“Mas que história?
A história mal dormida de uma viagem”
Invenção de Orfeu – Jorge de Lima

Dorival e Catarina seguem no meio do Atlântico norte “sem nenhuma notícia do mundo”, sem fast-food nem shopping, imersos nos elementos que são percebidos por todos na face da terra desde que o mundo é mundo: a luz do sol, o vento, a água, o movimento das ondas, as nuvens antes de uma tempestade, as estrelas. 
Segue o relato do dia:

18 de maio de 2011
17:45 UTC

Posição: 30º 05′.66 N

                  47º 07′.77 W

Navegação:

Rumo  =  65º
Velocidade =  6,5 nós
Distância  em 24h = 80 milhas (Andamos 140 milhas dando bordos para completar 80 milhas para E)
Distância p/destino = 960 milhas

Meteorologia:

Vento = 10 nós de ESE
Ondas = 1,0 mt  8 s
Temp. do ar = 23,8ºC (10:00 local)
Temp da água  = 22,7ºC
Pressão Barométrica = 1022 hPa estável
Céu nublado, chuvoso
Vento e ondas conforme previsto

Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento SE  7 a 11 nós, ondas  ENE 1,5 metros

Estratégia: Continuamos indo mais para leste que o rumo para Flores, pois sabemos que o esperado SE está mais para E que para NE

Comentários: Passamos a noite e a manhã fazendo tack-tack (N.J: a Catarina se refere ao comando de cambar em inglês), orçando a 35º ora para sueste, ora para nordeste, tentando assim ganhar leste. Fomos devagar, entre 3,5 e 5,5 nós, é o que deu para fazer. Algumas vezes, aquartelamos o barco para fazer as refeições. Agora à tarde entrou um vento sueste sustentado e estamos rumando para nordeste a 7 nós. Tomara que a alegria do velejador não dure pouco, e ele fique mesmo depois que a chuva que aqui está passe. Por conta do tempo fechado, e do pouco vento, tivemos que ligar o gerador à gasolina para carregar as baterias.
A observação feita pelo Ronny, do veleiro Luar, é de que este ano há menos vento para a travessia que nos anteriores; por conta disso, a viagem deles deve demorar mais 4 dias além do previsto. Se para eles que são rápidos (estão a 160 milhas na nossa frente) serão mais 4 dias, para nós serão uns bons dias além desses, por certo.
Aqui no Luthier, a tripulação se reveza para descansar assistindo filme no laptop, ler, escutar música, ou simplesmente repor as horas de sono. Está difícil ouvir alguma estação de rádio AM, do Brasil ou de outro país, pela distância em que estamos, e pelos ruídos causados pelo gerador eólico e outros equipamentos. Estamos, assim, sem nenhuma notícia do mundo.
Uma boa distração na viagem é ver estrelas à noite. A Betelgeuses, em Orion, é muito interessante de se ver a olho nu, pois é possível enxergar a luz vermelha que ela emite. Sei identificar bem poucas estrelas, mas estou aumentando a minha coleção.
Catarina