Pescamos um outro dourado, na viagem de Tobago para Grenada,  maior que o da travessia entre Natal e Tobago. Quando vimos a movimentação de peixes voadores, e de pássaros, já sabíamos que tinha dourado caçando no pedaço. Ponto para a lula gay, e para o Dorival, que brigou para embarcar o peixe.

image

Aproveitamos uma pequena janela de tempo para fazer a viagem, sabendo que depois o mar ia ficar mais alto. Em Charlotteville, estávamos rolando fazia muitos dias, porque lá o mar de norte/nordeste entra com tudo. Estava difícil até para descansar.
Deixamos os nossos amigos Luis e Marli, que devem seguir para Chaguaramas, em Trinidad. Antes eu fiz a prometida feijoada para eles, só que sem laranja, nem couve, porque ali não encontramos nada.
O que precipitou nossa saída de Tobago foi a novidade da última viagem: o guincho quebrou, na verdade, apodreceu. Ficamos na mão, o  que é um perigo no Caribe, onde todo mundo garra, o tempo todo, e você tem que sair às pressas para evitar uma colisão, o que aconteceu com um barco à nossa volta, um baita estresse.
Aqui estamos tranquilos, conseguimos uma poita, por bom preço (menos da metade do Iate Clube do Natal, com direito a usar os banheiros e a estrutura da marina, incluindo internet wi-fi). Só que tem que fazer a reserva antes, uns italianos que estavam em Tobago não fizeram e tiveram que sair, a nossa foi a última reserva.
Em cinco anos, muitas coisas mudaram por aqui. Em primeiro lugar, os brasileiros não precisam mais de visto. Também não é exigida a comprovação da vacina de febre amarela (em Tobago também não, só assinar um termo de que estava vacinado). A novidade é que estão pedindo o Call Sign e MMSI.
Quando entramos na loja da Budget Marine, aqui em Prickly Bay, levamos um susto. Prateleiras praticamente vazias, perto da bagulheira de coisas que vendiam antes. O vendedor disse que as vendas vêm caindo 10% a cada ano. Crise. Realmente, os barcos da ancoragem são, em geral, mais velhos, de pessoal mais simples. Na cidade não há edifícios novos, há muitos barracões abandonados, e o esgoto corre à céu aberto para o mar (isso já era assim). Também há muitos veleiros e barcos abandonados próximo às margens.
O que eu não me conformo é que uma ilha que não tem indústrias de peso, não produz quase nada, nem laticínios, nem frutas e legumes, importa alimentos como cenoura, batata, maçãs, e todos os industrializados, pode ter uma moeda que vale 30% mais que o real.
Que o dólar americano está irrealmente mais valorizado que todas as moedas, é sabido. Mas o porquê do real estar tão desvalorizado, também parece irreal, aliás, surreal. Temos o agronegócio, extração de petróleo, indústrias de base, serviços, como pode?
Para passar o cartão de crédito, aqui ainda usam a tarja magnética, e dão para você assinar.
A ancoragem em Prickly Bay é para serviços, próximo de marinas e lojas náuticas. Mesmo assim, é legal, dá até para nadar. Mas vamos mesmo trabalhar.

Catarina