qua 18 mai 2011
Contemos uma história
Escrito por: Joao
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“Mas que história?
A história mal dormida de uma viagem”
Invenção de Orfeu – Jorge de Lima
Dorival e Catarina seguem no meio do Atlântico norte “sem nenhuma notícia do mundo”, sem fast-food nem shopping, imersos nos elementos que são percebidos por todos na face da terra desde que o mundo é mundo: a luz do sol, o vento, a água, o movimento das ondas, as nuvens antes de uma tempestade, as estrelas.
Segue o relato do dia:
18 de maio de 2011
17:45 UTC
Posição: 30º 05′.66 N
47º 07′.77 W
Navegação:
Rumo = 65º
Velocidade = 6,5 nós
Distância em 24h = 80 milhas (Andamos 140 milhas dando bordos para completar 80 milhas para E)
Distância p/destino = 960 milhas
Meteorologia:
Vento = 10 nós de ESE
Ondas = 1,0 mt 8 s
Temp. do ar = 23,8ºC (10:00 local)
Temp da água = 22,7ºC
Pressão Barométrica = 1022 hPa estável
Céu nublado, chuvoso
Vento e ondas conforme previsto
Previsão do Tempo: (próx. 24 horas): vento SE 7 a 11 nós, ondas ENE 1,5 metros
Estratégia: Continuamos indo mais para leste que o rumo para Flores, pois sabemos que o esperado SE está mais para E que para NE
Comentários: Passamos a noite e a manhã fazendo tack-tack (N.J: a Catarina se refere ao comando de cambar em inglês), orçando a 35º ora para sueste, ora para nordeste, tentando assim ganhar leste. Fomos devagar, entre 3,5 e 5,5 nós, é o que deu para fazer. Algumas vezes, aquartelamos o barco para fazer as refeições. Agora à tarde entrou um vento sueste sustentado e estamos rumando para nordeste a 7 nós. Tomara que a alegria do velejador não dure pouco, e ele fique mesmo depois que a chuva que aqui está passe. Por conta do tempo fechado, e do pouco vento, tivemos que ligar o gerador à gasolina para carregar as baterias.
A observação feita pelo Ronny, do veleiro Luar, é de que este ano há menos vento para a travessia que nos anteriores; por conta disso, a viagem deles deve demorar mais 4 dias além do previsto. Se para eles que são rápidos (estão a 160 milhas na nossa frente) serão mais 4 dias, para nós serão uns bons dias além desses, por certo.
Aqui no Luthier, a tripulação se reveza para descansar assistindo filme no laptop, ler, escutar música, ou simplesmente repor as horas de sono. Está difícil ouvir alguma estação de rádio AM, do Brasil ou de outro país, pela distância em que estamos, e pelos ruídos causados pelo gerador eólico e outros equipamentos. Estamos, assim, sem nenhuma notícia do mundo.
Uma boa distração na viagem é ver estrelas à noite. A Betelgeuses, em Orion, é muito interessante de se ver a olho nu, pois é possível enxergar a luz vermelha que ela emite. Sei identificar bem poucas estrelas, mas estou aumentando a minha coleção.
Catarina
É só para dar um abraço de Portugal para voçês.
Lena e Rui
nossa catarina!!
eu adorei o seu blog, contando sobre suas aventuras em alto mar com o sr. Dorival.
ja deu pra perceber que vc ama o mar, eu tambèm gosto muito do mar.
mas ainda não tive uma oportunidade de fazer uma viagem dessas.
um dia eu farei uma viagem dessas e publicarei no meu blog.
quero convidar vcs para conheçer a ilha do pelado (bar da bete).è um lugar muito lindo com aguas claras e muito verde.
là tem um famoso bolinho de aipim que saiu na folha de são paulo o melhor bolinho de aipim do brasil. espero que vcs venham conheçer esse paraiso.
boa sorte nessa linda viagem pelo mar e que a luz de DEUS ilumine o caminho de vcs.
Olá Juliana,
Obrigada pelas palavras. Querer é poder, se você gosta e quer, fará uma viagem assim. Exige planejamento e preparação, é verdade, ou seja, demanda tempo e dedicação, para que tudo saia bem.
Mas, me diga, aonde fica essa tal Ilha do Pelado? Adoraria comer um bolinho de aipim tão famoso como este, ainda mais por ser feito num paraíso.
Forte abraço,
Catarina