos nesta situação. Eu não sabia o que comentar. Para dizer alguma coisa, falei que a igreja estava cheia para a ocasião. Por fim, soube que ela é da religião hindu, aliás, há muitos imigrantes da Índia por aqui, o que pode explicar as fotos. Eu e o Dorival pedimos permissão, dissemos que no Brasil era comum, e enchemos ela de beijinhos. Afinal, ela estava carente, e gostou.
Eu já tinha ouvido na rádio fm local os anúncios de velório, com detalhes como o hospital em que a pessoa morreu, de quem era filho (a), nome de todos vários parentes, até dos tios. Chamou atenção o número de irmãos, teve caso de falarem até 8 nomes seguidos, controle de natalidade aqui passa longe… Por fim, chama a atenção a forma como lidam com a passagem das pessoas desta para outra vida.
Chegamos em Tobago depois de 13 dias de viagem. Chegada punk, com mar alto e desencontrado, provavelmente por conta das correntes marítimas que atuam na região, e da variação repentina de profundidade perto da costa. O Luis, do Green Nomad, avaliou o tamanho das ondas em 5 metros. Menos mal que não choveu.
O prêmio para nós veio no mesmo dia: uma água azul transparente. Não chega ao nível de transparência das Grenadinas, mas tem seguramente uns dez metros de visibilidade.
Aqui continua sendo terra de piratas. É bonito, é legal, mas é terra de piratas. Olho neles! O dólar vale 6 vezes mais que a moeda local, mas nos mercadinhos não há preço nos produtos, então, cobram pela cara, se de turista ou local, o que sai caro igual. Fora o velho golpe de passar o preço das coisas, supostamente na moeda local, e depois cobrarem em dólar americano. Vai discutir? Afinal, é tudo dólar e vão dizer que você entendeu mal. Vale mais a sua segurança pessoal. Por fim, não vamos comprar mais nada aqui em Charlotville. Vamos pegar um ônibus para a cidade mais próxima, onde os preços estão afixados nos supermercados, e são os mesmos para todos os bodes (everybody).
Última: o país suspendeu o visto para refugiados, depois do atentado na França. Já não concediam para os haitianos e cubanos. Injustiça com quem não tem nada a ver com um bando de mentecaptos, mas, não dá para dizer que estejam errados.

Catarina

Em tempo: pessoal, depois postamos as fotos.