Diário
9 (Agosto/2002) - Segundo cruzeiro ao nordeste
"Veja
como sou livre. Se quero viajar simplesmente me levanto (a âncora??!!) e
caminho"
A Peregrina da Paz
Desde o meu retorno ao Rio em
2001 que planejava cumprir novamente o "Círculo do Litoral
Brasileiro" com a subida para o nordeste (incluindo obviamente uma
"chegada" em Noronha) no inverno e retorno no final do verão do ano
seguinte. Esta viagem realizada nas épocas certas não apresenta qualquer
dificuldade e pode ser cumprida somente com ventos e correntes favoráveis.
No início de 2002 comecei a
preparação do Yahgan para mais 1 ou 2 anos de viagem. Adquiri um novo GPS
Garmin com plotter, uma nova sonda Standard Horizon com painel instalado
no cockpit e possibilidade de registro das profundidades (mantive a antiga como
reserva) e um pequeno gerador Honda que (espero) me poupará o uso do motor
diesel para carregar as baterias. Completei a preparação com uma pintura de
fundo e uma reavaliação geral da "tralha" que carreguei até hoje
sem qualquer uso. Dessa arrumação resultou o desembarque de uma vela grande
reserva, uma âncora pesadíssima, muitas ferramentas, papéis e revistas
velhas, uma boa parte dos cobertores, vários colchonetes, uma enorme quantidade
de copos, pratos, cumbucas, entre outros itens menos cotados.
No dia 15 de julho já estava
pronto para partir. Vinha observando atentamente as previsões de tempo e
constatado que, neste ano, a estação estava um pouco atrasada. Tivemos muitas
"ondas" de calor até o final de junho e as frentes frias não estavam
conseguindo vencer uma imensa massa de ar seco que teimava em permanecer sobre o
sudeste. Lá pelo início de julho é que as frentes começaram a atingir
latitudes mais favoráveis, porém, com uma violência pouco comum. O resultado
era mar muito agitado e poucos dias de vento sul/sudoeste. Fiquei aguardando
até o dia 01/08 quando aproveitei uma "janela" de 48 horas de vento
sudoeste, segundo a previsão do CPTEC (http://tucupi.cptec.inpe.br/wwatch/wwatch-inpe.shtml)
e sai rumo a Vitória. Tripulando o Yahgan junto comigo esteve o Erick
Ceppas, velejador e construtor amador do seu veleiro de 22 pés.
Usei uma rota simples e direta
(todos os pontos com o Datum WGS84):
um ponto na Ilha do Pai em frente a Itaipu (Lat 22o59'.54 S Long 43o05'45 W), um ponto 10 milhas a
leste nas Ilhas Maricás (Lat 23o00'04S
Long 42o54'.97W), um outro no "focinho" do Cabo Frio mais
51 milhas a leste (Lat 23o01'.99 S Long 41o59'.93 W), um
ponto 11 milhas ao largo do Cabo de São Tomé e 96 milhas na direção NE (Lat
22o00'.00 S Long 40o40'.00 S) e, finalmente, um ponto 103
milhas na direção da barra de Vitória (Lat 20o19'.47 S Long 40o13'.95 W).
A viagem transcorreu sem problemas, com mar
calmo e vento favorável, muitas vezes fraco e de popa raza. Com a ajuda do
motor, cumprimos o percurso de 275 milhas em 45 horas, numa média de 6 nós. No
final da viagem, atrasei um pouquinho a chegada para aguardar o amanhecer. A
entrada em Vitória é muito tranqüila: após contornar a Ilha dos Pacotes
ruma-se na direção do canal do porto da cidade, depois para a Ilha do Frade e
Rasa, deixadas por BB e entra-se na pequena enseada do Iate Clube do Espírito
Santo usando a sua margem direita (de quem vem do mar) para evitar um baixio.
No
mesmo dia da chegada soprou um nordeste muito forte em Vitória, o que só veio
a confirmar a nossa estratégia. O veleiro Red Boy do Mario, cumpriu o mesmo
percurso, chegando a Vitória 1 hora após o Yahgan. Em Vitória já
"descansando" estava o famoso Veleiro Vadyo, um Cal 9.2 muito bem
equipado e pronto para cruzar o Atlântico (mais detalhes em http://www.atlantico2002.com.br
).
Em Vitória, aportamos no Iate
Clube do Espírito Santo, que franqueia as suas instalações aos barcos em
trânsito por 3 dias e, daí em diante, cobra R$20 por dia. O destaque da cidade
é o "Triângulo das Bermudas" (onde a juventude se perde) com seus
bares e
restaurantes que servem a famosa
moqueca capixaba.
Deveremos ficar por aqui
aproximadamente até o dia 7 ou 8, novamente aguardando ventos favoráveis para
seguir para Salvador, com uma parada em Abrolhos. Em Salvador já nos esperam o
MaraCatu e o Taai-Fung II.
Até o próximo diário.